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Casas Bahia: Ação despenca 8% com prejuízo bilionário; entenda os motivos

Casas Bahia: Ação despenca 8% com prejuízo bilionário; entenda os motivos

Parceria com Mercado Livre impulsiona e-commerce, mas FIDC, CDI elevado e ausência de crédito fiscal pesam no balanço

As ações da Casas Bahia (BHIA3) caem cerca de 8% nesta sessão de quinta-feira (14) em reação ao resultado do primeiro trimestre de 2026, divulgado após o fechamento do mercado.

O prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão ficou muito acima das estimativas – o Safra projetava perda de R$ 274 milhões -, pressionado por despesas financeiras significativamente mais elevadas do que o esperado e pela decisão da companhia de não reconhecer ativos fiscais diferidos diante do cenário macroeconômico adverso.

No campo operacional, o desempenho foi positivo. O GMV total cresceu 5% na comparação anual, para R$ 10,4 bilhões, com destaque para o canal online 1P, que avançou 27,4% — o melhor resultado em 19 trimestres consecutivos.

Online e físico

“O online 1P foi o destaque, acelerando para +27% ano a ano, o mais forte em 19 trimestres, sustentado por ganhos de participação de mercado em categorias core e crescimento de tráfego qualificado após a parceria com o Mercado Livre”, apontam as analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP Investimentos, que mantêm recomendação neutra com preço-alvo de R$ 3,80. A receita líquida somou R$ 7,4 bilhões, alta de 6% ano a ano e 3% acima das estimativas do Safra.

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A margem bruta ficou em 31%, praticamente estável na comparação anual, com o EBITDA ajustado atingindo R$ 597 milhões, alta de 5% e 5% acima das projeções de ambas as casas.

O canal físico, por outro lado, seguiu pressionado, com SSS negativo de 1,6% sobre uma base de comparação difícil — o 1T25 havia registrado alta de 16,2%.

Casas Bahia
(Imagem: Divulgação/ Casas Bahia)

Prejuízo

A surpresa negativa concentrou-se abaixo da linha operacional. As despesas financeiras líquidas totalizaram R$ 1,2 bilhão, 72% acima da estimativa do Safra de R$ 680 milhões, impactadas por custos de FIDC, despesas com antecipação de recebíveis e uma atualização monetária não recorrente.

Além disso, o efeito do imposto de renda foi negativo em R$ 143 milhões, contra uma estimativa positiva de R$ 141 milhões da XP.

“A companhia optou por não reconhecer ativos fiscais diferidos dado o desafiador cenário macroeconômico”, explicam Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, do Safra, que mantêm recomendação underperform com preço-alvo de R$ 3 e potencial de valorização de 47%.

Apesar da queima de caixa, houve melhora sequencial. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 852 milhões no trimestre, sustentado por contribuição de R$ 772 milhões do capital de giro.

Dívida

“Embora o turnaround continue resultando em números operacionais mais encorajadores, a queima de caixa permanece como uma preocupação”, avaliam os analistas do Safra, acrescentando que “gostaríamos de ver resultados mais concretos no fluxo de caixa para mudar nossa visão sobre o papel.”

A dívida líquida recuou R$ 2,6 bilhões nos últimos 12 meses, mas isso inclui quase R$ 4,2 bilhões em dívida convertida em equity — excluindo esse efeito, a queima de caixa foi de R$ 1,6 bilhão no período, redução em relação aos R$ 2,9 bilhões do 4T25.

“Mantemos nossa recomendação neutra enquanto aguardamos mais evidências de que a nova estrutura de capital se traduzirá em recuperação do resultado final”, concluem os analistas da XP.

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