Um problema enfrentado atualmente pelas empresas de saúde do Brasil é o preço dos planos e da alta dependência de brasileiros de cartões de desconto, e não de planos formais. Executivos como Gustavo Ribeiro (presidente da Abramge – Associação Brasileira de Planos de Saúde), Raquel Reis (CEO da SulAmérica) e Thaís Jorge (diretora médica da Bradesco Saúde) participaram de fórum do setor, reunindo CEOs de empresas privadas, lideranças médicas e representantes de órgãos reguladores, relatado pelo banco BTG Pacutal (BPAC11).
Durante evento do setor, foram propostas mudanças estruturais nos modelos de coparticipação, sugerindo a introdução de franquias semelhantes às do seguro automotivo. A lógica é que maior compartilhamento de custos pode reduzir o preço dos planos e ampliar o acesso, especialmente considerando que mais de 60 milhões de brasileiros atualmente dependem de cartões de desconto.
Outra ideia discutida foi a de adotar acordos de compartilhamento de risco com a indústria farmacêutica para medicamentos de alto custo. Esse modelo, já utilizado no sistema público (Sistema Único de Saúde), vincula o pagamento aos desfechos clínicos e pode aumentar a sustentabilidade financeira também no setor privado.
“Executivos alertaram para o aumento da judicialização e destacaram que discussões regulatórias em ano eleitoral precisam ser abrangentes, evitando medidas superficiais”, diz trecho de relatório BTG.
Empresas escolhidas
Diante desse cenário de possíveis mudanças no horizonte das companhias, o banco de investimentos aponta quais as empresas do setor são vistas como as favoritas.
“Continuamos vendo Rede D’Or (RDOR3), OdontoPrev (ODPV3) e Bradesco Saúde como bem-posicionadas para consolidar o ecossistema privado no Brasil”, diz trecho do relatório.
De acordo com o BTG, dada sua escala, integração vertical e capacidade de investimento, esses players tendem a liderar as transformações estruturais do setor, incluindo a adoção de inteligência artificial e a expansão do acesso à saúde.
Nos próximos dias entra em vigor a BradSaúde, resultante da fusão entre Odontoprev e Bradesco Saúde. A operação foi anunciada em 27 de fevereiro e envolve duas pernas complementares. De um lado, a Odontoprev incorpora as ações da Bradesco Gestão de Saúde, passando a deter os ativos de planos médicos, medicina diagnóstica, hospitais e clínicas do banco. De outro, transfere sua carteira de planos odontológicos e respectivos ativos e passivos operacionais para a Mediservice, controlada indireta da BGS.






