O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano na próxima quarta-feira (16). Para o Itaú BBA, entretanto, o corte de 0,25 ponto percentual poderá ser o último de 2026.
A análise separa a decisão de setembro dos próximos passos. A moderação da atividade e a melhora da inflação corrente oferecem espaço para outra redução, mas não eliminam os riscos associados ao câmbio, às expectativas de inflação e ao cenário internacional.
O banco espera uma decisão unânime e poucas alterações no comunicado. O Copom deve preservar a liberdade para avaliar os indicadores a cada reunião, sem antecipar o ritmo ou a extensão dos próximos ajustes. A mensagem deve continuar destacando cautela e a necessidade de manter os juros em terreno restritivo.
Desinflação permite corte, mas não garante continuidade
Os dados domésticos ficaram mais favoráveis desde a reunião de agosto. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas a composição apontou perda de força do consumo das famílias, que recuou 0,4% diante dos três meses anteriores.
O mercado de trabalho continua aquecido, embora apresente sinais de desaceleração. A criação de empregos formais caiu para um ritmo inferior à estimativa de neutralidade do Itaú, de 60 mil vagas mensais, enquanto os salários surpreenderam negativamente no segundo trimestre.
Na inflação, o IPCA de agosto registrou queda de 0,32% e desacelerou para 4,22% em 12 meses. Bens industriais e alimentos apresentaram uma dinâmica mais benigna, mas os serviços subjacentes ainda avançam perto de 5%.
“A foto é positiva, mas a história segue preocupante. O resultado de agosto veio abaixo do esperado e com composição qualitativa marginalmente mais favorável”, avaliam Stephan Kautz e Igor Cadilhac da EQI Investimentos.
A EQI mantém a projeção de 5,1% para o IPCA de 2026. Já o Itaú calcula que o modelo do Banco Central deverá apontar inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. O resultado pode subir para 3,3%, dependendo da próxima atualização do Boletim Focus.
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O principal obstáculo para novos cortes está nas expectativas de inflação. A mediana do Focus para 2027 aumentou de 4,22% para 4,29%, enquanto a estimativa para 2028 permanece em 3,80%. Ambos os números continuam acima da meta de 3%.
O Itaú também trabalha com o dólar a R$ 5,30 no encerramento de 2026. Uma taxa de câmbio mais depreciada pode encarecer produtos importados, combustíveis e insumos utilizados pela indústria, dificultando a continuidade da desinflação.
No exterior, os juros dos títulos norte-americanos avançaram e o petróleo passou de aproximadamente US$ 80 na reunião anterior para perto de US$ 100 por barril. O Itaú ainda espera que o Federal Reserve eleve os juros em setembro e outubro, ampliando a cautela exigida de países emergentes.
“Seguimos avaliando que uma estratégia de pausa temporária, com posterior reavaliação do cenário, parece mais adequada”, afirma a equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú, liderada pelo economista-chefe Diogo Guillen.
A pausa não está garantida. Caso o dólar e as expectativas de inflação permaneçam nos níveis atuais, novos cortes de 0,25 ponto percentual podem ganhar espaço nas últimas reuniões do ano.
Por isso, o comunicado deverá ter tanto peso quanto a redução da Selic. A ausência de uma indicação explícita sobre os próximos passos permitirá ao Copom interromper o ciclo em 13,75% ou continuar reduzindo os juros caso o cenário se torne mais favorável.






