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Fomos ao Le Bife falar de macroeconomia com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central

Fomos ao Le Bife falar de macroeconomia com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central

Em encontro no Le Bife, em São Paulo, clientes da EQI Investimentos acompanharam uma conversa com Gustavo Franco sobre juros, cenário fiscal, câmbio e os rumos da economia brasileira, acompanhada de jantar e vinho

Filé mignon, vinho, conversas entre investidores e uma discussão que foi do futuro das contas públicas brasileiras ao comportamento do dólar. Foi nesse ambiente que clientes da EQI Investimentos se reuniram no Le Bife, em São Paulo, para uma noite de gastronomia e macroeconomia com Gustavo Franco.

Ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos, Franco teve participação central na formulação e operacionalização do Plano Real. A proposta do encontro da EQI foi colocá-lo frente a frente com investidores para discutir alguns dos temas que devem continuar no centro das atenções do mercado nos próximos anos.

A experiência, porém, não ficou restrita à palestra. À mesa, os convidados encontraram um menu pensado para acompanhar a noite. A entrada foi uma salada mesclum com azeite de ervas finas, seguida de filé mignon como prato principal. Entre as guarnições, estavam abóbora e cebola assadas, lasanha de berinjela, espinafre cremoso, batata gratin, legumes da horta, couscous marroquino e farofa biju.

Captação de imagens EQI Investimentos

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Para acompanhar a carne, três opções de molho: mostarda Dijon, béarnaise e roquefort. O menu ainda previa uma alternativa vegetariana, ravioli de mussarela de búfala. Na sobremesa, vacherin de morango com sorvete de baunilha. Vinho também acompanhou o jantar.

Enquanto os pratos chegavam à mesa do restaurante Michelin, boa parte da conversa continuava em outro território: o que esperar da economia brasileira.

Equilíbrio fiscal no centro da conversa

Na palestra, Franco abordou inflação, juros, câmbio, política monetária e, principalmente, a situação fiscal brasileira. Ao ser questionado sobre qual deveria ser a prioridade do próximo ministro da Fazenda em 2027, independentemente de quem estiver no poder, ele colocou o equilíbrio das contas públicas no centro da resposta.

“Acho que a medida mais importante é, falando genericamente, a que produzirá o equilíbrio fiscal. Ou seja, o objetivo é fazer parar o crescimento da dívida pública e, quem sabe, começar a diminuir. E vai precisar de uns anos disso aí. Mas é preciso começar o tratamento, é o primeiro passo, é o mais difícil para largar o vício”, afirmou.

Ao longo da apresentação, o economista relacionou a questão fiscal ao comportamento dos juros e defendeu que uma sinalização de compromisso com as contas públicas pode produzir efeitos sobre o mercado.

A política monetária também ganhou espaço na conversa. Ao falar sobre a condução do Banco Central, Franco avaliou positivamente a escolha de Gabriel Galípolo para a presidência da instituição e destacou sua adaptação à cultura do BC. Para ele, Galípolo “incorporou a cultura da casa” e manteve uma linha de atuação próxima à de seus antecessores.

Do fiscal ao dólar

Evandro Buccini e Gustavo Franco, sócios da Rio Bravo / Divulgação EQI Investimentos

Outro assunto que apareceu durante a noite foi o câmbio. Para Franco, a dinâmica atual já não pode ser lida da mesma maneira que em outros momentos da economia brasileira.

“O câmbio não é o que já foi antigamente”, afirmou.

Em sua análise, o comportamento da moeda americana tem ajudado o cenário inflacionário brasileiro. Ao olhar para os Estados Unidos, Franco indicou que continua vendo uma busca por competitividade na maior economia do mundo.

“Continuo a enxergar nos americanos o mesmo desejo de ser mais competitivo”, disse.

O economista também tratou da relação entre política fiscal e monetária, além de responder a perguntas dos convidados sobre reforma tributária e outros temas da economia.

A dinâmica ajudou a transformar a palestra em uma conversa direta entre quem acompanha as decisões econômicas profissionalmente e investidores interessados em entender como essas variáveis podem chegar às suas carteiras.

Da palestra para a rotina do investidor

Se, de um lado, Gustavo Franco trouxe para a mesa discussões sobre juros, câmbio e equilíbrio fiscal, do outro estavam investidores interessados em entender como essas questões chegam à própria rotina. Entre os clientes ouvidos durante o jantar, as percepções convergiram para três pontos: acesso a especialistas, troca de experiências e a possibilidade de sair do encontro com uma leitura diferente sobre o cenário econômico e os investimentos.

Para Michel Malvasi Aboissa, que trabalha com commodities agrícolas, a conexão é especialmente direta. A macroeconomia faz parte tanto de suas decisões financeiras quanto de sua atividade profissional.

“Me ajuda muito. Esse nível de evento focado na parte de macroeconomia me ajuda não só na parte do investimento, mas também no meu trabalho. Eu trabalho com commodities agrícolas, então metade do meu dia é conversando sobre temas de economia e o que pode afetar na parte das indústrias e nos negócios”, afirmou.

A troca proporcionada pelo encontro também apareceu na percepção de Decio Kimura. Para ele, ouvir especialistas é apenas uma parte da experiência. As conversas que surgem entre os próprios convidados durante eventos como o jantar no Le Bife também entram nessa conta.

“Os eventos são o grande diferencial da EQI. Geralmente a gente tem assessoria de investimentos, mas esses eventos, trazendo pessoas que vêm falar sobre tema específico ou um tema mais genérico, eu acho que é o momento onde a gente realmente começa a ganhar muito mais conhecimento. E fora o networking, fora as outras pessoas que a gente acaba conversando. É sempre uma grande experiência. Sempre saio com novas ideias e novas ideias de investimentos, de diversificação.”

É justamente esse contato que ajuda a explicar a dinâmica da noite. A palestra não terminou quando Franco concluiu uma resposta ou mudou de assunto. As discussões continuaram entre os convidados, que puderam confrontar suas próprias percepções com a análise de quem acompanha de perto os movimentos da economia.

Clientes EQI Investimentos: Mario Takeshi Tsuruhame e Decio Kimura ao lado esquerdo da mesa / Divulgação EQI Investimentos

Mario Takeshi Tsuruhame vê nesse acesso a especialistas uma oportunidade de reconsiderar decisões e observar a carteira por outros ângulos.

“É muito importante nesses eventos para a gente ter uma noção do que o pessoal mais especialista, que já é do ramo, que conhece bem, que tem muita experiência, coloca sobre o nosso cenário. Como é que eles enxergam de um outro ponto de vista. Mesmo que sejam algumas pessoas que já participaram da vida pública, assim como nessa parte financeira, é importante trazer a visão deles de como era, como é. Essa expertise, para que a gente consiga reponderar, reavaliar os papéis e outras coisas. Ganho, produtividade, essas margens e tudo mais. Eu acho que isso é muito importante.”

Para Mario, há ainda uma questão prática: nem sempre é possível conciliar a rotina profissional com o acompanhamento constante do mercado e da própria carteira. É nesse ponto que ele destaca a relação com a assessoria.

“A gente não consegue trabalhar e olhar diretamente para os seus investimentos. Então, sempre passa alguma coisa. Isso para a gente é um negócio fantástico, porque é o nosso olho do lado financeiro, onde a gente não consegue fazer.”

As três percepções ajudam a colocar em perspectiva a proposta do encontro. Para quem estava à mesa, ouvir sobre os rumos da economia brasileira não significava apenas acompanhar uma palestra. Era uma oportunidade de fazer perguntas, comparar leituras, conversar com outros investidores e levar parte daquela discussão para decisões que continuam depois que o jantar termina.

Quando macroeconomia também vira experiência

A noite no Le Bife ajuda a mostrar uma forma diferente de aproximar um tema normalmente cercado por gráficos, indicadores e projeções da rotina do investidor. Em vez de acompanhar a discussão econômica apenas por relatórios ou pela tela, os convidados puderam fazer perguntas, ouvir as análises de Franco, conversar entre si e continuar o assunto durante o jantar.

Para Gustavo Franco, esse contato direto faz parte do próprio amadurecimento do mercado de capitais brasileiro.

“Bom, isso é parte de um processo maior que tem a ver com o mercado de capitais brasileiro. Como regulador, eu vivi muito o fomento à transparência, que é esse tipo de coisa. É o evento, é o contato direto entre o investidor e alguém que é o gestor. Ou alguém que fez o produto que o gestor está vendendo. Alguém que tem explicações a dar. Isso é muito bom de fazer, de participar e de fomentar.”

No fim, entre a discussão sobre equilíbrio fiscal, juros e dólar, havia também espaço para filé mignon, vinho, networking e conversa à mesa. Uma noite em que macroeconomia saiu dos relatórios e ganhou lugar no jantar.

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Roberta Picinin
Escrito porRoberta Picinin Jornalista

Roberta Picinin é jornalista formada pelo Centro Universitário FMU-FIAM-FAAM. Atua há 8 anos na área de comunicação, com passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo e Jovem Pan. Nos últimos dois anos, tem se especializado na cobertura do mercado financeiro, economia, educação financeira e mercado de luxo, com experiência no E-Investidor, TC News e atualmente no portal EuQueroInvestir.