A IRB (IRBR3) registrou um prejuízo de R$ 685,1 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo o lucro líquido de R$ 397,5 milhões no mesmo período de 2019.
Refletindo o resultado, os papéis da resseguradora abriram o pregão desta segunda-feira (31) em queda.
Às 15h40, marcavam retração de 4,13%, cotados a R$ 7,20.
O resultado financeiro foi positivo em R$ 50,2 milhões no trimestre, uma diminuição de 60,6%.
As despesas administrativas somaram R$ 74,1 milhões, um aumento de 4% na comparação anual.
Prêmio emitido cresce 8%
O prêmio emitido da IRB totalizou R$ 2,543 bilhões, um aumento de 8% em relação ao mesmo trimestre de 2019.
Em prêmios ganhos, a empresa obteve R$ 1,728 bilhão, contra R$ 1,376 bilhão entre abril e junho de 2019 (alta de 25,6%).
O sinistro retido foi de 2,339 bilhões no período, uma elevação de 192%.
O custo de aquisição somou R$ 367,1 milhões, um crescimento de 32,8%.
De acordo com a IRB, o desempenho reflete principalmente à comissão de contrato que não figurava no segundo trimestre de 2019 e pelo aumento na comissão e despesas, especificamente no Chile.
IRB call
Durante teleconferência, o presidente interino do IRB, Antônio Cássio dos Santos, reforçou não existirem mais ajustes a serem realizados no balanço.
Santos repetiu algumas vezes que é preciso tomar cuidado para não confundir os ajustes contábeis realizados com a revisão dos contratos de resseguros que a nova gestão está fazendo.
De acordo com ele, as investigações internas conduzidas pelo IRB foram concluídas.
Adicionalmente, a companhia pretende acionar juridicamente os responsáveis pelas fraudes.
Santos também destacou a transparência da companhia, os processos para fortalecimento da governança corporativa e controles internos.
Liquidez
Já o vice-presidente do IRB, Wilson Toneto, disse que não há um ‘gap’ de solvência regulatória na companhia, mas apenas de liquidez.
No final do segundo trimestre deste ano, o déficit de liquidez era de R$ 3,3 bilhões.
Com o aumento de capital homologado, o déficit caiu para R$ 1 bilhão.
Além disso, Toneto informou que a resseguradora apresentou à Susep um plano para reduzir esse ‘gap’ nos próximos trimestres.
Conforme Cássio dos Santos, após o aumento de capital, o índice de solvência deve subir para 244%, um dos mais elevados do mundo. “Quase 70% do problema de liquidez já está resolvido”, disse.
Tá, e aí?
Em relatório a clientes, a Eleven destacou que o resultado veio pior do que o esperado, impactado pela limpeza da carteira e maior sinistralidade devido aos riscos subscritos de anos anteriores.
Segundo os analistas Carlos Daltozo e Daniela Bretthauer, o prejuízo reportado ficou acima do previsto, sobretudo porque a empresa já tinha informado perdas pouco menores de R$ 400 milhões em abril e junho.
Adicionalmente, notaram os especialistas da Eleven, houve um salto de 77,3 p.p. na sinistralidade, que atingiu 135,3%.
Isso ocorreu por consequência das provisões de contratos anteriores a 2019.
De acordo com a gestão da companhia, as provisões passadas visavam apenas o crescimento da base e não a evolução das margens.
Além disso, a crise atual e a desvalorização do real aceleraram a constituição de reservas para alguns sinistros.
Assim, no primeiro semestre, todas as linhas de resseguros, pontua a Eleven, apresentaram resultado operacional (underwriting) negativo.
Cara ou barata?
Conforme a Eleven, a fase atual de transição está mais próxima do fim, apesar das dúvidas ainda persistentes.
Entretanto, a companhia “tem tamanho suficiente para sair desta (crise) e tirar boas vantagens competitivas frente a concorrência, com possibilidade de recuperação”.
Dessa forma, a Eleven mantém a recomendação de compra, com preço-alvo para o final de 2021 de R$ 20,00.
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