A XP Investimentos elevou em 9% a projeção de lucro da Bradsaúde (SAUD3), para R$ 4,6 bilhões. A recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo de R$ 18. A ação caiu cerca de 15% desde o resultado.
“Acreditamos que a Bradsaúde está entrando em um ambiente mais favorável para a sinistralidade, apoiado por comparações mais fáceis no segundo semestre de 2026”, escreveu Gustavo Tiseo, analista da XP Investimentos.
A sinistralidade, fatia da receita consumida por despesas médicas, ficou em 81,4% no primeiro semestre. O segundo semestre de 2025 serve de base de comparação e ficou 370 pontos-base acima do primeiro.
A revisão do modelo veio depois de a companhia passar a divulgar dados por unidade de negócio. Para a XP, a mudança ampliou a visibilidade sobre o desempenho.
Sinistralidade e juros no centro das dúvidas
A casa projeta melhora de 80 pontos-base na sinistralidade no segundo semestre, com a sazonalidade voltando ao padrão histórico. Para 2026, a projeção é de 83%, queda de 40 pontos-base.
“Esperamos uma normalização da sazonalidade daqui para frente, o que pode resultar em uma melhora de 80 pontos-base na sinistralidade durante o segundo semestre”, apontou Tiseo.
Mais da metade do lucro vem hoje de receitas financeiras, o que preocupa parte do mercado diante da queda dos juros. A XP enxerga a carteira mais protegida do que se imagina.
“Estimamos que cerca de 70% dos ativos estejam alocados em títulos não atrelados ao CDI, o que deve ajudar a mitigar o impacto de taxas de juros mais baixas”, escreveu o analista.
A tese também se apoia na aceleração da base de beneficiários e no caixa de R$ 8 bilhões, fora o capital regulatório. O papel negocia a 8 vezes o lucro projetado para 2027.
Atlântica ganha peso e pode mudar o múltiplo
A Atlântica teve lucro líquido de R$ 64 milhões no segundo trimestre e respondeu por 6% do lucro total, contra 1% no trimestre anterior. O avanço veio do amadurecimento dos ativos comprados.
“À medida que o segmento hospitalar passa a representar uma parcela maior dos lucros, enxergamos potencial para uma reprecificação da ação”, afirmou Tiseo.
Ativos hospitalares costumam negociar acima de 20 vezes o lucro. Operadoras de saúde ficam entre 8 e 10 vezes, segundo a XP.






