De olho no mercado e visando oferecer o melhor risco-retorno a seus clientes, a XP Investimentos alterou a carteira Top 10 de abril.
A gestora substituiu, portanto, as seguintes empresas: Ecorodovias, Cyrela, Lojas Renner, Via Varejo e Iguatemi por JBS, Marfrig, Vale, Suzano e Grupo Pão de Açúcar.
Conforme a XP, essas dez melhores ações tendem a performar acima do Ibovespa no horizonte de médio prazo.
A atualização de carteira é uma ação mensal, promovida a cada primeiro dia útil do mês.

Receitas de curto prazo
No mês de abril, a gestora optou por aumentar a exposição a nomes com receitas mais defendidas no curto prazo.
Isso inclui principalmente ações de grupos multinacionais e exportadoras, com receitas dolarizadas e grande exposição de receitas para a China, dado os sinais de início de um processo de normalização da economia por lá.
Por isso, a gestora decidiu reduzir exposição a setores ligados à atividade doméstica, devido aos impactos operacionais negativos no curto prazo pelo fechamento de lojas e restrição de circulação de pessoas.

Considerações:
Ambev (ABEV3)
Apesar de queda de -18% durante o mês, o papel apresentou a menor queda da carteira dado que a Ambev é uma empresa vista como resiliente, enquanto sua sólida saúde financeira é um fator importante para superar os impactos operacionais negativos no curto prazo.
Vale lembrar que as ações já acumulavam queda significativa antes do coronavírus. Olhando para frente, a XP espera queda brusca no volume de vendas neste primeiro semestre e custos elevados que devem manter as margens pressionadas.
Porém, as ações negociam a 19,8x Preço/Lucro 2020. Assim, a gestora mantém a recomendação neutra e acredita ser um bom papel para compor a carteira, diminuindo a volatilidade.

Banco do Brasil (BBSA3)
Além de ser o papel mais cíclico entre os bancos incumbentes (sensibilidade alta às movimentações do mercado), a XP destaca que em tempos de crise pode ser visto como instrumento de política monetária.
No entanto, esse risco pode já estar bem precificado e talvez a reação do mercado tenha sido exagerada, com a ação negociando a 0.8x seu valor patrimonial e menos de 5 vezes seu lucro em 2019.
Por isso, a XP reitera recomendação de compra no papel.
Copel (CPLE3)
A gestora acredita que o segmento de distribuição seja o mais impactado no setor elétrico pelo quadro atual, com base em expectativas de queda significativa de demanda nos mercados industrial e comercial, tanto no mercado cativo como no mercado livre, para os quais a XP esperam quedas de menos 4% a menos 5% no ano e elevação de perdas não-técnicas (desvios de energia) e inadimplência no pagamento de contas de luz.
Tais perspectivas negativas, informa, estão por trás da queda de menos 25% das ações em março. Dito isso, a XP continua otimista com as ações da Copel, em vista da contínua agenda de maior eficiência de custos e potenciais eventos para destravar valor adicional como a privatização da Copel Telecom e a extensão da concessão da Usina Hidrelétrica Foz de Areia mediante venda do controle.
Engie (EGIE3)
No mês de março a Engie reafirmou-se como um nome resiliente em meio aos impactos na economia causados pela pandemia do Covid- 19, com uma das menores quedas da carteira (-18%).
O segmento de geração de energia apresenta menor sensibilidade à atividade econômica, e proporciona fluxos de caixa estáveis. Porém, no curto prazo os principais impactos esperados devido à crise são: riscos de potenciais renegociações de contratos no mercado livre em vista da paralização dos setores industrial e comercial durante a quarentena e, do lado positivo, menor risco hidrológico tendo em vista a combinação da queda de demanda com o aumento dos reservatórios por maior incidência de chuvas.

JBS Alimentos (JBSS3)
As empresas de proteínas são nomes relativamente seguros dentro do setor de Alimentos e Bebidas, já que o impacto do coronavírus deve ser baixo. A XP diz ver combinação de consumo em alta por alimentos, sobretudo dos supermercados; margens sólidas; dólar alto; normalização da China e baixo endividamento como positiva para o setor.
As operações nos EUA representam 78% da receita da JBS, enquanto 50% da receita do Brasil é proveniente das exportações. Ou seja, a empresa se beneficia da diversidade geográfica, do dólar em alta – para cada 10% de depreciação no câmbio, o EBITDA da JBS aumenta 8% na média – e também, da dinâmica mais resiliente do setor nos EUA, com demanda sólida e margens mais estáveis.
Pão de açúcar (PCAR3)
As ações hoje oferecem uma combinação de maior resiliência no curto prazo e risco-retorno atrativo. Dentre os subsetores de varejo, a XP destaca que aqueles relacionados ao consumo básico (alimentação e saúde) devem ser os menos impactados pela crise desencadeada pelo vírus.
Nesse cenário, o GPA vem se beneficiando de um aumento importante de vendas no curto prazo, não só em função da estocagem de produtos durante o período de quarentena, mas também por um aumento no consumo das famílias e da alimentação dentro de casa.
Além disso, após a queda de 30% desde o final de janeiro, a XP diz enxergar as ações do GPA negociando em níveis atrativos e com um desconto excessivo em relação ao seu principal concorrente (P/L de 10,3x em 2021 vs. 19x para o Carrefour).

Localiza (RENT3)
As incertezas relacionadas à duração do período de restrição de circulação de pessoas e os impactos sobre a atividade têm exercido pressão sobre nomes ligados a consumo, que é o caso de Localiza.
Existe muita incerteza em relação à dinâmica de curto prazo, mas a gestora definiu a Localiza como preferência no setor, reflexo do cronograma confortável de amortizações em relação a sua liquidez, e ao fato de apresentar hoje o maior spread entre retorno sobre capital investido e seu custo de capital no setor, o que permite certa “gordura” em um cenário de stress.
Marfrig (MRFG3)
As empresas de proteínas são nomes relativamente seguros dentro do setor de Alimentos e Bebidas, já que o impacto do coronavírus deve ser baixo e JBS e Marfrig são os nomes preferidos da XP.
A gestora diz enxergar a combinação de consumo em alta por alimentos, sobretudo dos supermercados; margens sólidas; dólar alto; normalização da China e baixo endividamento como positiva para o setor.
As operações nos EUA representam 70% da receita, e exportações representam 50% da América Latina. Ou seja, a empresa se beneficia da diversidade geográfica, do dólar em alta – para cada 10% de depreciação no câmbio, o EBITDA da Marfrig aumentam 8% na média – e também, da dinâmica mais resiliente do setor nos EUA, com demanda sólida e margens mais estáveis.
Suzano (SUZB3)
A XP diz acreditar na recuperação gradual dos preços da celulose na China ao longo de 2020. Com relação aos volumes de vendas, a gestora elenca existir uma demanda resiliente de papel e celulose, sem grandes impactos, até o momento, do Covid-19.
Adicionalmente, com 80% das receitas e apenas 15% dos custos em dólar, a companhia é favorecida em caso de manutenção do câmbio em patamares elevados. Com isso, a XP espera retorno de geração de caixa em torno dos 10% em 2020.
Vale (VALE3)
A gestora se diz otimista com relação ao minério de ferro, pois: do lado da demanda, a China já iniciou uma trajetória de retomada da economia e pode ter mais impulso de estímulos do governo, do lado da oferta, não enxergamos espaço para as mineradoras produzirem acima do estimado no início do ano, tanto no Brasil quanto na Austrália e patamar de preço atrativo (3x EV/EBITDA 2020E) e estimamos 13% de retorno com geração de caixa em 2020.







