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Lucro do PicPay sobe 135% e BB aponta crédito sem estabilização

Lucro do PicPay sobe 135% e BB aponta crédito sem estabilização

Analista aponta que a qualidade do crédito ainda não achou ponto de estabilização, com o atraso acima de 90 dias em 9,8% no trimestre

O PicPay fechou o 2º tri com lucro líquido ajustado de R$ 283 milhões, alta de 67% sobre o trimestre imediatamente anterior e de 135% na comparação com o mesmo período de 2025. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio ficou em 20,2%.

Por trás do número está uma soma de receita em expansão, maior monetização da base e ganho de eficiência operacional. O avanço da margem financeira ajudou a absorver a piora de parte dos indicadores de atraso.

Receita por cliente cresce mais rápido que o custo de servir

A receita total e financeira alcançou R$ 4,1 bilhões, com alta de 17% no trimestre e de 67% em doze meses. O ARPAC, medida de receita média por cliente ativo, subiu para R$ 92, avanço de 14% e 52% nas mesmas bases de comparação.

O custo de servir andou em ritmo menor e chegou a R$ 21,3 por cliente ativo. A razão entre as duas métricas foi a 4,3 vezes, o melhor patamar desde o início da cobertura feita pelo BB Investimentos.

“Em nossa visão, o PicPay continua atravessando um momento de forte tração operacional”, afirmou Rafael Reis, analista do BB Investimentos.

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Consignado privado sustenta carteira de R$ 31,9 bilhões

O estoque total de crédito somou R$ 31,9 bilhões, com alta de 14% no trimestre e de 99% em um ano. O consignado privado respondeu pela maior parte desse impulso e encerrou junho em R$ 7,2 bilhões.

A companhia vem migrando gradualmente para produtos garantidos ou parcialmente garantidos, que já correspondem a 55% dos saldos. A margem financeira líquida subiu para 19,4%, enquanto a versão ajustada ao custo de crédito ficou praticamente estável, em 12,1%.

A faixa de inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 7,5%, contra 8,4% três meses antes. A formação de Estágio 3 também cedeu, para 3,6%, o que abre alguma perspectiva de alívio adiante.

O movimento no outro extremo foi oposto. O NPL acima de 90 dias saltou para 9,8%, ante 8,9% no 1º trimestre de 2026, e a participação do Estágio 3 subiu para 12,9%.

Reis pondera que os números não indicam perda de controle do risco, até porque o custo de risco permaneceu em 3,9% e o Loss Absorption Ratio terminou o período em 56,5%, dentro da faixa de conforto definida pela própria empresa.

“Permanece evidente que a qualidade do crédito ainda não encontrou um ponto claro de estabilização”, observou o analista.

Parte da dinâmica do trimestre passou pelo programa Desenrola. A companhia reconheceu o efeito favorável sobre a formação de Estágio 3, as provisões e a qualidade geral da carteira. Sem ele, a piora dos indicadores teria sido mais visível.

Preço-alvo atualizado

Na leitura do BB Investimentos, os vetores positivos vêm se acumulando trimestre após trimestre: receita, carteira, monetização da base, eficiência e rentabilidade caminham na mesma direção.

“Sugerem uma companhia que vem executando até mesmo acima do que imaginávamos no início da cobertura”, escreveu Reis.

O fortalecimento da receita não ligada a crédito deve ganhar reforço com a aquisição da Kovr, concluída em agosto. Ainda assim, a qualidade da carteira segue como o principal ponto de atenção da tese, mitigado apenas em parte por mercado de trabalho aquecido e renda resiliente.

“Os próximos trimestres serão fundamentais para determinar se a inadimplência se aproxima de um teto ou se continuará avançando”, alertou o analista do BB Investimentos.

Com juros altos por mais tempo e endividamento elevado das famílias, o risco de deterioração adicional segue de pé. O banco manteve a recomendação de compra, qualificada como alto risco pela sensibilidade do valuation, e elevou o preço-alvo para US$ 20,50, agora com data-base em 2027.