O Tesouro IPCA+ 2032, na modalidade principal, é a escolha do Santander entre os títulos públicos neste momento. O banco enxerga no papel a melhor relação entre risco e retorno disponível na renda fixa, com base em dois argumentos: prazo e proteção.
“A duration mais curta permite capturar uma taxa de retorno atrativa com riscos relativamente controlados de marcação a mercado”, apontam Ricardo Peretti e Alice Corrêa, estrategistas do Santander. A duration mede a sensibilidade do preço do título a variações nos juros, e quanto menor, menos o papel oscila no caminho até o vencimento.
“Em um cenário adverso, caso a pressão sobre os preços dos combustíveis retome, ou o dólar volte a se valorizar, a proteção inflacionária oferecida pelo título recomendado tende a cumprir adequadamente seu papel”, dizem Peretti e Corrêa.
O que sustenta a cautela
Agosto separou o Brasil do resto do mundo. O Ibovespa fechou o mês em queda de 0,33%, mesmo com a recuperação da segunda quinzena, enquanto S&P 500 e Dow Jones subiram 2,6% e 1,3%, o DAX avançou 2,4% e as bolsas asiáticas ganharam 3,5% na média.
O fluxo estrangeiro explica parte do descolamento, com saldo negativo de R$ 18,600 bilhões até 28 de agosto. Pesaram o ciclo de corte de juros menos intenso do que o esperado, a trajetória fiscal ainda difícil e o crédito mais restritivo, combinação que enfraqueceu a visão construtiva que sustentava o posicionamento no início do ano.
Inflação sob controle, mas sem regime novo
A equipe de economia do banco revisou o IPCA de 2026 de 5,0% para 4,9% em meados do mês, mantendo a Selic em 13,75% ao fim deste ano e 12,75% em 2027, projeção acima do consenso do Focus, que aponta juro terminal de 12,00%.
“Reduzimos nossa projeção para o IPCA de 2026 refletindo surpresas favoráveis em alimentos, combustíveis e serviços. Ainda assim, vemos pouca razão para interpretar esses resultados recentes como o início de um regime mais benigno para a inflação. O El Niño deve voltar a pressionar os preços dos alimentos mais adiante neste ano, o ciclo pecuário aponta para proteínas mais caras e as commodities retomaram tendência de alta”, observam Ricardo Peretti e Alice Corrêa, estrategistas do Santander.
O calendário à frente ajuda a explicar a preferência pelo prazo curto. O Copom decide os juros em 16 de setembro, com a maioria do mercado esperando um último corte de 25 pontos-base, e o Federal Reserve se reúne no mesmo dia, com projeções majoritárias apontando alta de 25 pontos nos Fed Funds. O primeiro turno das eleições ocorre em 4 de outubro, e um eventual segundo turno, em 25 de outubro.
Mais sobre o Tesouro IPCA+
O Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) não paga juros semestrais: o rendimento é reinvestido até o vencimento. A principal vantagem é entregar rentabilidade real, protegida da inflação, com o efeito dos juros compostos trabalhando a favor do investidor ao longo do período.
Por essas características, o papel serve bem a quem poupa no médio e no longo prazo, inclusive para a aposentadoria, e é mais eficiente do ponto de vista tributário que os títulos com cupom semestral. A desvantagem é a marcação a mercado, que pode reduzir o preço unitário antes do vencimento, embora quem carregar o título até o fim receba a taxa contratada na compra.






