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Ações da Caixa Seguridade caem 2% após lucro de R$ 1,141 bilhão

Ações da Caixa Seguridade caem 2% após lucro de R$ 1,141 bilhão

Índice de sinistralidade consolidado subiu 1,7 ponto percentual no trimestre, para 24,2%, pressionado por revisão de provisões no seguro prestamista.

As ações da Caixa Seguridade (CXSE3) caem cerca de 2% em reação ao balanço do 2º trimestre de 2026, quando a companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,141 bilhão.

O resultado representa alta de 9,5% em um ano e ficou praticamente estável na comparação com os três meses anteriores.

O número ficou perto do consenso das casas, mas a leitura sobre a qualidade do resultado divergiu. Bradesco BBI e Safra viram o lucro abaixo das próprias projeções, em 1,8% e 2,7%, respectivamente. Para a XP, veio em linha.

O índice de sinistralidade consolidado foi o principal ponto de atrito. Ficou em 24,2%, com melhora de 0,9 ponto percentual em um ano, mas alta de 1,7 ponto no trimestre.

O trimestre apresentou resultados mistos e não forneceu evidências de uma aceleração mais ampla nas principais linhas de negócios“, escreveram Marcelo Mizrahi e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.

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Parte da piora tem origem identificada. A XP atribui o movimento a uma revisão metodológica das provisões de sinistros ocorridos e não avisados (IBNR) no prestamista e a um efeito não recorrente de cerca de R$ 27 milhões ligado à internalização do processamento de sinistros no habitacional.

Habitacional cresce enquanto vida e prestamista recuam

Os prêmios emitidos totais somaram R$ 2,5 bilhões, avanço de 4,6% em um ano, com desempenho desigual entre as linhas. O seguro habitacional subiu 14%, para R$ 1,12 bilhão, enquanto o prestamista caiu 10% e o de vida recuou 5,7%.

“Os prêmios emitidos seguiram em duas velocidades, com o habitacional crescendo de forma bastante forte, ante um desempenho fraco em vida e prestamista”, apontaram Daniel Vaz e Rafael Nobre, do Safra.

O crédito mais caro explica boa parte da retração. A Selic elevada e a pressão sobre o consignado do INSS limitaram a produção nas linhas atreladas a empréstimos, justamente as de maior margem histórica da companhia.

“Vemos mais um trimestre consistente, reforçando a combinação de crescimento operacional resiliente, alta rentabilidade e forte geração de caixa”, escreveram Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, analistas da XP.

Acumulação sustenta o resultado, mas margem encolhe

As reservas de previdência chegaram a R$ 214,4 bilhões, com captação líquida positiva de R$ 1,4 bilhão e taxa de resgate de 2,3%, a menor da série divulgada pela companhia. A capitalização arrecadou R$ 545,6 milhões, novo recorde.

O consórcio cresceu em volume e encolheu em rentabilidade. A carteira de cartas de crédito chegou a R$ 53,6 bilhões, alta de cerca de 34% em um ano, mas o lucro do segmento caiu 4%, com a taxa média de administração recuando de 2,9% para 2,0%.

“Há sinais de moderação dos resultados após o ambiente de juros elevados e a normalização da sinistralidade”, ponderou a equipe da XP, que também registrou a contribuição relevante das receitas financeiras.

O resultado financeiro voltou a responder por 35% do lucro, contra 32% no trimestre anterior, o que aumenta a dependência da companhia em relação ao patamar de juros. O conselho aprovou R$ 1,05 bilhão em dividendos, payout de 92%, com data ex e pagamento em novembro.

“Vemos espaço limitado para revisões para cima nas projeções e mantemos recomendação neutra, com o preço atual das ações justo diante das perspectivas de crescimento”, concluíram os analistas do Bradesco BBI.