A Allos e Grupo Koch reforçaram a estratégia de crescimento com disciplina financeira, foco em produtividade e expansão seletiva durante evento que reuniu executivos das duas companhias. Em palesta na Money Week, Daniela Guanabara, da Allos (ALOS3), destacou a evolução operacional da empresa, enquanto Ednei Rangel, CFO do Grupo Koch, apresentou os planos de expansão da rede supermercadista em Santa Catarina.
Segundo Daniela Guanabara, a Allos encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 1,3 bilhão. O resultado operacional avançou 7,5% no ano, enquanto o lucro cresceu 8,8%, desempenho influenciado também pelo cenário de juros elevados. O lucro por ação foi beneficiado pela política de recompra de ações adotada pela companhia.
A executiva ressaltou ainda a relevância da Allos no mercado de shopping centers. A empresa responde por cerca de 21% das vendas do segmento e, entre 2021 e 2025, apresentou crescimento superior ao conjunto dos concorrentes em número de lojas. Categorias como esportes, academias e bem-estar registraram expansão de aproximadamente 30%, enquanto o segmento de calçados cresceu cerca de 20%.
A companhia também ampliou a presença de grandes marcas em seu portfólio, com mais de 13 lojas da Adidas e 12 unidades da Vivara, entre outras operações. Ao mesmo tempo, a Allos avançou na estratégia de reciclagem de ativos. Nos últimos anos, desinvestiu de 14 shoppings, levantando R$ 2,7 bilhões, em uma estratégia que, segundo Guanabara, reforça o compromisso de transparência com os acionistas.
A disciplina de capital também aparece na remuneração dos investidores. A Allos já retornou 44% aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações. A companhia trabalha ainda com um guidance de distribuição de dividendos de até R$ 0,38 por ação, equivalente a um crescimento anual de aproximadamente 13%.
Na gestão da dívida, Guanabara afirmou que a companhia já desembolsou R$ 5,9 bilhões para antecipar dívidas antigas e conseguiu alongar seu perfil financeiro. A executiva destacou que a capacidade de acessar diferentes fontes de financiamento é um dos benefícios proporcionados pela escala alcançada pela empresa. A Allos também conseguiu realizar emissões de dívida com prazo de até dez anos, algo inédito para o setor, segundo ela.
A estratégia para os próximos anos, contudo, não será baseada apenas na abertura de novos empreendimentos. A companhia pretende priorizar ganhos de produtividade nos ativos existentes e pequenas expansões com retorno rápido. Outra frente está nos projetos de uso misto, que aproveitam terrenos de shopping centers para desenvolver empreendimentos residenciais em parceria com outras empresas.
A Allos também trabalha na criação de novas fontes de receita, incluindo serviços relacionados a fundos imobiliários. A ideia é lançar essa vertical em um momento considerado mais favorável para o mercado. Para Guanabara, a disciplina de capital começa pelo cuidado com o balanço e pela garantia de que a companhia tenha caixa suficiente para manter a operação e aproveitar oportunidades.
Básico bem feito
No Grupo Koch, o cenário também é de expansão. A rede supermercadista prevê crescimento de 22% e a possibilidade de alcançar R$ 13 bilhões em faturamento. Ednei Rangel afirmou que a estratégia do grupo é fazer o básico bem feito, acompanhar de perto os resultados, estabelecer metas e controlar a execução com rigor.
Rangel destacou ainda que a empresa busca combinar disciplina operacional com inovação. O grupo procura testar novas ideias, mas também reconhecer rapidamente quando determinado modelo não funciona e precisa ser ajustado. A estratégia inclui ainda a preservação dos relacionamentos com fornecedores e parceiros, considerados importantes para sustentar o crescimento no longo prazo.
Em Santa Catarina, a expansão do Koch tem sido concentrada principalmente no litoral. Segundo Rangel, ainda existem oportunidades em cidades menores, com populações entre 20 mil e 40 mil habitantes. Antes de avançar para esses mercados, entretanto, a companhia pretende avaliar diferentes modelos de operação, observar os movimentos dos concorrentes e testar formatos antes de uma implementação mais ampla.
O ambiente de juros elevados é outro ponto de atenção para as duas companhias. No Koch, a estratégia envolve manter uma reserva de caixa considerada confortável para sustentar a expansão e enfrentar períodos de maior dificuldade. Rangel ressaltou que empresas raramente quebram apenas por causa de resultados ruins, mas podem entrar em situação de risco quando ficam sem caixa para honrar compromissos do dia a dia.
Na Allos, Guanabara também destacou a importância da estrutura financeira construída após a fusão da companhia. A empresa passou a contar com maior infraestrutura para operações de crédito e emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), conseguindo captar recursos a custos competitivos. A última emissão, segundo a executiva, foi realizada a uma taxa inferior ao CDI.
Entre os principais riscos para o setor de shopping centers, a Allos monitora o cenário macroeconômico e, principalmente, a situação financeira das empresas varejistas. O aumento do endividamento dessas companhias pode afetar o desempenho dos lojistas e, consequentemente, o fluxo de consumidores e as vendas dos empreendimentos.
Para o Grupo Koch, uma das principais ameaças está no comprometimento da renda das famílias. Rangel chamou atenção para o elevado nível de endividamento dos consumidores brasileiros e para o impacto das apostas esportivas, as chamadas bets, sobre o orçamento doméstico. Segundo ele, parte relevante do dinheiro direcionado às apostas acaba sendo retirada de despesas essenciais, incluindo a alimentação.
Apesar dos desafios, as duas companhias mantêm planos de crescimento para os próximos anos. Na Allos, a prioridade é investir onde existe maior potencial de retorno e desinvestir ativos que não estejam alinhados à estratégia. No Koch, o avanço deve continuar de forma gradual e concentrada, com avaliação constante das oportunidades. Em ambos os casos, a combinação entre expansão, geração de caixa e disciplina financeira aparece como principal eixo para sustentar o crescimento.






