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BTG Pactual: veja a linha do balanço que derruba as ações

BTG Pactual: veja a linha do balanço que derruba as ações

Uma linha compensou a outra: o crédito ao consumo cresceu 74% em um ano e entregou R$ 1,546 bilhão, contra queda de 46% no banco de investimento.

As ações do BTG Pactual (BPAC11) recuam quase 4% nesta sessão, em reação ao balanço do 2º trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado veio acima do esperado por Safra e XP Investimentos, em R$ 5,142 bilhões.

O incômodo está numa linha específica. Investment Banking somou R$ 421,4 milhões, retração de 33% ante os três meses anteriores e de 46% em um ano, e ficou 7% abaixo do projetado pelo Safra.

Investment Banking foi o claro ponto fraco, principalmente em razão da menor atividade de DCM, em meio à redução nos volumes de emissão de dívida“, escreveram Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, analistas da XP Investimentos.

Wealth Management reforçou o desconforto. A receita caiu 5% no trimestre, para R$ 1,447 bilhão, com menos atividade de clientes e retorno sobre ativos comprimido.

“Os resultados de Investment Banking ficaram amplamente consistentes com os dados da Anbima, que já sinalizavam um trimestre mais fraco de geração de comissões”, apontaram Daniel Vaz e Rafael Nobre, analistas do Safra.

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De onde veio o lucro que superou as projeções

Consumer Finance & Banking respondeu pela surpresa. A receita chegou a R$ 1,546 bilhão, avanço de 37% no trimestre e de 74% em um ano, com o reconhecimento proporcional de 48% do MeuTudo.

“A superação veio principalmente da franquia de crédito ao consumo, apoiada pela expansão do consignado privado, pelo financiamento de veículos e pelas atividades de banco de varejo”, registraram os analistas do Safra.

Corporate Lending marcou receita recorde de R$ 2,5 bilhões, alta de 7% no trimestre. A carteira corporativa chegou a R$ 289 bilhões, com recuo deliberado na exposição a pequenas e médias empresas.

“As receitas do segmento foram apoiadas pela contínua expansão do balanço, com spreads saudáveis e uma estrutura sólida de funding”, escreveu a equipe da XP Investimentos.

Duas leituras para o mesmo balanço

Sales & Trading ficou estável, em R$ 1,858 bilhão, e Asset Management somou R$ 794 milhões, com R$ 1,36 trilhão sob gestão e administração. A alíquota efetiva de imposto caiu para 19,5% e ajudou o resultado final.

“O ROAE ainda avançou sequencialmente, apesar de o crescimento estar sendo cada vez mais impulsionado por negócios mais intensivos em capital”, ponderaram os analistas da XP, que reiteraram recomendação de compra.

A leitura do Safra é mais reservada. A formação de crédito em estágio 3 saltou para 3,0%, contra 0,6% no trimestre anterior, ainda que a cobertura tenha subido para 104,5%, e as despesas administrativas seguem pressionadas pela expansão internacional.

“A surpresa positiva veio do crédito ao consumo, segmento que investidores podem olhar com mais cautela diante da deterioração gradual da qualidade de ativos da indústria”, ponderaram Vaz e Nobre, que classificaram o resultado como neutro para as ações.