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Vendas no varejo restrito sobem 0,1% em maio ante abril, abaixo da projeção do mercado

Vendas no varejo restrito sobem 0,1% em maio ante abril, abaixo da projeção do mercado

Osni Alves

Osni Alves

13 Jul 2022 às 09:33 · Última atualização: 13 Jul 2022 · 11 min leitura

Osni Alves

13 Jul 2022 às 09:33 · 11 min leitura
Última atualização: 13 Jul 2022

Imagem mostra uma loja de roupas do comércio varejista.

As vendas no varejo restrito subiram 0,1% em maio ante abril, abaixo da projeção do mercado, que estimava 1,0% de alta.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento, o dado refere-se à margem e apresenta estabilidade no período.

Nessa linha, são cinco meses consecutivos no campo positivo: 2,4% em janeiro, 1,4% em fevereiro, 1,4% em março e 0,8% em abril. Com isso, o patamar da série histórica ajustada sazonalmente está 6,0% acima do mínimo local, que foi em dezembro de 2021.

Tabela mostra a evolução das vendas no varejo do IBGE.

Vendas no varejo do IBGE

Ainda de acordo com o levantamento, na série sem ajuste sazonal o comércio varejista recuou 0,2% frente a maio de 2021, primeira taxa negativa após três meses de altas. O acumulado no ano chegou a 1,8% e o acumulado nos últimos 12 meses, a -0,4%.

Já no comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas variou 0,2%. A média móvel ficou em 0,2%. O acumulado no ano foi 1,0% e o acumulado em 12 meses, 0,3%.

As principais influências sobre o varejo, em maio, vieram de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria e Tecidos, vestuário e calçados, no lado positivo, e Móveis e eletrodomésticos e Outros artigos de uso pessoal e doméstico, no lado negativo. 

Tabela mostra a evolução das vendas no varejo do IBGE.
Tá, e aí?Stephan F. Kautz, economista-chefe da EQI Asset

Economista-chefe da EQI Asset, Stephan F. Kautz disse que o resultado do varejo veio abaixo do esperado pelo consenso, e o destaque negativo são as vendas do varejo ampliadas, que incluem a venda de automóveis e o setor de construção civil, com queda de 0,20%.

“Esse componente é mais importante porque é o que entra dentro das estimativas do PIB que a gente faz aqui”, frisou.

E acrescentou que esta é uma contração importante, de 0,2%, e reforça o ponto de que na margem a economia pode dar sinais de desaceleração daqui para frente.

“Olhando a trajetória desde meados do ano passado, é um sobe e desce, mas sem sair do lugar, o que reforça o ponto de que as vendas no varejo não estão com uma dinâmica positiva”, destacou.

E disse mais: “a gente revisou o PIB do segundo trimestre para cima e, por conta da  pesquisa de serviços [divulgada ontem], a gente está mantendo esse número por conta do varejo mais fraco.”

Kautz explicou que a Asset projeta 1% de crescimento no PIB do segundo trimestre de 2022, e alta de 2,2% no PIB do ano inteiro.

Atividades pesquisadas

Conforme a pesquisa, a variação de 0,1% no volume de vendas do varejo, em maio de 2022, na série com ajuste sazonal, foi acompanhada de taxas positivas em seis das oito atividades, com destaque para: Livros, jornais, revistas e papelaria (5,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (3,6%), Tecidos, vestuário e calçados (3,5%), Combustíveis e lubrificantes (2,1%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,0%) e Hiper, supermercados, produtos  alimentícios, bebidas e fumo (1,0%).

Por outro lado, entre abril e maio, houve queda em dois dos oito grupamentos pesquisados: Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e Móveis e eletrodomésticos (-3,0%).

O comércio varejista ampliado, Veículos e motos, partes e peças variou -0,2%, enquanto Material de Construção teve queda de 1,1% na passagem de abril para maio de 2022.

Tabela mostra a evolução das vendas no varejo do IBGE.

Varejo

Na comparação com maio de 2021, o comércio varejista mostrou predominância de taxas positivas, atingindo cinco das oito atividades: Livros, jornais, revistas e papelaria (25,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (9,2%); Tecidos, vestuário e calçados (8,3%); Combustíveis e lubrificantes (7,1%); e Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (2,0%). Completando as oito atividades do varejo, três tiveram queda:  Móveis e eletrodomésticos (-12,6%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-7,1%); e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo  (-0,5%).

No comércio varejista ampliado, Veículos e motos, partes e peças registrou aumento de 0,8%, enquanto Material de Construção recuou 7,7% entre maio de 2021 e maio de 2022.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria cresceu 25,8% frente a maio de 2021, contra queda de 0,9% em abril de 2022 frente a abril de 2021.  No acumulado no ano até maio, ao passar de 20,5% até abril para 21,3% no mês de referência, a atividade mostra aumento de ritmo. No acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de aumento de 5,8% até abril para 4,9% em maio, o setor mostrou redução de  intensidade de crescimento.

Setores

O grupamento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria teve crescimento de 9,2% nas vendas frente a maio de 2021, sétimo mês consecutivo de alta (o último resultado no campo negativo havia sido outubro, com -0,2%).  No ano, até maio, o setor acumula 7,9%, patamar similar ao acumulado até abril (7,6%), indicando manutenção do ritmo de crescimento do setor. Nos últimos 12 meses, o acumulado até maio fechou em 6,5%, menor patamar, para este indicador, desde agosto de 2020 (6,2%).

O setor de Tecidos, vestuário e calçados teve alta de 8,3% nas vendas frente a maio de 2021, contra aumento de 33,9% em abril de 2022, frente a abril de 2021 e quinto resultado consecutivo no campo positivo. O setor acumula queda de 21,3%, até maio, resultado inferior ao de abril (26,7%), apontando redução de ritmo. A redução na intensidade de crescimento também ocorre no acumulado dos últimos 12 meses: 19,4% até abril para 12,9% até maio.

Combustíveis e lubrificantes apresentaram aumento de 7,1% nas vendas frente a maio de 2021, terceiro mês consecutivo de alta (12,3% em fevereiro e 9,8% em março, em relação ao mesmo mês do ano anterior). O setor vem apresentando resultados impactados pela inflação: o indicador interanual de receita nominal avançou 38,5% em maio, 46,7% em abril e 44,2% em março. No ano, até maio, o setor acumula 4,5% até maio, 0,7 p.p. acima do valor até abril (3,8%). No acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de 1,9% até abril para 1,1% em maio, no volume, o setor mostrou redução de intensidade de crescimento.

O setor de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação cresceu 2,0% frente a maio de 2021, contra variação de -0,4% em abril de 2022, frente a abril de 2021.  Ao longo do ano de 2022, o indicador interanual registrou dois meses com resultados positivos e três no campo negativo: -7,6% em janeiro, -8,0% em fevereiro, 16,5% em março, -0,4% em abril e 2,0% em maio, com relação ao mesmo mês do ano anterior. No ano, o setor acumula taxa próxima a zero pelo terceiro mês consecutivo: 0,2% até março, 0,1% até abril e 0,5% até maio. O acumulado nos últimos 12 meses recuou de -2,3% até abril para -4,1% em maio.

Mais setores

A atividade de Móveis e eletrodomésticos caiu 12,6% frente a maio de 2021, segunda queda consecutiva (-8,7% em abril de 2022, frente a abril de 2021).  No acumulado até maio, ao passar de -6,9% até abril para -8,2% no mês de referência, a atividade mostra intensificação de perda de ritmo. No acumulado nos últimos 12 meses, o resultado foi de -14,3% em maio, oitavo consecutivo registrando queda e menor valor desde outubro de 2016 (-14,4%).

O grupo Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc., apresentou queda de 7,1% frente a maio de 2021, primeiro resultado negativo para o indicador interanual após três meses de resultados positivos. No acumulado no ano até maio, ao passar de 0,9% até abril para -0,9% no mês de referência, a atividade mostra inversão no ritmo de vendas. No acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de aumento de 5,6% até abril para aumento de 1,7% em maio, o setor mostrou redução de intensidade de crescimento.

O setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou queda de 0,5% nas vendas frente a maio de 2021, contra aumento de 4,1% em abril de 2022, frente a abril de 2021. No acumulado no ano até maio, ao passar de 0,4% até abril para 0,2% no mês de referência, a atividade mostra estabilidade no ritmo. O acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de -1,8% até abril para -1,5% em maio.

Varejo ampliado

No varejo ampliado, a atividade de Material de construção apresentou queda de 7,7% nas vendas frente a maio de 2021, contra -9,9% em abril de 2022, frente a abril de 2021.  No ano, o resultado é de  -6,4% até maio, abaixo do acumulado até abril (-6,0%). Em termos de resultado acumulado nos últimos 12 meses passou de -4,1% até abril para -6,4% em maio.

O grupo Veículos e motos, partes e peças apresentou alta de 0,8% nas vendas frente a maio de 2021, invertendo o sinal com relação ao indicador de abril (-1,8%). Em relação ao acumulado no ano até maio, ao passar de 2,4% até abril para 2,1% no mês de referência, a atividade mostra estabilidade no ritmo de crescimento. O acumulado nos últimos 12 mesesrecuou de 10,0% até abril para 6,0% em maio.

Unidades da Federação

Em maio, na série com ajuste sazonal, o comércio varejista variou 0,1% com resultados positivos em 18 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Minas Gerais (3,6%), Rio Grande do Sul (3,1%) e Roraima (3,1%). Houve texas negativas em 9 das 27 Ufs, com destaque para Rondônia (-2,8%), Rio Grande do Norte (-2,3%) e Tocantins (-2,1%).

Para a mesma comparação, no comércio varejista ampliado, a variação entre abril e maio de 2022 foi de 0,2% com resultados positivos em 15 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Tocantins (3,6%), Rio Grande do Sul (3,5%) e Sergipe (2,5%). Por outro lado, pressionando negativamente, figuram 12 das 27 UFs, com destaque para Ceará (-5,3%), Amazonas (-3,1%) e Rio Grande do Norte (-3,0%),

Comparação anual

Frente a maio de 2021, o comércio varejista nacional variou -0,2% com resultados negativos em dez das 27 UFs, com destaque para: Amapá (-10,6%), Bahia (-7,4%) e Pernambuco (-7,0%). Por outro lado, pressionando positivamente, figuram 17 das 27 UF, com destaque para Roraima (11,0%), Alagoas (9,7%) e Mato Grosso do Sul (7,9%).

Considerando o comércio varejista ampliado, a variação entre maio de 2022 e maio de 2021 mostrou um recuo de 0,7% com resultados negativos em 11 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Amapá (-11,1%), Pernambuco (-10,9%) e Bahia (-6,6%). Por outro lado, pressionando positivamente, estão 16 das 27 UFs, com destaque para Sergipe (11,2%), Roraima (8,2%) e Tocantins (7,2%).

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