Home
Notícias
Ações
Ação da Hapvida ainda é destaque entre as maiores taxas de aluguel da Bolsa

Ação da Hapvida ainda é destaque entre as maiores taxas de aluguel da Bolsa

Magnitude dos aumentos de preços pode ser insuficiente para compensar as pressões de custos e pressionar ainda mais o churn

As ações da Hapvida (HAPV3) continuam chamando a atenção entre as que possuem as maiores taxa de aluguel e free float alugado nos últimos dias. 

Recentemente a empresa anunciou uma ampla reorganização na sua estrutura de gestão, além de anunciar uma que está disposta a desinvestida operação Sul. 

Para a Ágora Investimentos, essas duas notícias como ligeiramente positivas para a companhia, potencialmente melhorando a execução e acelerando a recuperação da lucratividade. 

“Apesar disso, com relação aos dados da ANS de aumento de preços, mostrando melhora nos reajustes da NotreDame Intermédica —que ainda permanecem abaixo dos pares —, a magnitude dos aumentos pode ser insuficiente para compensar as pressões de custos e pressionar ainda mais o churn, mantendo uma força vendedora para o papel, em nossa opinião“, explicam os analistas.

Tabela Ágora Taxa de Aluguel
(Imagem: Reprodução/ Ágora Investimentos)

Taxa de aluguel

A taxa de aluguel na Bolsa é a remuneração paga por um investidor que toma emprestado ações de outro para vendê-las no mercado – prática conhecida como venda a descoberto, ou short. O tomador aposta na queda do papel: vende as ações emprestadas, espera o preço recuar e as recompra mais baratas para devolvê-las ao doador, embolsando a diferença. Em contrapartida, paga uma taxa percentual anual ao detentor original dos papéis, que segue recebendo dividendos e proventos durante o período do empréstimo.

Publicidade
Publicidade

Quando a taxa de aluguel de uma ação está muito elevada, geralmente indica alto interesse vendedor no papel — sinal de que o mercado está cético em relação à empresa ou que há escassez de ações disponíveis para empréstimo no ambiente da B3.

Dívida de R$ 1 bilhão

Em 10 de abril, a Hapvida veio a público esclarecer informações divulgadas na imprensa que apontavam uma suposta dívida bilionária da companhia. Em comunicado ao mercado, a operadora negou categoricamente a existência de qualquer débito de R$ 1 bilhão relacionado à empresa Affiance Life Administradora de Benefícios em Saúde.

O posicionamento ocorre após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), motivado por reportagem publicada pela revista Veja, que mencionava a existência de uma ação judicial e um possível impacto relevante nas contas da companhia.

Contrato e rescisão

Segundo a Hapvida, o vínculo com a Affiance teve início em maio de 2021, por meio de um contrato de representação comercial voltado à intermediação de planos de saúde em Minas Gerais. O acordo previa metas de desempenho que condicionavam o pagamento de comissões.

No entanto, a companhia informou que o contrato foi rescindido em maio de 2023 devido a violações contratuais. Além disso, a empresa destacou que a Affiance não teria atingido os níveis de performance estabelecidos, o que, por si só, já justificaria o encerramento do acordo.

Após a rescisão, a Affiance ingressou com uma ação de produção antecipada de provas, com o objetivo de obter documentos que, segundo a empresa, seriam necessários para calcular eventuais comissões. A Hapvida ressaltou que o valor atribuído à causa é de apenas R$ 1 mil, o que, na visão da companhia, desmonta a narrativa de uma disputa bilionária.

A empresa também afirmou que está exercendo plenamente seu direito de defesa e já contestou todas as medidas apresentadas pela outra parte no processo.

Contestação de alegações

No comunicado, a Hapvida classificou como “falaciosa” a interpretação de que o juiz do caso teria reconhecido a veracidade dos fatos apresentados pela Affiance. Segundo a companhia, a decisão mencionada trata apenas de um dispositivo processual que permite, em determinadas circunstâncias, a admissão de fatos para fins probatórios, o que não implica reconhecimento de dívida.

Além disso, a empresa destacou que a estimativa de uma suposta dívida de R$ 1 bilhão não possui qualquer base factual ou lógica, sendo derivada de alegações unilaterais da própria Affiance, sem apresentação de evidências.