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Priner pode subir 44% ao ampliar fatia em mercado de R$ 44 bi, diz Safra

Priner pode subir 44% ao ampliar fatia em mercado de R$ 44 bi, diz Safra

Banco inicia cobertura de PRNR3 com preço-alvo de R$ 26 e aposta em contratos longos, venda de novos serviços e expansão na mineração

O Safra iniciou a cobertura das ações da Priner (PRNR3) com recomendação outperform, equivalente a uma expectativa de desempenho acima da média. O preço-alvo de R$ 26, com um potencial de valorização de 44% diante dos R$ 18 considerados no relatório.

A tese se apoia na transformação da Priner em uma plataforma completa de serviços industriais. A companhia reúne cinco divisões que atendem diferentes etapas da manutenção de fábricas, refinarias, plataformas de petróleo e operações de mineração.

Essa variedade permite que a empresa conquiste um cliente com um serviço e, posteriormente, amplie o contrato para outras atividades. A Priner possui apenas 4,3% de participação em um mercado estimado em R$ 44 bilhões, ainda dominado por empresas regionais, familiares e especializadas em nichos.

“Esse conceito de one-stop shop é a base da tese de investimento. Ele cria um custo de troca para os clientes, uma vantagem de escala diante dos concorrentes especializados e uma plataforma de consolidação em um mercado ainda fragmentado”, afirmam Luiza Mussi e Lucas Melotti, analistas do Safra.

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Mineração e contratos longos mudam a Priner

As aquisições da Real Estruturas, em 2024, e da SEMEP, em 2025, ampliaram a presença da Priner em montagem industrial e operações de mineração. Com as duas transações, o mercado potencial da companhia cresceu quase 18 vezes diante dos R$ 2,5 bilhões estimados em 2016.

A composição das receitas também se tornou mais previsível. A partir de 2026, aproximadamente 65% do faturamento deverá estar ligado a contratos de longo prazo. Cerca de 85% das receitas dependem de despesas operacionais dos clientes, destinadas principalmente a manutenção, inspeção, segurança e cumprimento de normas.

São serviços que dificilmente podem ser adiados sem ameaçar a produção ou as licenças das instalações. Essa característica reduz a dependência dos investimentos em expansão realizados pelos clientes.

“Uma refinaria não pode adiar sua inspeção programada sem correr o risco de perder a licença de operação. Uma mina também não pode postergar o monitoramento de barragens sem comprometer sua atividade”, exemplificam os analistas.

A SEMEP também aproxima a Priner da rotina das mineradoras, com serviços de movimentação de terra, logística interna e gestão de máquinas pesadas. O Safra projeta crescimento médio anual de 27% para a receita dessa divisão nos próximos três anos.

Com a incorporação do negócio, a participação de metais e mineração no faturamento deverá avançar de 35% em 2025 para 52% em 2027. Para 2026, o banco estima receita líquida de R$ 2,08 bilhões, alta de 33%, e EBITDA de R$ 399 milhões.

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Quais são os riscos para PRNR3?

As ações negociam a 3,5 vezes o EBITDA projetado para 2027, desconto de 13% diante da média histórica da Priner e de 10% em relação aos pares brasileiros utilizados pelo Safra. O banco considera que essa diferença pode diminuir à medida que a companhia entregue crescimento e torne seu modelo mais conhecido pelos investidores.

O preço-alvo de R$ 26 não considera novas aquisições. Em um cenário no qual a Priner mantenha compras equivalentes a 10% da receita anual, o Safra calcula que essa estratégia poderia acrescentar cerca de R$ 4,90 por ação.

O relatório, entretanto, aponta riscos na integração dos negócios adquiridos. Os três maiores clientes ainda respondem por aproximadamente 30% da receita, enquanto os 23 contratos da SEMEP estão distribuídos entre apenas nove contratantes.

A mineração também aumenta a exposição às chuvas e exige investimentos maiores em equipamentos. Os caminhões utilizados pela SEMEP possuem vida útil próxima de 20 anos, período muito superior à duração média de cinco anos dos contratos.

“A entrada da Priner na mineração representa uma mudança estrutural em relação ao modelo historicamente leve em ativos. A utilização e a realocação da frota ao longo do ciclo tornam-se riscos relevantes para a operação”, destacam Mussi e Melotti.

A baixa liquidez de PRNR3 completa a lista de pontos de atenção. O volume financeiro diário médio está próximo de R$ 8 milhões, o que pode ampliar a volatilidade e dificultar a entrada ou a saída de investidores maiores.

Mesmo com os riscos, o Safra espera que a alavancagem recue de 2,6 vezes no segundo trimestre de 2026 para 1,5 vez ao final de 2027. Com despesas financeiras menores, o lucro líquido poderá avançar de R$ 8 milhões em 2025 para R$ 144 milhões em 2027, sustentando a recomendação positiva.