A XP Investimentos publicou uma análise abrangente do setor de bens de capital, comemorando 100 insights semanais de cobertura, e aponta a Embraer (EMBJ3) como o melhor ponto de entrada no setor neste momento, após uma correção de 14% nas ações desde o primeiro trimestre de 2026. Junto com a Marcopolo (POMO4), a fabricante de aeronaves figura como top-pick da casa para o segundo semestre, em um cenário macroeconômico descrito como sensível e binário.
“Permanecemos relativamente mais construtivos com companhias menos expostas ao ambiente doméstico brasileiro, com fundamentos bottom-up construtivos e baixos níveis de alavancagem, favorecendo Embraer e Marcopolo como top-picks”, afirmam os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
(Imagem: Divulgação/ Randon)
Valuation exige ancoragem nos lucros
Um dos principais aprendizados destacados pelo trio ao longo dos 100 relatórios é que múltiplos baixos, por si só, não são suficientes para gerar retornos.
“Valuation descontado não foi suficiente para impulsionar um re-rating, como ilustrado pelo trade de Randon (RAPT4). Uma ação pode parecer barata, mas, se os lucros continuarem sendo revisados para baixo, o desconto aparente se torna menos relevante“, explicam os analistas.
Na visão da XP, um re-rating sustentável exige melhora dos fundamentos, não apenas um múltiplo atrativo, com revisões de lucros para cima como o sinal mais claro de estabilização da base de resultados.
(Imagem: DIvulgação/ Embraer)
Embraer como caso especial
A Embraer representa um caso à parte na análise. Segundo a XP, a empresa deixou de ser avaliada apenas em relação ao mercado brasileiro e passou a ser comparada a pares globais do setor aeroespacial.
“À medida que a percepção dos investidores mudou, valuation passou a ser menos uma restrição, enquanto a visibilidade do backlog, a execução de entregas e os fluxos estrangeiros sustentaram um re-rating mais amplo”, destacam Laghi, Urbano e Nippes.
O movimento reforça que empresas inseridas em temáticas globais — como defesa e inteligência artificial — podem operar sob um framework de avaliação diferente do restante do setor.
Com a correção recente, os analistas enxergam uma assimetria favorável: “Embraer oferece um ponto de entrada mais atrativo após a recente correção de 14% desde o 1T26.”
(Imagem: Divulgação/ Weg)
Marcopolo, WEG e os mais cautelosos
A Marcopolo também aparece como recomendação de destaque.
“A tese de investimento de POMO4 continua implicando um risco-retorno atrativo, com espaço limitado para revisões negativas, especialmente em comparação a outros nomes de autopeças”, avaliam os analistas.
A WEG (WEGE3), apesar de ser reconhecida como ativo de alta qualidade, ainda aguarda estabilização dos lucros de consenso antes de a XP “chamar o fundo”, com as ações em queda de 18% desde as máximas recentes.
(Imagem: Divulgação Tupy)
Cautela com nomes domésticos
Para Randon (RAPT4) e Tupy (TUPY3), a postura segue cautelosa.
“Embora RAPT4 e TUPY3 devam eventualmente passar por um ponto de inflexão de lucros, mantemos nossa postura cautelosa até que sinais mais claros dessas melhoras comecem a se materializar”, concluem Laghi, Urbano e Nippes.
Os analistas reconhecem o interesse crescente em nomes de “deep value”, mas ressaltam que posicionamento e valuation melhoram a assimetria sem substituir a necessidade de evidências concretas de recuperação dos resultados.