As ações da SLC Agrícola (SLCE3) recuam cerca de 3% nesta sessão em reação ao resultado do primeiro trimestre de 2026, divulgado após o fechamento do mercado.
O balanço veio marcado por uma combinação de pontos positivos e negativos, e os analistas Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, da XP Investimentos, avaliam que o resultado isoladamente não deve funcionar como catalisador relevante para o papel.
Soja e caixa como principais vilões
O principal fator de pressão no trimestre foram as margens mais fracas na soja. A receita líquida atingiu R$ 2,2 bilhões, praticamente em linha com as estimativas da XP, mas o Ebitda ajustado de R$ 695 milhões veio 26% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
“Os resultados vieram fracos, conforme esperado. O principal driver foram margens mais fracas em soja, com a gestão destacando que as vendas do 1T foram majoritariamente provenientes de fazendas impactadas por menores yields devido ao excesso de chuvas na colheita”, explicam Alencar e Fonseca.
O lucro líquido ajustado ficou 50% abaixo da estimativa da XP, pressionado por maiores despesas financeiras associadas ao ajuste a valor presente de passivos de arrendamento e por uma alíquota efetiva de imposto de 28%, ante os 23% projetados.
A surpresa negativa mais relevante, porém, veio no fluxo de caixa livre. O consumo de caixa excluindo aquisição de terras atingiu R$ 830 milhões, contra uma estimativa de R$ 178 milhões da XP, reflexo de maior necessidade de capital de giro.
“Embora os drivers sejam explicáveis, a magnitude do desvio pode reforçar o sentimento negativo no curto prazo”, alertam os analistas.
Atualização de safra traz alívio
No lado positivo, a SLC atualizou suas premissas para a safra 2025/26, com revisão para cima no yield de soja de 2,7%. Segundo a XP, o ajuste mais do que compensa os efeitos negativos no milho e algodão de segunda safra.
“Nossa análise preliminar sugere que o melhor outlook de yield de soja mais do que compensa os ajustes remanescentes, implicando um potencial aumento de cerca de 3% nas nossas estimativas de Ebitda para 2026”, avaliam Alencar e Fonseca.
Hedge bem executado, mas nitrogênio é risco
Na frente de hedge, a leitura dos analistas é construtiva. A companhia travou praticamente toda sua necessidade de fosfato e potássio a um aumento de apenas 4,3% em dólar na comparação anual, enquanto os defensivos foram adquiridos com queda de 6,3% em dólar — execuções consideradas positivas diante da pressão altista nos preços spot.
A posição em algodão para a safra 2026/27 também agrada, com hedge de 33,5% da produção a preços que mais do que compensam a desvalorização do real. O único ponto de atenção é o nitrogênio, ainda sem proteção.
“Vemos como uma decisão tática razoável diante da recente queda nos preços spot, mas isso aumenta o risco de execução”, concluem os analistas da XP.
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