A curva de juros nominal (DI) registrou abertura generalizada na semana passada, com alta superior a 10 pontos-base ao longo de praticamente toda a sua extensão. O ajuste atingiu de forma homogênea os vencimentos curtos, médios e longos, segundo o chartbook semanal de macro e renda fixa da BGC Liquidez, assinado pelo economista-chefe Felipe Tavares.
A sessão de maior intensidade foi a quinta-feira (18), quando a maioria dos vértices da curva subiu entre 17 e 27 pontos-base. Os contratos com vencimento entre 2030 e 2032 lideraram a abertura, com altas próximas de 27 pontos-base no dia. A exceção ficou com o vértice mais curto, DI Jan27, que recuou 5,8 pontos-base na mesma sessão.
Movimento perde força na segunda-feira
Na sessão desta segunda-feira (22), a curva DI passou por retração parcial, com queda de 1 a 7 pontos-base na maioria dos vencimentos. O recuo devolveu parte do movimento da semana anterior, mas não foi suficiente para zerar a abertura acumulada.
As NTN-Bs (Tesouro IPCA+) seguiram trajetória semelhante e também abriram ao longo de toda a curva no final da semana passada. O miolo da curva, com papéis entre 2028 e 2033, teve alta superior a 12 pontos-base na sessão de sexta-feira (19). O destaque foi a NTN-B com vencimento em 2029, que avançou mais de 18 pontos-base no mesmo pregão.
A inflação implícita, diferencial entre os títulos prefixados e os indexados ao IPCA, replicou o movimento de abertura, com avanço mais expressivo na ponta longa da curva. Nos vértices entre 2040 e 2060, a alta superou 20 pontos-base na sessão de quinta-feira (18), patamar bem acima do observado nos vencimentos mais curtos.
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Tensão no Oriente Médio pressiona ativos locais
O movimento de abertura da curva acompanhou a escalada das tensões entre Israel e Irã, que elevou a aversão a risco nos mercados globais ao longo da semana. O painel macro do chartbook mostra alta da volatilidade implícita tanto no mercado de ações americano, medida pelo VIX, quanto no mercado de Treasuries, medida pelo índice MOVE, concentrada justamente na janela entre os dias 16 e 18 de junho.
No mesmo período, o Ibovespa perdeu força e o dólar avançou frente ao real, padrão típico de episódios de aversão a risco com origem geopolítica. Esse pano de fundo externo ajuda a explicar por que o movimento de abertura na curva local não ficou restrito a um único trecho, atingindo de forma simultânea juros nominais, juros reais e inflação implícita.
Segundo a BGC Liquidez, o cenário de juros mais altos e maior prêmio de risco cria condições propícias para que o Tesouro Nacional anuncie, em breve, um leilão de recompra de títulos públicos, mecanismo historicamente usado para sustentar a liquidez do mercado secundário em momentos de maior estresse.
A expectativa da casa é que as incertezas externas relacionadas ao conflito no Oriente Médio continuem pesando sobre os ativos locais nas próximas semanas, mesmo após a acomodação observada na sessão desta segunda-feira. O mercado deve seguir monitorando de perto tanto o desenrolar do conflito quanto eventuais sinalizações do Tesouro Nacional sobre o calendário de recompra de títulos.


![Fotografia em plano médio de um analista de investimentos de óculos e camisa social azul escura, sentado em sua mesa de trabalho em uma grande sala de operações financeiras. Ele observa atentamente múltiplos monitores de computador acesi; a tela central exibe gráficos de linha ascendentes sob os títulos "TESOURO PREFIXADO 2029" com a indicação "TAXA: 14.91% p.a." e "TESOURO IPCA+ 2032" com "TAXA: IPCA + 8.56% p.a.". Sobre a mesa de escritório branca, há uma pequena bandeira do Brasil, uma caneca branca com o logo da B3, um caderno de notas e teclado. Ao fundo, através de uma grande janela de vidro com a marca "[B3]³" estampada, avista-se uma avenida movimentada de uma metrópole ao anoitecer, com outros profissionais trabalhando fora de foco ao redor.](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fportal.euqueroinvestir.com%2Fwp-content%2Fuploads%2F2026%2F06%2Ftesouro-direto-hoje-36.webp&w=2048&q=90)



