Uma eventual vitória da Embraer (EMBJ3) na concorrência aberta pela Força Aérea Indiana pode adicionar aproximadamente R$ 5 bilhões em valor presente líquido à fabricante brasileira, segundo o Bradesco BBI. A disputa, estimada em US$ 10 bilhões, prevê a aquisição de 60 aeronaves de transporte médio.
O impacto calculado pelo banco equivale a cerca de 8% da cotação utilizada como referência no relatório. O contrato também poderia ampliar em aproximadamente 29% a carteira consolidada de pedidos da Embraer.
A oportunidade, contudo, ainda não foi incorporada às estimativas do BBI devido às incertezas do processo competitivo. Portanto, o possível ganho com a Índia representa uma opcionalidade adicional à tese de investimento.
“Caso a Embraer conquiste o pedido integral de 60 unidades, estimamos uma adição de aproximadamente R$ 5 bilhões em valor presente líquido, ou cerca de 8% sobre a cotação de referência. O contrato também poderia ampliar a carteira consolidada de pedidos da companhia em aproximadamente 29%”, calculou o Bradesco BBI.
O banco reiterou a recomendação de compra e atualizou o preço-alvo de R$ 110 ao final de 2026 para R$ 126 ao final de 2027. O novo valor representa potencial de valorização de aproximadamente 30%.
Por volta das 10h45 desta quarta-feira (26), as ações da Embraer avançavam 1,03%, cotadas a R$ 97,33. Os papéis chegaram a R$ 98 na máxima do pregão, após abrirem a R$ 96,35. Na comparação com a cotação observada durante a manhã, o preço-alvo de R$ 126 representa potencial de alta de aproximadamente 29,5%.
A revisão do preço-alvo não considera o contrato indiano. Ela decorre da incorporação dos resultados do segundo trimestre, do novo guidance para 2026 e de premissas mais favoráveis para entregas de aeronaves comerciais e crescimento da divisão de Defesa.
C-390 disputa contrato com Lockheed e Airbus
A concorrência deve se concentrar em três aeronaves. A Embraer participa com o C-390 Millennium, em parceria com o grupo indiano Mahindra. A Lockheed Martin oferece o C-130J Hercules em associação com a Tata, enquanto a Airbus concorre com o A400M e ainda não anunciou um parceiro local para o projeto.
O programa também prevê a implantação de uma linha de montagem final na Índia e a criação de instalações locais de manutenção, reparo e operações. A exigência de produção no país torna a capacidade de incorporar fornecedores e conhecimento locais um dos pontos relevantes da disputa.
Para o BBI, o C-390 está bem-posicionado por combinar capacidade de carga de 26 toneladas, próxima ao limite superior da faixa de 18 a 30 toneladas indicada pela concorrência, com maior velocidade, eficiência operacional e flexibilidade para incorporar conteúdo local.
“Vemos o C-390 como um concorrente competitivo, especialmente se eficiência operacional, capacidade de carga e conteúdo local tiverem peso relevante na decisão. Ainda assim, como nenhum dos modelos atende integralmente a todos os requisitos, a escolha dependerá das prioridades operacionais do governo indiano”, avaliou o banco.
A aeronave da Embraer também pode se beneficiar da necessidade indiana de transportar rapidamente tropas e equipamentos em condições ambientais adversas. A nova frota deverá preencher lacunas operacionais e substituir gradualmente 102 aeronaves Antonov AN-32, cuja manutenção se tornou mais incerta.
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Embraer ainda enfrenta riscos de execução
Apesar das vantagens do C-390, o Bradesco BBI não identifica um favorito claro. A Embraer ainda precisaria construir integralmente a estrutura local de montagem e manutenção, além de demonstrar o desempenho da aeronave nas pistas de elevada altitude do norte da Índia.
Nesse aspecto, o C-130J apresenta menor risco de execução. O modelo da Lockheed Martin já é operado pela Força Aérea Indiana, possui histórico comprovado na região e conta com a parceria da Tata para atender às exigências de produção local.
O A400M oferece maior capacidade de carga, mas suas 37 toneladas superam a faixa originalmente indicada pelo governo indiano. A Airbus também precisa anunciar um parceiro local para avançar na estruturação industrial da proposta.
O resultado deverá depender dos testes de campo e do peso atribuído pelo governo a critérios como capacidade de carga, velocidade, eficiência, desempenho em altitude e participação da indústria indiana.
“Tratamos essa oportunidade como uma opcionalidade positiva e ainda não a incorporamos às estimativas, diante das incertezas naturais do processo competitivo”, ressaltou o Bradesco BBI.






