O setor de agronegócio deve apresentar tendências operacionais mais fracas, segundo análise do Banco Safra sobre as perspectivas de resultados da Três Tentos (TTEN3) e da SLC Agrícola (SLCE3). As projeções indicam pressão sobre as margens e a rentabilidade das companhias, apesar de avanços em segmentos específicos. Enquanto a Três Tentos deve registrar melhora sequencial na operação industrial, a SLC Agrícola tende a ser afetada pelo adiamento de embarques de algodão e pela postergação de entregas de milho para o quarto trimestre de 2026.
De acordo com o relatório, os custos logísticos mais elevados devem limitar a conversão do crescimento da receita em geração de resultados na Três Tentos. Na SLC Agrícola, embora a produtividade recorde da soja favoreça o desempenho da cultura, a redução dos volumes comercializados de algodão e milho deve pressionar os números do período.
O Safra também destaca que as despesas financeiras devem continuar comprometendo os resultados líquidos das duas empresas. Por outro lado, a liberação sazonal de capital de giro da Três Tentos e a expectativa de recuperação das entregas da SLC Agrícola no quarto trimestre podem contribuir para a geração de caixa.
Três Tentos deve ampliar receita, mas Ebitda tende a cair 43%
Para a Três Tentos, o Banco Safra projeta receita líquida de R$ 6,044 bilhões, crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço deve ser sustentado principalmente pela divisão de Trading de Grãos, cuja receita pode aumentar 31% na comparação anual, e pelo segmento de Insumos Agrícolas, com expansão estimada em 15%.
A operação industrial também deve apresentar melhora em relação ao trimestre anterior. O desempenho esperado reflete maiores volumes de biodiesel, preços mais favoráveis do farelo de soja e a contribuição do primeiro trimestre completo de operação da unidade de etanol de milho.
Segundo as estimativas do banco, a receita do segmento industrial deve crescer 17% na comparação anual, enquanto a margem bruta pode avançar 1,26 ponto percentual, para 13,8%. O complexo de milho deve contribuir com R$ 280 milhões em receita, com margem bruta projetada em 20%.
Apesar do crescimento esperado, o aumento dos custos logísticos deve restringir os ganhos operacionais. Com isso, o Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — deve alcançar R$ 209 milhões, queda de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda está estimada em 3,5%, recuo de 3,92 pontos percentuais.
As despesas financeiras líquidas também devem afetar a última linha do balanço. O Safra projeta lucro líquido ajustado de R$ 92 milhões, redução de 68% na comparação anual.
Em contrapartida, a liberação sazonal de capital de giro deve favorecer a geração de caixa da companhia. O fluxo de caixa livre estimado pelo banco é de R$ 624 milhões, reforçando a importância da gestão do capital de giro em um cenário de pressão sobre a rentabilidade.
SLC Agrícola enfrenta efeitos do adiamento de entregas
Na SLC Agrícola, a expectativa é de receita líquida de R$ 1,797 bilhão, queda de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho deve refletir principalmente os efeitos do calendário de comercialização, com atrasos nos embarques de algodão e uma safra de milho mais tardia, deslocando parte das entregas para o quarto trimestre de 2026.
A soja deve ser o principal destaque positivo da companhia. As produtividades recordes esperadas para a cultura devem sustentar um crescimento de 34% na receita anual do segmento, enquanto a margem bruta pode atingir 30,5%, avanço de 8,25 pontos percentuais.
Esse resultado, no entanto, deve compensar apenas parcialmente a retração prevista nas demais culturas. O Safra estima queda de 46% na receita com pluma de algodão e redução de 36% na receita de milho.
No algodão, preços realizados mais elevados e custos unitários menores devem ajudar a amenizar os efeitos da redução dos volumes. Já o milho enfrenta uma base de comparação mais exigente, após as produtividades recordes registradas no ano anterior.
O Ebitda ajustado, excluindo os efeitos do IFRS 16, deve somar R$ 401 milhões, recuo de 18% na comparação anual. A margem Ebitda está projetada em 22,3%, queda de 1,20 ponto percentual, mesmo com a redução das despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A) em relação à receita.
As despesas financeiras líquidas, estimadas em R$ 349 milhões, devem pressionar o resultado final. Nesse cenário, o banco prevê prejuízo líquido ajustado de R$ 54 milhões, ante lucro líquido ajustado de R$ 18 milhões no terceiro trimestre de 2025.
Apesar da retração esperada nos resultados, o fluxo de caixa livre da SLC Agrícola deve alcançar R$ 398 milhões. A evolução das entregas postergadas será um dos fatores determinantes para avaliar a recuperação operacional da companhia no quarto trimestre.
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