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Shein revela prejuízo de US$ 99 mi antes de IPO em Hong Kong e decepciona mercado

Shein revela prejuízo de US$ 99 mi antes de IPO em Hong Kong e decepciona mercado

Fim da isenção nos EUA e custos maiores reduziram as margens no primeiro trimestre

A Shein registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de US$ 395 milhões obtido no mesmo período do ano anterior. Os números foram divulgados enquanto a varejista prepara sua abertura de capital na Bolsa de Hong Kong e decepcionou parte do mercado.

As informações constam no documento preliminar do IPO apresentado à Bolsa de Hong Kong, que oferece a primeira visão pública mais ampla sobre as finanças da companhia.

A receita líquida chegou a US$ 9,05 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 1,1% na comparação anual. A desaceleração ocorreu apesar do avanço de 16,6% no número de clientes ativos, que passou de 241 milhões para 281 milhões nos 12 meses encerrados em março.

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Prejuízo da Shein tem forte efeito contábil

Uma parte relevante do prejuízo não está relacionada diretamente à operação da companhia. A Shein reconheceu uma perda contábil de US$ 328 milhões vinculada à reavaliação de ações preferenciais conversíveis e resgatáveis emitidas para investidores.

O valor desses papéis pode mudar antes da abertura de capital e as ações podem ser posteriormente convertidas em ordinárias. Por isso, o ajuste não representa uma saída equivalente de dinheiro do caixa nem uma deterioração das vendas.

Ainda assim, retirar esse efeito não elimina os sinais de enfraquecimento operacional.

O lucro operacional caiu 26%, de US$ 348 milhões para US$ 258 milhões. A margem operacional recuou de 3,9% para 2,9%, indicando que a companhia passou a reter uma parcela menor da receita depois de cobrir os custos do negócio.

Fim da isenção derruba receita nos Estados Unidos

O principal impacto operacional veio dos Estados Unidos. A receita da Shein no país caiu 14,3%, de US$ 2,38 bilhões para US$ 2,04 bilhões, após o fim da isenção tributária conhecida como de minimis.

A regra permitia que encomendas de até US$ 800 entrassem no mercado americano sem o pagamento de impostos de importação. Sua retirada atingiu diretamente o modelo da Shein, baseado no envio de produtos de baixo valor diretamente ao consumidor.

Com a mudança, os Estados Unidos passaram a responder por 22,5% da receita trimestral da companhia. Em 2023, a participação do país no faturamento anual era de 29,4%.

A Shein informou que adotou aumentos de preços, estoques localizados e mudanças logísticas para compensar parte dos novos custos. A companhia também afirma ter observado sinais de normalização das compras dos consumidores americanos depois do choque inicial.

O desempenho de outras regiões evitou uma queda na receita consolidada. Fora dos Estados Unidos e da Europa, o faturamento avançou 10,1%, para US$ 4,1 bilhões. Na Europa, a alta foi mais moderada, de 2,3%, para US$ 2,91 bilhões.

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Entregas e marketing ficam mais caros

As despesas logísticas, classificadas como fulfillment, aumentaram 12,8% e alcançaram US$ 4,32 bilhões no trimestre. O valor passou a representar 47,7% da receita, ante 42,8% um ano antes.

O custo maior foi atribuído ao aumento do número de pedidos, às tarifas americanas e à expansão do modelo de marketplace. Nesse formato, a Shein reconhece como receita apenas a parcela recebida pela prestação do serviço, enquanto continua arcando com parte dos gastos de logística.

As despesas de marketing cresceram ainda mais, com alta de 31,4%, para US$ 1,43 bilhão. A participação desses gastos na receita subiu de 12,2% para 15,8%.

Isso significa que a companhia precisou destinar uma parcela maior do faturamento tanto para entregar os produtos quanto para atrair e manter consumidores.

Pressão europeia ainda pode aparecer nos resultados

Os números do primeiro trimestre ainda não capturam integralmente o aumento dos custos regulatórios na União Europeia, região responsável por aproximadamente um terço da receita da Shein.

A própria companhia reconhece que o impacto europeu pode ficar em linha ou até superar o observado nos Estados Unidos. A região também passou a aplicar uma cobrança de € 3 sobre importações de baixo valor adquiridas por meio de plataformas de comércio eletrônico.

Além da pressão sobre as margens, o documento mostra que a Shein possuía US$ 8,5 bilhões em passivos circulantes líquidos e aproximadamente US$ 7,9 bilhões em prejuízos acumulados ao fim de março. A companhia atribui boa parte dessa estrutura à classificação contábil das ações preferenciais conversíveis.

Em contrapartida, a expansão da base de clientes e o crescimento fora dos Estados Unidos mostram que o negócio ainda possui capacidade de avançar em outros mercados.