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Smart Fit pode subir até 67%, com TotalPass funcionando como motor e freio ao mesmo tempo

Smart Fit pode subir até 67%, com TotalPass funcionando como motor e freio ao mesmo tempo

BTG calcula preço-alvo de R$ 30 e Safra, de R$ 25,50; plataforma ganha escala, mas canibaliza planos diretos e reduz a rentabilidade média por aluno

O TotalPass está se tornando, ao mesmo tempo, uma fonte crescente de receita e um ponto de pressão para as academias da Smart Fit (SMFT3). Esse efeito duplo não impediu BTG Pactual e Safra de reiterarem a recomendação de compra para a ação.

O BTG estabeleceu preço-alvo de R$ 30 para os próximos 12 meses. Em relação aos R$ 17,97 considerados no relatório, o valor representa potencial de valorização de 66,9%.

O Safra trabalha com preço-alvo de R$ 25,50. Diante da cotação de R$ 16,82 utilizada pela instituição, o avanço potencial chega a 52%. Para o banco, a Smart Fit continua sendo a principal escolha entre as empresas de consumo discricionário acompanhadas por sua equipe.

“Smart Fit segue sendo nossa favorita no setor, apoiada por uma história de crescimento atrativa, impulsionada pela rápida expansão das lojas, uma proposta de valor resiliente e um modelo de efeito de rede que sustenta a baixa taxa de cancelamento”, afirmam Vitor Pini, Renan Sartorio e Tales Granello, analistas do Safra.

Apesar da visão positiva, os dois bancos acompanham como a expansão do TotalPass afeta o dinheiro gerado por cada cliente dentro das academias da rede.

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Por que o TotalPass também pressiona a Smart Fit?

O TotalPass permite que funcionários de empresas conveniadas frequentem diferentes academias por meio de uma única assinatura. Para a Smart Fit, o crescimento da plataforma amplia o alcance do grupo, mas também pode levar clientes que pagavam diretamente à academia a migrarem para o benefício corporativo.

Segundo o Safra, esses usuários geram uma rentabilidade média menor para as academias do que os clientes conquistados pelo canal direto. A maior penetração dos agregadores, portanto, canibaliza parte das assinaturas tradicionais e pressiona os resultados no curto prazo.

A diferença é que o TotalPass pertence à própria Smart Fit. Enquanto outras redes precisam dividir receita com plataformas terceirizadas, a companhia consegue manter uma parcela maior do valor dentro de seu ecossistema.

Essa estrutura ajudou o Safra a elevar em 0,7% sua estimativa de receita da Smart Fit para 2026 e em 2% a projeção de EBITDA ajustado. A margem EBITDA esperada para o ano aumentou 0,4 ponto percentual, após a rentabilidade do TotalPass superar as expectativas no segundo trimestre.

O BTG identificou uma dinâmica semelhante em seu levantamento, que acompanha mais de 38 mil academias disponíveis no TotalPass. O tíquete médio ponderado da plataforma no Brasil chegou a R$ 186 em setembro, avanço de 1,6% diante dos R$ 183 registrados em agosto. Em abril, o valor estava em R$ 174.

Dentro das unidades da bandeira Smart Fit, porém, o tíquete recuou 0,7% no mês, de R$ 103,40 para R$ 102,70. O valor ainda permanece acima dos R$ 102,30 observados em abril. Desde então, 4,5% das academias comparáveis migraram das faixas TP1 ou TP1+ para o plano TP2, mais caro.

Quando o levantamento incorpora Bio Ritmo e BeOn Studios, também controladas pelo grupo, o resultado volta a ser positivo: o tíquete médio das academias próprias subiu 0,3% em setembro, para R$ 146,40.

“A leitura mensal merece acompanhamento, mas o quadro mais amplo continua construtivo, especialmente porque o tíquete das academias próprias aumentou quando Bio Ritmo e BeOn Studios são incluídas”, afirmam Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, analistas do BTG.

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Crescimento e ação descontada sustentam as recomendações

Para o Safra, a expansão da rede deverá permitir que a receita da Smart Fit cresça, em média, 20% ao ano entre 2025 e 2028. A companhia também possui uma taxa mensal de cancelamento próxima de 6%, favorecida pela presença em diferentes regiões e pela possibilidade de os clientes utilizarem várias unidades.

As operações fora do Brasil, responsáveis por aproximadamente 35% da receita, aparecem como outro pilar. Essa divisão cresceu 23% no primeiro semestre de 2026 e apresentou margem bruta próxima de 55%, acima da média do grupo.

O BTG também destaca o avanço do TotalPass como negócio independente. A plataforma encerrou o segundo trimestre com 2,2 milhões de clientes no Brasil e no México, crescimento de 70% em um ano e de 7% em relação ao trimestre anterior.

As receitas classificadas como “Outros”, que incluem o TotalPass, aumentaram 47% em um ano, para R$ 230 milhões, e já representam 11% do faturamento consolidado. Diante dessa expansão, o BTG projeta crescimento médio anual de 30% para o lucro por ação entre 2026 e 2029.

A avaliação também sustenta a recomendação do Safra. A Smart Fit negocia a 9,8 vezes o lucro estimado para 2027, desconto de aproximadamente 30% diante de sua média histórica, próxima de 15 vezes.

Ainda assim, o banco mantém projeções de lucro líquido 16,4% abaixo do consenso para 2027 e 19,4% inferiores para 2028. A diferença mostra que a recomendação de compra não elimina as dúvidas sobre o ritmo de ganho de rentabilidade.