As ações da Braskem (BRKM5) chegaram a subir mais de 3% na abertura do pregão desta quinta-feira (14), em reação ao balanço do primeiro trimestre divulgado na noite anterior, mas reverteram o movimento ao longo da manhã. Por volta das 10h30, os papéis recuavam 1,88%, cotados a R$ 11,98, após marcarem máxima de R$ 12,61. No acumulado de 2026, a ação ainda sobe 54,58%.
A petroquímica reportou Ebitda Recorrente de US$ 192 milhões no primeiro trimestre, alta de 76% em relação ao quarto trimestre de 2025, com impacto positivo de cerca de US$ 32 milhões (R$ 169 milhões) da majoração do Regime Especial da Indústria Química (REIQ).
O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 275 milhões (R$ 1,4 bilhão), revertendo o prejuízo de US$ 1,88 bilhão registrado no trimestre anterior. A receita líquida somou US$ 2,9 bilhões, queda de 1% ante o quarto trimestre e recuo de 12% na base anual.
Análise do BTG
A reversão do humor ao longo da manhã coincide com a leitura do BTG Pactual (BPAC11) sobre os números. Em relatório assinado pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, o banco apontou que o Ebitda veio cerca de 30% abaixo do consenso de mercado, que projetava US$ 267 milhões.
A casa manteve recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 9, e segue cética quanto à capacidade da companhia de gerar fluxo de caixa livre positivo no segundo trimestre.
“O consumo de capital de giro pode persistir no segundo trimestre de 2026, dado que a companhia precisa comprar matéria-prima a preços mais altos sem acesso a linhas de crédito e financiamento de fornecedores”, afirmaram os analistas, ao apontar que o impacto da alta da matéria-prima ainda não foi totalmente capturado no resultado do primeiro trimestre.
A geração de caixa foi negativa em US$ 958 milhões no trimestre, ou US$ 866 milhões excluindo os desembolsos relacionados ao evento geológico em Alagoas. O consumo expressivo de capital de giro, de aproximadamente US$ 670 milhões, somado à concentração dos pagamentos de juros dos bonds no primeiro trimestre, explica o resultado. A posição de caixa recuou para cerca de US$ 1,1 bilhão, ante US$ 2,1 bilhões no fim de 2025.
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Desempenho por segmento
No segmento Brasil/América do Sul, o Ebitda Recorrente foi de US$ 241 milhões, alta de 69% ante o quarto trimestre, beneficiado pela majoração dos créditos de PIS/Cofins na compra de matéria-prima e pela redução de despesas recorrentes. A taxa de utilização do eteno subiu para 69%, ante 59% no trimestre anterior, e o spread internacional médio de resinas avançou 16% no período.
Nos Estados Unidos e Europa, o Ebitda Recorrente foi positivo em US$ 21 milhões, após resultado negativo de US$ 32 milhões no quarto trimestre. A reversão foi puxada pelo aumento de 6% no spread internacional médio de polipropileno (PP) e por maior volume de vendas.
No México, a Braskem Idesa registrou Ebitda Recorrente negativo de US$ 15 milhões, refletindo a redução no fornecimento de etano pela Pemex e a menor importação do insumo, em linha com a necessidade de liquidez da operação mexicana.
A dívida líquida ajustada encerrou março em US$ 8,48 bilhões, alta de 13% sobre dezembro. A alavancagem corporativa medida pela relação Dívida Líquida Ajustada/Ebitda Recorrente subiu para 16,81 vezes, ante 14,74 vezes no fim de 2025. A Braskem tem cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos de dívida ainda em 2026.
No comunicado de resultados, a companhia afirmou que segue avançando na formulação de um plano abrangente de reestruturação da estrutura de capital, em tratativas com assessores dos credores. A situação da Braskem Idesa permanece aberta, com a subsidiária mexicana negociando com detentores dos bonds de vencimento em 2029 e 2032 uma possível reorganização via medidas judiciais, como o Chapter 11 na legislação dos Estados Unidos.






