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Ações de construtoras caem 40%: vale a pena comprar?

Ações de construtoras caem 40%: vale a pena comprar?

Ações de baixa renda negociam a média de 4 vezes o preço sobre o lucro, menor múltiplo dos últimos 12 meses, com Cury como principal preferência

As ações de construtoras seguem próximas das mínimas em 52 semanas, acumulando queda de cerca de 40% em relação às máximas recentes.

Para o Bradesco BBI, no entanto, o movimento é exagerado — especialmente no segmento de baixa renda, onde os fundamentos seguem relativamente saudáveis e o valuation chegou a patamares historicamente atrativos.

A combinação de valuation descontado, tickets mais altos e fundamentos ainda saudáveis torna a correção recente excessiva“, afirmam Bruno Mendonça e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.

Baixa renda sob pressão, mas com fundamentos sólidos

A performance negativa recente reflete uma combinação de fatores. Do lado operacional, os investidores esperavam números mais fortes de vendas no segundo trimestre de 2026.

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Contudo, os analistas avaliam que a reação foi desproporcional, já que o aumento médio de 6% nos tickets de venda na comparação anual — e de 3% frente ao trimestre anterior — deve mais que compensar a leve frustração em volumes.

O posicionamento elevado antes da divulgação dos dados operacionais amplificou a pressão vendedora, enquanto ruídos eleitorais e o cenário geopolítico contribuíram para o tom negativo, embora de forma secundária.

No primeiro semestre de 2026, a Tenda (TEND3) foi o principal destaque em lançamentos, com crescimento de 59% na comparação anual, seguida pela Direcional (DIRR3), com avanço de 11%.

Em vendas, a Tenda novamente liderou, com alta de 28%, seguida pela Direcional, com crescimento de 14%. Os cancelamentos aumentaram na maior parte das companhias, com destaque para Direcional, alta de 73%, e Tenda, alta de 26%. Apesar disso, os analistas mantêm visão construtiva para o segmento.

“As ações do segmento de baixa renda passaram a negociar nos menores múltiplos preço sobre lucro dos últimos 12 meses, em torno de 4 vezes em média, patamar que consideramos bastante atrativo”, destacam Mendonça e França.

A Cury (CURY3) segue como principal preferência, negociando a 6,1 vezes o P/L esperado para 2027, seguida por Tenda, a 4,4 vezes, e Direcional, a 5,2 vezes.

Média e alta renda exigem maior seletividade

No segmento de média e alta renda, o cenário é mais desafiador, com desaceleração mais ampla de lançamentos, queda na velocidade de vendas e aumento de cancelamentos. Entre os destaques positivos do primeiro semestre, Mitre (MTRE3) registrou crescimento de 175% em lançamentos, seguida por Trisul (TRIS3), com alta de 105%, e Eztec (EZTC3), com avanço de 53%.

No entanto, Helbor e Even tiveram retrações expressivas de 57% e 59%, respectivamente. Em vendas, Moura Dubeux (MDNE3) foi o principal destaque, com alta de 70% na comparação anual.

“Seguimos construtivos em Cyrela (CYRE3) e Moura Dubeux, que negociam a múltiplos atrativos de 3,9 e 4,0 vezes o P/L para 2027, respectivamente”, concluem Mendonça e França.

No caso da Cyrela, as fortes vendas de estoque — alta de 84% na comparação anual — ajudaram a sustentar o desempenho no semestre, mesmo diante de um ambiente mais seletivo para o segmento.