O crescimento de apenas 0,5% dos volumes de cerveja da Ambev (ABEV3) no Brasil no terceiro trimestre de 2026 frustrou as projeções do BTG Pactual e do Itaú BBA. Apesar da decepção operacional, o BTG manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 20 em 12 meses.
O BTG esperava expansão de 3,3% dos volumes, enquanto o BBA projetava 3%. O BTG também destacou a falta de avanço relevante dos preços na comparação com o segundo trimestre, apesar da maior participação das marcas premium nas vendas.
“Depois de analisar os resultados da concorrência, considerando que o terceiro trimestre historicamente concentra boa parte dos reajustes anuais da Ambev e diante de uma tendência favorável de participação de mercado, admitimos que esperávamos uma precificação mais forte no Brasil neste trimestre”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG.
Lucro supera projeções com ajuda do resultado financeiro
A receita líquida consolidada somou R$ 21,59 bilhões, alta reportada de 3,6% em um ano. O Ebitda ajustado ficou em R$ 7,27 bilhões, crescimento de 3% nessa mesma base, com margem de 33,7%.
Na leitura da Ativa Investimentos, despesas administrativas, comerciais e de marketing pressionaram a rentabilidade. O lucro líquido reportado de R$ 4,37 bilhões ficou 16,7% acima da projeção da casa, embora tenha caído 10,2% em relação ao 3T25.
Na medida ajustada divulgada pela Ambev, que exclui itens não usuais, o lucro cresceu 14,3%, para R$ 4,39 bilhões.
O Itaú BBA atribuiu a surpresa positiva no lucro a ganhos cambiais sem efeito caixa e a uma alíquota de imposto menor do que previa. Para o banco, esses fatores não afastam as dúvidas sobre o desempenho operacional.
Já o BTG preservou a tese de recuperação do poder de precificação da Ambev ao longo do ano, apoiada pelo portfólio de marcas e pela melhora do retorno sobre o capital.
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Recompra pode apoiar ações, mas recomendações divergem
A Ambev anunciou um programa de recompra de até 190 milhões de ações, para execução em 18 meses. O volume equivale a cerca de R$ 2,9 bilhões, considerando a cotação de fechamento de 28 de outubro.
BTG e Itaú BBA avaliam que a iniciativa pode oferecer suporte às ações. O BBA, porém, mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 17 para 2027, diante da baixa visibilidade para consumo, custos e repasses de preços.
“Embora a dinâmica tática possa se tornar mais favorável para a Ambev, agora também ajudada pelo programa de recompra que, em certa medida, já era esperado, vemos pouca visibilidade dos fundamentos para justificar uma postura mais construtiva no curto prazo”, afirmou o Itaú BBA.
A Ativa também segue neutra, com preço-alvo de R$ 21. A corretora considera que a melhora do resultado financeiro ajudou o lucro, mas ainda enxerga desafios para a indústria de bebidas.






