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Ações da Vamos avançam com lucro líquido ajustado de R$ 101 milhões no 2T26

Ações da Vamos avançam com lucro líquido ajustado de R$ 101 milhões no 2T26

BB Investimentos reiterou recomendação neutra até incorporar os números do trimestre

As ações da Vamos (VAMO3) sobem 2,1% nesta quinta-feira, ante avanço de 0,1% do Ibovespa, depois do balanço do 2º trimestre de 2026. O BB Investimentos leu o resultado como majoritariamente positivo e manteve recomendação neutra para o papel.

O lucro líquido ajustado somou R$ 101 milhões, alta de 22% na comparação anual. A tração veio da Locação, cujo capex contratado cresceu 60% em um ano, puxado pelas linhas de expansão, pela renovação de contratos com ativos novos e pela operação Sempre Novo.

Por trás desse capex está a demanda de varejo e e-commerce, que sustentou o avanço de 8,6% da receita líquida do segmento. As margens de Locação ficaram relativamente estáveis no período.

Seminovos vende mais, mas a preço menor

O outro lado do trimestre veio de Seminovos. O volume de ativos vendidos subiu 30% em 12 meses e empurrou a receita líquida para cima, contudo o preço médio de venda menor comprimiu a rentabilidade da operação e contaminou as demais linhas do resultado.

O efeito apareceu na consolidação: as margens da companhia recuaram na margem. Foi o preço pago por uma decisão deliberada de girar estoque, que também ajudou a companhia a chegar a 89% de taxa de ocupação da frota, a 1 ponto percentual do guidance de 90% para o ano.

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Para o analista Luan Calimério, do BB Investimentos, o trimestre confirma a rota traçada pela empresa.

“O 2º trimestre mostra consistência da companhia na execução de sua estratégia, sendo notável a melhora gradual dos indicadores operacionais e financeiros, em especial o aumento da taxa de ocupação e a redução da alavancagem”, escreveu Luan Calimério, analista do BB Investimentos.

Alavancagem cede com aporte de R$ 600 milhões

A desalavancagem foi o segundo eixo da execução. A geração de caixa maior, a necessidade menor de capex e a injeção de R$ 600 milhões vinda do aumento de capital recente reduziram a dívida líquida em 6% em um ano e derrubaram a alavancagem em 0,4 vez.

A companhia também amortizou dívidas caras, entre elas a cessão de recebíveis, o que barateou o custo consolidado do endividamento. O ROIC Spread subiu para 3,5 pontos percentuais, ganho de 0,4 ponto percentual em um ano, com ROIC de 13,9%, estável ante o mesmo período de 2025.

Outro ponto sensível para a tese nos últimos anos deu sinais de acomodação. Retomadas de ativos e devoluções antecipadas ficaram abaixo de 5% do imobilizado bruto pelo terceiro trimestre seguido, patamar que o banco associa a um ambiente mais previsível para os próximos trimestres.

A ressalva do BB Investimentos está no curto prazo e vem justamente do motor que ajudou a limpar o estoque.

“Esperamos que o impulsionamento do volume de vendas de seminovos ainda possa trazer alguma pressão de margens indesejada no curto prazo”, apontou Luan Calimério.

Por isso, o banco reiterou recomendação neutra para VAMO3, com preço-alvo de R$ 4,50 para o fim de 2026, até incorporar os números do trimestre às projeções.

O desempenho recente do papel ajuda a explicar a cautela. A ação acumula queda de 11% em 2026 e de 28% em 12 meses, enquanto o Ibovespa avançou 4% e 22% nos mesmos intervalos.

Por ser uma companhia intensiva em capital, a Vamos responde com força à expectativa de juros. A exposição direta ao setor de transportes acrescenta riscos climáticos, comerciais e de oscilação de commodities, petróleo incluído, que mexem com a demanda por seus produtos e ajudam a explicar o desempenho negativo desde meados de 2023.