A Rede D’Or (RDOR3), o Fleury (FLRY3) e a Dasa (DASA3) lideram as preferências da XP entre as ações do setor de saúde para o segundo semestre de 2026. A casa espera que as empresas mantenham um desempenho operacional sólido, mesmo diante de bases de comparação mais exigentes a partir do terceiro trimestre.
O relatório divulgado nesta quarta-feira (9) destaca três pilares diferentes:
- Na Rede D’Or, a confiança está na manutenção das margens hospitalares e na melhora da sinistralidade da SulAmérica;
- No Fleury, o crescimento orgânico deverá ser reforçado pela consolidação do laboratório Femme;
- Já a Dasa deve voltar a gerar caixa após o consumo registrado no início do ano.
“Após um segundo trimestre forte para os prestadores de serviços de saúde, esperamos a manutenção de um ritmo sólido no terceiro trimestre, apesar das comparações anuais mais difíceis. Entre nossas principais escolhas para o segundo semestre, destacamos Rede D’Or, Fleury e Dasa”, afirma Gustavo Tiseo, analista da XP.
O que sustenta as escolhas da XP?
A Rede D’Or continua sendo apoiada pelo desempenho dos hospitais e da SulAmérica. Para o terceiro trimestre, a XP estima margem EBITDA hospitalar de 25,9%, praticamente estável diante dos 26,2% ajustados registrados um ano antes.
Na SulAmérica, a casa projeta índice de sinistralidade de 77,6%. Quanto menor esse percentual, menor é a parcela da receita consumida pelos custos assistenciais dos planos de saúde. O desempenho recente levou a XP a reduzir sua estimativa de longo prazo para o indicador de 79% para 77,2%.
A expansão de leitos, entretanto, deverá ocorrer em um ritmo mais lento. A estimativa de aumento da capacidade operacional foi reduzida para 381 leitos em 2026 e 501 em 2027. Segundo a XP, o descredenciamento de operadoras com maior risco financeiro protege a companhia, mas adia a ocupação da capacidade instalada.
Mesmo com a revisão, a casa mantém recomendação de compra para RDOR3 e preço-alvo de R$ 45.
No Fleury, o destaque deverá ser o crescimento da receita. A XP projeta avanço de aproximadamente 15% no terceiro trimestre, composto por alta orgânica de 11% e uma contribuição próxima de quatro pontos percentuais da Femme.
A empresa adquirida deverá adicionar cerca de R$ 100 milhões à receita trimestral. Em contrapartida, a margem EBITDA do Fleury pode recuar 0,7 ponto percentual, para 26,5%, porque a Femme ainda opera com uma rentabilidade menor do que a média do grupo.
“O Fleury permanece bem posicionado para sustentar um crescimento consistente, apoiado pela expansão dos beneficiários no mercado privado. Esse cenário permitiu que a companhia crescesse acima do ritmo estrutural da indústria de diagnósticos, estimado entre 7% e 8% ao ano”, avalia Tiseo.
A XP elevou em aproximadamente 12% suas projeções de lucro para 2026 e 2027. Agora, espera resultados de R$ 810 milhões e R$ 884 milhões, respectivamente. O preço-alvo de FLRY3 foi aumentado de R$ 18 para R$ 20.
Na Dasa, a aposta está na melhora das margens e da geração de caixa. Parte dos exames adiados em junho durante a Copa do Mundo deverá ser realizada no terceiro trimestre, período sazonalmente mais forte para a companhia. A empresa também deve continuar se beneficiando do desempenho da divisão voltada a outras empresas.
A substituição de equipamentos foi praticamente concluída, enquanto a digitalização e o controle das despesas devem reduzir os custos administrativos. A XP projeta crescimento de 9,5% para a receita em 2026 e margem EBITDA de 22,5%.
“A geração de caixa deve se tornar mais relevante no segundo semestre, após o consumo observado no início do ano, com a maior parte da contribuição concentrada no terceiro trimestre”, aponta o relatório.
Com a melhora operacional, a estimativa de prejuízo da Dasa em 2026 foi reduzida de R$ 117 milhões para R$ 34 milhões. A recomendação permanece de compra, com preço-alvo de R$ 4 para DASA3.
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Além das três preferidas, a XP mantém recomendação de compra para Hypera (HYPE3), Blau Farmacêutica (BLAU3) e Mater Dei (MATD3).
Na Hypera, o principal catalisador é o Semavy, medicamento da classe dos GLP-1 lançado em setembro. A projeção inicial considerava vendas mensais próximas de 50 mil unidades, com uma possível contribuição de 2% a 4% para a receita. Notícias sobre pedidos iniciais de aproximadamente 400 mil unidades indicam que a demanda pode superar essa expectativa.
O impacto sobre o EBITDA, contudo, deverá ser limitado em 2026. A margem será pressionada pelos gastos com divulgação, estrutura comercial e transporte aéreo dos primeiros lotes. A XP mantém preço-alvo de R$ 28 para HYPE3.
Para a Blau, a casa espera que o lançamento de produtos e as vendas ao setor público levem a receita a crescer 14% em 2026. O preço-alvo é de R$ 13. No Mater Dei, o aumento da ocupação e do tíquete médio deverá elevar a margem EBITDA para aproximadamente 23%, sustentando o preço-alvo de R$ 6,50.
A Qualicorp (QUAL3) é a única empresa do relatório com recomendação neutra. A XP ainda prevê a perda líquida de cerca de 5 mil beneficiários no terceiro trimestre e considera o retorno ao crescimento orgânico o principal desafio da companhia. O preço-alvo para QUAL3 é de R$ 1,70.






