O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, o que fez as ações caírem aproximadamente 4% nos primeiros negócios desta quinta-feira (14).
O lucro líquido ajustado foi de R$ 3,4 bilhões – queda de 54% na comparação anual e de 40% em relação ao trimestre anterior -, e surpreendeu o mercado com uma revisão antecipada do guidance, reduzindo a projeção de lucro para 2026 de R$ 22–26 bilhões para R$ 18–22 bilhões, corte de 17% no ponto médio. O retorno sobre patrimônio (ROE) recuou para 7,3%.
Revisão do guidance como surpresa negativa
Para os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual, o resultado em si era amplamente esperado, mas a revisão antecipada das projeções pegou o mercado de surpresa.
“A surpresa negativa foi a decisão da administração de revisar o guidance de 2026 antecipadamente — o que parece prudente, mas não era nosso cenário-base”, avaliam.
O banco também elevou o guidance de custo de crédito de R$ 53–58 bilhões para R$ 65–70 bilhões, refletindo a deterioração da qualidade dos ativos.
Para o BTG, “a visibilidade ainda é baixa, o que pode levar investidores a migrarem para o piso da nova faixa como novo cenário-base.”
Agro segue como principal fonte de pressão
A carteira de agronegócio continua sendo o principal ponto de atenção. O NPL acima de 90 dias nesse segmento avançou para 13,2%, ante 11,1% no 4T25, e os pedidos de recuperação judicial seguem acelerando.
“O ritmo dos pedidos de recuperação judicial continua se intensificando, mesmo após medidas educativas no setor. Somente em abril, o volume financeiro de RJs atingiu cerca de R$ 650 milhões, quase metade do observado em todo o 2T25”, alertam os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP Investimentos, que mantêm recomendação neutra com preço-alvo de R$ 25.
Para a XP, “a pressão de crédito não está mais restrita ao Agro, e vemos espaço limitado para uma redução relevante de provisões ao longo do ano.”
Pessoa física como nova frente de deterioração
Além do agro, o portfólio de pessoa física também acendeu alertas. A inadimplência de curto prazo avançou quase 90 pontos-base no trimestre, puxada principalmente pelo consignado privado.
Os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra, destacam que “a deterioração nos portfólios de indivíduos e agronegócio foi relevante, com o NPL de 30 dias em pessoa física subindo 89 pontos-base no trimestre, negativamente impactado pela piora na qualidade de crédito em cartões e linhas rotativas.”
O Safra classifica o resultado como negativo para as ações e projeta lucro de R$ 20,4 bilhões para o ano, dentro da nova faixa do guidance.
NII positivo não compensa deterioração
O principal ponto positivo do trimestre foi a margem financeira bruta, que somou R$ 27,4 bilhões, alta de 14,8% na comparação anual, levando o banco a elevar o guidance de NII de +4–8% para +7–11%. Ainda assim, o avanço das receitas não foi suficiente para compensar o aumento do custo de crédito.
As recuperações de crédito vieram abaixo do esperado, em R$ 1,2 bilhão, ante projeção de R$ 2,0–2,5 bilhões da gestão.
“Receitas de crédito e tesouraria seguem sólidas, mas a visibilidade permanece baixa, particularmente no agronegócio, e as tendências recentes tanto no crédito ao varejo quanto no rural não evoluíram como esperado”, resume o BTG.
Para a XP, dado “o ainda baixo nível de visibilidade e a assimetria de riscos negativa, com espaço para novas revisões para baixo”, a recomendação segue neutra, com o papel negociando a cerca de 6x o P/L de 2026 no novo ponto médio do guidance.
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