O JP Morgan avalia como improvável uma venda da Hering pela Azzas 2154 (AZZA3), mesmo após as notícias de que a família Hering estaria avaliando recomprar a marca por meio do BR Partners.
Na visão do banco, uma transação só avançaria mediante o pagamento de um prêmio relevante — condição que tornaria a operação difícil de ser concretizada nos termos atualmente discutidos.
O movimento ganhou força após a revelação de que um grupo de acionistas representando cerca de 11% do capital da Azzas, liderado pela família fundadora da Hering, contratou o BR Partners para assessorá-lo na tentativa de retomar o controle da marca.
A operação se daria por meio de troca de papéis, sem afetar os demais acionistas minoritários. Entretanto, o JP Morgan vê obstáculos relevantes para que a transação avance.
Hering tem valor estratégico para a Azzas
Os analistas do banco destacam que a Hering possui maior integração com a Azzas do que se pode imaginar à primeira vista, além de potencial de captura de valor por meio de ganhos operacionais e sinergias ainda não totalmente explorados.
Portanto, na visão do JP Morgan, a Azzas não teria incentivo claro para se desfazer do ativo sem uma compensação financeira expressiva.
O banco estima o valor da operação da Hering entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões — equivalente a 15% a 20% do valor de mercado da Azzas.
Contudo, em um cenário de venda com múltiplos mais elevados, o ativo poderia valer entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões, ou entre 60% e 85% da capitalização total da companhia — um intervalo que evidencia a complexidade da precificação.
Números fracos alimentam pressão dos fundadores
A insatisfação da família Hering tem respaldo nos resultados recentes. No primeiro trimestre de 2026, as marcas Hering, Hering Kids, Hering Sports, Hering Shoes e Hering Intimates registraram queda de 19% na receita, evidenciando que a integração à Azzas não gerou os resultados esperados e que a marca acumula perda de relevância no mercado de vestuário brasileiro.
Apesar do cenário desafiador para a Hering e das pressões dos fundadores, o JP Morgan mantém recomendação neutra para as ações da Azzas 2154, com preço-alvo de R$ 24,50 — potencial de valorização de 21,89% em relação ao último fechamento.
O banco avalia que, sem um prêmio relevante, a venda da Hering permanece como um cenário pouco provável no horizonte de curto prazo.
Disputa ocorre em meio a tentativa de venda da Farm Rio
O movimento dos fundadores da Hering acontece em um momento de ebulição para a Azzas 2154. As ações da companhia subiram mais de 8% na última sexta-feira e avançaram mais de 7% na segunda-feira (22), após a empresa confirmar que avalia alternativas estratégicas para a Farm Rio, incluindo uma eventual venda, com a contratação de assessores financeiros para conduzir o processo.
O Bradesco BBI avaliou que o ativo pode ter valor significativo, estimando uma avaliação implícita de R$ 5,2 bilhões para a Farm Rio — valor que supera o market cap atual da companhia. Para o banco, o debate em torno da potencial venda pode dar suporte à performance das ações no curto prazo, especialmente por se tratar do ativo com maior potencial de geração de valor dentro do portfólio.
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