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Copasa: Por que as ações estão caindo?

Copasa: Por que as ações estão caindo?

Empresa divulgou os documentos da oferta de ações que resultará na privatização da companhia de saneamento

As ações da Copasa (CSMG3) operam com queda de 3,5% nesta quinta-feira (21), em reação à notícia de que a Sabesp teria desistido de participar da disputa pela privatização da companhia de saneamento mineira.

A debandada de uma das principais candidatas deixa a Aegea como o principal interessado no ativo, reduzindo a competição e, potencialmente, o prêmio que seria pago pelas ações da estatal de Minas Gerais.

O movimento ocorre um dia após o lançamento, no fechamento do mercado de quarta-feira (20), dos documentos do follow-on que inauguram a etapa final do processo de privatização.

“O lançamento do follow-on é positivo e permite que o processo seja concluído antes da volatilidade política relacionada às eleições”, avaliam os analistas Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, do Banco Safra.

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Estrutura da oferta e cronograma

Pelo prospecto divulgado, a oferta base inclui 171,1 milhões de ações, equivalentes a uma fatia de 45% na companhia, o que representa aproximadamente R$ 9 bilhões pelos preços de 19 de maio. Há ainda um lote adicional de 19,1 milhões de ações (5% do capital), que pode elevar o follow-on total a R$ 10 bilhões.

O follow-on funcionará como um primeiro passo para a seleção de um acionista de referência, que assinará um acordo de acionistas com o governo de Minas Gerais. O mercado saberá a definição do acionista de referência e o preço oferecido até 27 de maio, enquanto o bookbuilding e a precificação estão programados para 2 de junho.

Sabesp fora e menor competição no radar

A saída da Sabesp (SBSP3) do processo é apontada pelos analistas como um dos principais fatores que podem frustrar as expectativas do mercado.

“A menor competição pelo ativo pode gerar ganhos inferiores em relação aos preços atuais das ações, dependendo do preço mínimo, que ainda não foi divulgado”, alertam Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello.

Na avaliação do Safra, a Sabesp pode ter sido afastada da disputa por dois motivos: o ruído gerado pelo recente incidente durante uma perfuração que afetou um gasoduto, e o grande volume de capex que a empresa já precisa desdobrar no estado de São Paulo.

“Acreditamos que o mercado pode ficar desapontado com a menor concorrência pelo ativo”, reforçam os analistas.

Upside ainda relevante, mas banco mantém neutro

Apesar do cenário menos competitivo, o Safra mantém uma visão construtiva sobre o potencial de valorização do papel no caso de sucesso do processo.

“Mantemos nossa visão de que a privatização pode resultar em upside significativo para a companhia — nosso cenário otimista aponta para R$ 80 por ação, e o caso-base de R$ 65 já oferece uma boa margem de segurança em relação aos preços atuais”, destacam os analistas.

Ainda assim, o banco mantém recomendação neutra para as ações, reconhecendo que a incerteza sobre o preço mínimo e a ausência de competidores relevantes além da Aegea podem limitar o prêmio a ser pago pelo controle da companhia.

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