A Ativa Investimentos coloca o varejo entre os setores mais vulneráveis no cenário após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A combinação de juros elevados, renda disponível limitada e consumidores endividados leva a casa a priorizar empresas com geração de caixa, baixo endividamento e sem grandes reestruturações em andamento.
As preferidas são Assaí (ASAI3), Mercado Livre (MELI; MELI34), RD Saúde (RADL3) e Smart Fit (SMFT3), todas com recomendação de compra. O relatório divulgado nesta terça-feira (27), assinado pelo analista Lucas Dias, atualiza as teses de investimento e apresenta preços-alvo para o fim de 2027.
“Apesar disso, entendemos que o setor deve ser um dos mais impactados negativamente, considerando um ambiente de juros elevados e o consistente cenário negativo no que tange renda e endividamento”, afirma a análise.
Quais são as quatro ações preferidas da Ativa?
As escolhas refletem fatores específicos de cada negócio, como ganhos de rentabilidade, investimentos em logística, expansão das operações e capacidade de enfrentar a concorrência.
| Empresa | Ação | Preço-alvo para o fim de 2027 | O que sustenta a preferência |
|---|---|---|---|
| Assaí | ASAI3 | R$ 15 | Evolução da rentabilidade, controle de custos e investimentos conservadores |
| Mercado Livre | MELI | US$ 2.500 | Estrutura logística que protege a participação de mercado e crescimento das operações |
| RD Saúde | RADL3 | R$ 28 | Aumento do volume de vendas e ganhos de participação de mercado |
| Smart Fit | SMFT3 | R$ 36 | Expansão das academias e crescimento do TotalPass |
No Mercado Livre, a Ativa reconhece que os gastos com logística, frete grátis e cartões de crédito pressionam as margens no curto prazo. Ainda assim, considera que esses investimentos ajudam a preservar a liderança diante de concorrentes como Shopee e TikTok Shop.
A revisão também trouxe mudanças nas recomendações.
O Grupo Petz Cobasi (AUAU3) passou de neutra para compra, com alvo de R$ 7, apoiado em geração de caixa, baixa alavancagem e ganhos esperados com a integração.
A Natura (NATU3) fez o caminho inverso. A ação foi rebaixada de compra para neutra, com alvo de R$ 12, diante das dificuldades econômicas e da recuperação operacional mais lenta que a esperada.
Leia também:
Magalu segue neutra e vestuário deve ter trimestre fraco
Para o Magazine Luiza (MGLU3), a Ativa manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 12 para o fim de 2027. A concorrência e a necessidade de financiar investimentos em tecnologia e logística continuam limitando o entusiasmo com a varejista.
“O ambiente competitivo segue como o fator mais relevante para nossa tese. Apesar das iniciativas para recuperar posicionamento, ainda vemos outras empresas mais bem posicionadas e capturando market share relevante do Magalu. As parcerias com AliExpress e Shopee têm sido positivas para a companhia; no entanto, players como o MercadoLibre competem de forma mais agressiva, em particular nas ofertas ao cliente”, diz o relatório.
Na prévia do 3T26, período encerrado antes da eleição, a casa espera resultados fracos de Azzas 2154 (AZZA3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Natura. Para o vestuário, os obstáculos incluem renda limitada, clima desfavorável e concorrência de plataformas internacionais.
A expectativa de um trimestre fraco, porém, não levou à retirada das recomendações de compra para Renner e C&A. Os preços-alvo são de R$ 19 e R$ 18, respectivamente, sustentados por liderança, geração de caixa e preços considerados descontados pela Ativa.






