O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para Bradsaúde (SAUD3) depois de uma série de reuniões entre a companhia e investidores locais, cujo retorno foi consolidado em relatório publicado na sexta-feira (28). A avaliação do banco é que o mercado exagerou na leitura da sinistralidade.
“O ano de 2025 foi atípico na sazonalidade de frequência, e 2026 está se desenhando como um ano mais regular. É por isso que o terceiro trimestre enfrenta uma base de comparação mais dura e o quarto encontra uma base bastante fácil”, apontou Samuel Alves, analista do BTG Pactual.
Com a sinistralidade praticamente estável no primeiro semestre de 2026, incluindo odontologia, e a expectativa de queda no último trimestre, a administração trabalha com um índice anual estável ou levemente melhor do que o de 2025.
Evolução da sinistralidade da Bradsaúde: trimestral e anual

O que o número consolidado esconde
No gráfico da semana, o banco mostrou que a sinistralidade atual segue bem abaixo dos níveis pré-pandemia, 350 pontos-base aquém da média histórica. O detalhe está na composição: o odontológico carrega, por natureza, um índice de perdas menor e puxa o consolidado para baixo.
“Quando a companhia diz que a sinistralidade está estável na comparação anual, esse número inclui o odonto. Isolando apenas os sinistros de saúde, com a nova abertura divulgada pela empresa, o índice subiu no primeiro semestre”, observou Maria Resende, analista do BTG Pactual.
Ainda assim, o banco não vê motivo para alarme. Mesmo com a alta, a sinistralidade de saúde continua abaixo do patamar pré-pandemia e sustenta um negócio bastante lucrativo — o retorno sobre o patrimônio dos últimos 12 meses chegou a 25,8% no 2º trimestre de 2026.
“Elevamos as projeções de lucro no relatório pós-resultado, mas o motivo não foi margem de subscrição melhor. Veio de resultado financeiro mais forte, alíquota efetiva menor e uma contribuição maior da equivalência patrimonial, com os negócios de não seguros rendendo acima do esperado”, calculou Alves.
Caixa líquido reduz o peso dos juros
A posição de caixa líquido é o que blinda a tese em um ambiente de juros altos por mais tempo. O custo de capital elevado no Brasil, que penaliza o valor justo de boa parte das companhias listadas, tem efeito limitado sobre uma empresa sem dívida líquida.
“Há avenidas de crescimento visíveis, com ganho de participação em saúde suplementar, sobretudo entre pequenas e médias empresas, e a maturação gradual da plataforma hospitalar. Negociando perto de 8 vezes o lucro de 2027, seguimos favorecendo a exposição ao papel”, projetou Resende.






