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Banco Inter: A correção das ações acabou, diz BTG

Banco Inter: A correção das ações acabou, diz BTG

Gestão reforça que pressão no NIM ajustado ao risco no 1T26 foi temporária e sazonal; crédito consignado privado segue como principal alavanca de crescimento

As ações do Banco Inter (INTR32) acumulam desvalorização de quase 30% em 2026, mas o BTG Pactual enxerga o momento como uma oportunidade de entrada. O preço-alvo do banco foi colocado em R$ 51. O valor corresponde a um potencial de valorização de aproximadamente 70%.

Em relatório elaborado após encontro com a diretoria do banco digital no Rio de Janeiro — com a economista-chefe e responsável por RI, Rafaela Vitória, e o head de Produtos, Flávio Queijo —, os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale reafirmaram a recomendação de compra com viés positivo de curto prazo.

Pressão no 1T26 foi temporária, diz gestão

O principal tema da conversa foi a pressão sobre o NIM ajustado ao risco no primeiro trimestre. A gestão foi enfática ao classificar o movimento como passageiro.

“A pressão sobre o NIM ajustado ao risco no 1T26 foi causada por uma combinação de efeitos temporários, particularmente em empréstimos consignados privados e na tesouraria”, explicam os analistas Rosman, Buchpiguel e Pascale, reportando a mensagem da diretoria.

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Dos aproximadamente 60 pontos-base de aumento na inadimplência no trimestre, a gestão estima que 30 vieram de sazonalidade, 20 de mudanças no mix e apenas 10 de deterioração macroeconômica efetiva.

Lucro de R$ 1,8 bilhão mantido para 2026

Apesar do cenário macro mais desafiador, o Inter se diz confortável com a estimativa de lucro que o consenso tinha antes das revisões pós-primeiro trimestre.

“A gestão permanece confortável com a estimativa de lucro que o consenso tinha antes das revisões pós-1T26, em torno de R$ 1,8 bilhão, 5% acima de nossa estimativa recentemente reduzida”, destacam os analistas.

O crescimento da carteira de crédito deve ficar entre 25% e 30%, as receitas devem crescer cerca de 30%, e o NIM médio deve subir aproximadamente 10% em relação a 2025.

Consignado privado como alavanca de longo prazo

O crédito consignado privado segue como um dos produtos com maior potencial de crescimento e retorno na plataforma. O Inter estima participação de mercado atual de 2,5% e vê atingir 5% como próximo marco relevante.

“A gestão ainda enxerga o consignado privado como um dos produtos com maior ROE da plataforma, em torno de 30%, especialmente à medida que as garantias entram em operação e os modelos de underwriting amadurecem”, apontam Rosman, Buchpiguel e Pascale.

A partir de julho, a Dataprev deve implementar funcionalidade de revinculação automática de salários após troca de emprego — um dos principais desafios operacionais do produto atualmente.

Valuation atrativo e narrativa se recuperando

O BTG destaca que, após a correção significativa das ações, o Inter negocia a múltiplos pouco exigentes: 7,9 vezes o lucro estimado para 2026 e 1,3 vez o valor patrimonial.

“Acreditamos que a narrativa está retomando momentum. Reiteramos nossa recomendação de compra, agora com viés positivo de curto prazo mais acentuado”, concluem os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.

Para atingir o ROE de cerca de 28% — ponto médio do guidance —, o banco estima um índice de eficiência em torno de 35%, com espaço para melhora adicional via IA, automação e ganhos de escala ao longo do tempo.

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