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Mercado não soube ler a temporada de resultados

Mercado não soube ler a temporada de resultados

Reação exagerada e venda indiscriminada de ações ignoraram contexto de revisão de lucros de 23% no Ibovespa desde o início do ano

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 foi mais complexa do que pareceu à primeira vista. Segundo o Bradesco BBI, a leitura do mercado pecou tanto para o excesso de otimismo nas manchetes quanto para o exagero nas vendas que se seguiram.

“A temporada foi, na essência, melhor do que o mercado quis enxergar — mas pior do que as manchetes sugeriram. Ao excluir Energia e Commodities, o restante dos resultados ficou abaixo do esperado”, aponta o relatório.

Reação do mercado diz mais sobre o momento

O que mais chamou atenção não foram os balanços em si, mas a forma como foram recebidos.

“Houve venda indiscriminada, atingindo empresas independentemente da qualidade dos resultados. O episódio diz menos sobre fundamentos e mais sobre o momento: um ambiente em que ruídos e fatores externos se sobrepõem aos fundamentos”, avalia o BBI.

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Os bancos lideraram a frustração entre as empresas voltadas ao ciclo doméstico, mas o banco destaca que a antecipação de provisões foi uma escolha de gestão – não um reflexo de piora real na inadimplência.

As margens das principais companhias listadas permaneceram estáveis, próximas de 9% líquida e 23% de EBITDA, com alavancagem ao redor de 2 vezes dívida líquida/EBITDA.

Revisão de lucros de 23% ainda não foi capturada pelos preços

O dado mais revelador do relatório é a magnitude da revisão nas estimativas de lucro para 2026.

“No Ibovespa, a revisão acumulada foi de 23,1% desde o início do ano, concentrada a partir de março e suficiente para elevar o nível de resultados esperados. Não se trata de um ajuste marginal, mas de um novo patamar”, destaca o BBI.

Esse movimento explica o aparente paradoxo do mercado: o Ibovespa negocia a 8,4 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses — abaixo da média histórica de 10 vezes — não por queda nos preços das ações, mas porque o lucro projetado subiu primeiro.

“O denominador se ajustou antes do numerador. Isso altera o ponto de partida do mercado”, pontua o relatório.

2º trimestre deve trazer maior clareza

O segundo trimestre é visto como o período em que a narrativa de resultados deve ganhar substância. Petrobras deve capturar um trimestre completo com petróleo em níveis elevados; Embraer (EMBJ3) tende a se beneficiar da normalização de estoques e da antecipação de encomendas na linha E2; os bancos devem começar a refletir a nova dinâmica de margens.

“O segundo trimestre tende a trazer maior clareza sobre essa direção. Plataformas como o Mercado Livre (MELI34) podem apresentar expansão mais visível de rentabilidade à medida que o ciclo de investimentos se modera”, projeta o BBI.

Na estratégia, o banco mantém foco em empresas de commodities, nomes sensíveis à atividade doméstica – como Localiza (RENT3), Assaí (ASAI3) e Cyrela (CYRE3) – e companhias com maior sensibilidade ao mercado de capitais, como BTG (BPAC11) e B3 ($B3SA3).

Para perfis mais conservadores, a carteira de dividendos segue como alternativa, com retorno real anualizado de cerca de 10,5% ao ano desde sua criação, em dezembro de 2005.

“O cenário segue exigindo cautela. Mas o ponto de partida já não é o mesmo – e é nesse deslocamento entre expectativa e realidade que a assimetria começa a se formar”, conclui o Bradesco BBI.