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Lojas Renner: Safra reduz preço-alvo em 27% após guidance menor

Lojas Renner: Safra reduz preço-alvo em 27% após guidance menor

Vendas mesmas lojas decepcionaram no segundo trimestre e a companhia reduziu o guidance de receita do varejo de 9%–13% para 4%–8%.

O Safra cortou o preço-alvo de Lojas Renner (LREN3) de R$ 20,50 para R$ 15 por ação, uma redução de 27%, em relatório divulgado nesta segunda-feira (31). A recomendação de compra foi mantida, com potencial de valorização de 40% em 12 meses.

O que motivou o corte foi a execução comercial. No 2º trimestre de 2026, a companhia entregou crescimento de vendas mesmas lojas em vestuário abaixo do apresentado pelas concorrentes e reduziu o guidance de receita do varejo para 2026, de um intervalo de 9% a 13% para outro de 4% a 8%.

“As iniciativas da área de mercadoria seguem funcionando, com preços mais precisos, coleções mais assertivas e estoques mais bem geridos. O que ainda não convence é a velocidade com que isso chega à linha de cima”, afirmou Vitor Pini, analista do Safra.

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Realize deteriora e alavancagem operacional perde força

A margem bruta continua sustentada pelo trabalho de mercadoria. Contudo, o ambiente de vendas mais fraco já começa a cobrar seu preço na alavancagem operacional, segundo os analistas.

A Realize, braço financeiro da varejista, foi o ponto mais delicado do trimestre. Mesmo com uma carteira de crédito menor, o aumento das despesas operacionais derrubou o resultado da divisão em 22% na comparação anual.

“A Renner é mais sensível a um consumo enfraquecido do que as demais varejistas de vestuário. É isso que nos leva a adotar uma postura mais conservadora, com risco de nova deterioração na qualidade dos ativos da Realize”, disse Renan Sartorio, analista do Safra.

As projeções para 2026 foram ajustadas em três frentes. A estimativa de receita caiu 3,4%, incorporando o resultado abaixo do esperado e o corte do guidance; a margem Ebitda foi reduzida em 70 pontos-base, pela menor alavancagem operacional; e o lucro líquido, em 8%.

Balanço e desconto histórico sustentam a tese

O contrapeso está no balanço. A companhia encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 1,900 bilhão, equivalente a 0,9 vez o Ebitda, folga que dá espaço para atravessar um período de consumo mais fraco sem apertos financeiros.

“Uma posição de caixa nesse patamar dá à companhia uma margem de manobra que poucas concorrentes têm neste momento”, observou Tales Granello, analista do Safra.

No valuation, a ação negocia a 7,6 vezes o lucro projetado para 2027, ante média histórica de 9,4 vezes. O preço-alvo vem de um fluxo de caixa descontado com custo de capital próprio de 17,5%, WACC de 14,4% — ante 13,9% na estimativa anterior — e crescimento na perpetuidade de 5,0%. Nos R$ 15,00, o papel negociaria a 10,5 vezes o lucro de 2027.

“O que vamos acompanhar daqui para frente é se a fraqueza das vendas dos últimos trimestres é passageira ou se sinaliza uma desaceleração mais longa do crescimento”, projetou Pini.