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Hapvida tem preço-alvo derrubado pelo Santander

Hapvida tem preço-alvo derrubado pelo Santander

A “alavancagem com sinais iniciais de alerta” sugere um pico no terceiro trimestre de 2026, reduzindo a flexibilidade do caixa em cenários de estresse econômico

A Hapvida (HAPV3) passou por uma revisão rigorosa em sua tese de investimentos pelo Santander, resultando em um rebaixamento de recomendação e um corte drástico no preço-alvo. Os analistas Caio Moscardini e Eyzo Lima alteraram a visão sobre a companhia de “compra” para “manutenção”, reduzindo o valor justo das ações para 2026 de R$ 20,70 para R$ 11,50. As ações têm queda de 31,8% em 2026.

A decisão foi motivada por resultados do quarto trimestre de 2025 que vieram abaixo das expectativas, somados a um cenário competitivo hostil no Sudeste.

Segundo Moscardini e Lima, acreditamos que a reestruturação da Hapvida no Sul e Sudeste está levando mais tempo do que o esperado, enquanto a concorrência se intensificou de forma relevante”.

Relatos de corretores sugerem que players como Amil e Porto Saúde têm avançado sobre a fatia de mercado da gigante verticalizada, oferecendo preços mais agressivos e melhores incentivos.

Clientes e eficiência

A pressão não se resume apenas à perda de clientes. Os analistas destacam que a busca por eficiência operacional tem sido árdua.

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Esperamos que as margens permaneçam pressionadas à medida que a empresa equilibra melhorias de serviço com posicionamento competitivo”, afirmam os especialistas do Santander.

Como consequência direta, o banco revisou para baixo as estimativas de margem EBITDA ajustada para 2026 e 2027, citando uma visibilidade limitada para a retomada da rentabilidade plena.

Endividamento

O endividamento da Hapvida também entrou no radar de preocupações. Embora um novo aumento de capital (follow-on) não seja o cenário central, a saúde financeira da empresa requer monitoramento. De acordo com o relatório, a “alavancagem com sinais iniciais de alerta” sugere um pico no terceiro trimestre de 2026, reduzindo a flexibilidade do caixa em cenários de estresse econômico.

No campo da avaliação de mercado, o Santander observa que o preço atual não é exatamente uma barganha diante dos riscos.

“Analisamos o P/L sem ajustes, que está em aproximadamente 12x para 2026E”, pontuam os analistas, reforçando que a utilização de créditos tributários (goodwill) segue postergada pela baixa rentabilidade.

Para Moscardini e Lima, “uma possível mudança estratégica, como otimização de portfólio ou desinvestimentos regionais relevantes, poderia destravar valor”, mas tais movimentos ainda não fazem parte do cenário base da instituição.