O Bradesco (BBDC4) elevou as taxas de juros do financiamento imobiliário a partir de 26 de outubro, citando a volatilidade recente do mercado financeiro e seus efeitos sobre os custos de captação de recursos. A mudança encarece o crédito para a aquisição de imóveis e pode afetar a demanda no setor imobiliário.
Com a nova política de preços, as taxas para clientes do segmento Private partem de TR + 13,60% ao ano. Para os segmentos Principal, Prime, Parcerias e Massificado, os juros começam em TR + 15,00% ao ano.
Nas linhas destinadas a imóveis comerciais e aquisições corporativas, a taxa foi estabelecida em TR + 16,50% ao ano. Já o financiamento de terrenos urbanos passou a ter juros de TR + 18,50% ao ano.
O banco informou que continuará acompanhando as condições do mercado antes de avaliar a retomada de condições personalizadas de precificação e de novas cotações.
Construtoras de média e alta renda podem ser afetadas
Em relatório, os analistas Bruno Mendonça, do Bradesco BBI, e Larissa Monte, da Ágora Investimentos, avaliaram que o aumento das taxas é negativo para as construtoras com foco nos segmentos de média e alta renda.
A análise considera que os novos juros se aplicam ao financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Com o crédito mais caro, a capacidade de compra dos consumidores tende a ser pressionada, o que pode dificultar a concretização de vendas e a transferência de clientes para instituições financeiras.
Os analistas também apontam possíveis efeitos sobre os preços dos imóveis no mercado secundário, diante de uma eventual redução da demanda e da perda de acessibilidade ao financiamento imobiliário.
Possíveis reflexos para o mercado
O Bradesco detém aproximadamente 15% de participação no mercado de financiamento imobiliário, segundo o relatório. Por isso, ainda não está claro se outras instituições financeiras adotarão medidas semelhantes e também elevarão suas taxas.
Apesar da incerteza, a possibilidade de novos reajustes no sistema financeiro permanece no radar dos analistas. Caso outros bancos acompanhem o movimento, o encarecimento do crédito poderá ampliar a pressão sobre o mercado imobiliário, especialmente nos segmentos mais dependentes do financiamento bancário.
Os efeitos dependerão da evolução dos custos de captação, das decisões das demais instituições financeiras e da capacidade dos compradores de absorver as novas condições de crédito.






