As ações da C&A (CEAB3) lideravam as perdas do Ibovespa nesta quarta-feira (5), após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Às 12h55, os papéis recuavam 6,07%, a R$ 9,13, enquanto o índice avançava 0,36%.
Na mínima do dia, a cotação chegou a R$ 8,98, menor patamar em 52 semanas. Às 14h27, a queda havia diminuído para 4,12%, com as ações negociadas a R$ 9,32, de acordo com o Google Finance.
A reação negativa não está associada a uma grande decepção na demonstração de resultados. XP e Bradesco BBI classificaram os números como próximos das expectativas, mas demonstraram preocupação com a geração de caixa, o aumento dos estoques e a fraqueza das vendas em junho.
No balanço do 2T26, o lucro líquido ajustado da C&A cresceu 4,3%, para R$ 130,1 milhões, e bateu recorde para um segundo trimestre. A receita líquida avançou 1,2%, para R$ 2,08 bilhões.
O Ebitda ajustado pós-IFRS 16 somou R$ 435,9 milhões, queda anual de 0,6%. O resultado ficou cerca de 1% abaixo dos R$ 441,4 milhões esperados pelo consenso reunido pela LSEG.
Já o lucro reportado caiu 11,2%, para R$ 177,9 milhões. A comparação, porém, foi distorcida por efeitos não recorrentes nos dois períodos e não aparece como a principal justificativa para a queda das ações.
Capital de giro e estoques preocupam o mercado
O principal ponto negativo do trimestre foi a conversão dos resultados em caixa. A geração operacional de caixa recuou 44,5%, para R$ 148,8 milhões, enquanto o fluxo de caixa livre ajustado caiu 65,6%, para R$ 63,6 milhões.
O Bradesco BBI utiliza uma metodologia diferente e calcula que a companhia consumiu R$ 159 milhões em caixa livre no trimestre. Esse indicador não é diretamente comparável ao divulgado pela C&A, mas reforça a leitura de que a geração de caixa ficou abaixo do esperado.
O capital de giro consumiu R$ 208,1 milhões, diante de R$ 60,6 milhões no resultado ajustado do 2T25. Como consequência, o ciclo de conversão de caixa aumentou 19 dias na comparação anual.
A maior pressão veio dos estoques, cujo prazo médio cresceu 18 dias. Para a XP, “a atenção dos investidores pode se voltar para a dinâmica negativa de capital de giro”.
O temor é que uma recuperação mais lenta das vendas obrigue a varejista a ampliar descontos para reduzir os estoques, pressionando as margens nos próximos trimestres. Esse risco ganhou relevância apesar de a margem bruta ter apresentado um desempenho positivo no 2T26.
Fraqueza das vendas em junho eleva risco para o 3T26
A C&A relacionou o aumento dos estoques a quatro fatores: encerramento da operação de telefonia, base excepcionalmente baixa no ano anterior, aceleração da abertura de lojas e fluxo de clientes abaixo do esperado em junho devido à Copa do Mundo.
As vendas nas mesmas lojas de vestuário cresceram 4,1%. Embora o resultado tenha vindo sobre uma base elevada de 17% no 2T25, a desaceleração e a perda de força no fim do trimestre provocaram cautela.
O tíquete médio consolidado caiu 2,6%, primeira retração desde o segundo trimestre de 2021, segundo a XP. Para o Bradesco BBI, os dados de junho poderão levar a revisões das projeções para os próximos meses.
“A piora nos estoques e a fraqueza nas vendas de junho trazem um risco de revisões baixistas”, afirma o banco.
Durante a apresentação do balanço, o presidente da C&A, Paulo Correa Junior, afirmou que o fluxo de clientes já retornou ao patamar anterior à Copa do Mundo. O executivo também procurou afastar o risco de uma liquidação mais agressiva dos produtos.
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