A Oncoclínicas (ONCO3) registrou uma valorização histórica nesta segunda-feira (23) após anunciar adesão ao termo de compromisso firmado com a Porto Seguro (PSSA3), agora com a participação do Grupo Fleury (FLRY3). O mercado reagiu positivamente à reestruturação, impulsionando também as ações das demais companhias envolvidas.
No pregão, os papéis da Oncoclínicas dispararam 57,05%, encerrando a R$ 2,45. Já as ações da Porto Seguro avançaram 3,62%, enquanto Fleury teve valorização de 4,36%. O movimento sinaliza confiança dos investidores na reorganização e no fortalecimento da operação oncológica.
A proposta envolve a criação de uma nova empresa, chamada provisoriamente de NewCo, que concentrará as clínicas da Oncoclínicas e assumirá até R$ 2,5 bilhões de suas dívidas. Fleury e Porto Seguro farão um aporte conjunto de R$ 500 milhões via uma holding que controlará a nova estrutura.
Também está prevista a emissão de até R$ 2,5 bilhões em debêntures conversíveis em ações ordinárias, das quais a própria Oncoclínicas poderá subscrever até 30%. A medida busca reforçar a liquidez e estruturar melhor a governança da rede de tratamento oncológico.
Estrutura da operação da Oncoclínicas
Com a reestruturação, a Oncoclínicas listada ficará apenas com os hospitais de Belo Horizonte e Rio de Janeiro, que já estão em processo de venda. O foco passa a ser a operação das clínicas, considerada o principal negócio da companhia.
Segundo o Valor Econômico, o Fleury será responsável por indicar o CEO e o diretor financeiro da nova empresa até 13 de abril, além de conduzir as operações médicas. A Porto Seguro atuará como sócia com participação equivalente, garantindo posição de acionista de referência e reduzindo potenciais conflitos com outras operadoras de planos de saúde.
O acordo prevê exclusividade de 30 dias, a partir de 13 de março, mas outras propostas ainda podem surgir. A holding formada pelas duas empresas ficará com o controle integral das clínicas e absorverá parte da dívida da Oncoclínicas, cujo passivo total gira em torno de R$ 3,5 bilhões.
Na avaliação do Bradesco BBI, a operação é positiva para a Oncoclínicas, ao reforçar a gestão e a capacidade médica da rede. Para a Porto Seguro, analistas do JPMorgan destacam que a entrada do Fleury reduz os riscos de execução e a necessidade de capital, além de fortalecer a presença da seguradora no setor de saúde.






