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Carteira de Renda Fixa do Safra inclui CRA da J.Macêdo e projeta 119% do CDI

Carteira de Renda Fixa do Safra inclui CRA da J.Macêdo e projeta 119% do CDI

CRA substitui debênture da Armac em seleção com seis ativos isentos de IR para pessoa física e fluxo mensal de juros

O Safra incluiu o CRA da J.Macêdo com vencimento em abril de 2030 em sua carteira recomendada de Renda Fixa de julho. O papel substituiu a debênture da Armac com vencimento em 2028.

Segundo o banco, a troca busca capturar um retorno considerado atrativo no novo ativo e preservar a liquidez da carteira. Com a atualização, o portfólio possui rendimento anual projetado de 101% do CDI e prazo médio, medido pela duration, de 3,4 anos.

Ao considerar o benefício tributário dos títulos recomendados, o retorno médio estimado equivale a 119% do CDI para pessoas físicas. A carteira também projeta ganho real de 8,4% ao ano, acima da inflação.

“A carteira de juros é voltada para investidores interessados em obter um fluxo de pagamento mensal. Em julho, fizemos uma alteração, entrando o CRA de J.Macêdo”, informa o Safra.

O pagamento mensal não parte de um único papel. A estratégia combina títulos com calendários diferentes para distribuir o recebimento de juros ao longo do ano.

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Veja os ativos da carteira de renda fixa do Safra

A carteira reúne quatro Certificados de Recebíveis do Agronegócio, os CRAs, e duas debêntures. Todos os papéis indicados possuem rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme as regras aplicáveis.

AtivoInstrumento e devedorVencimentoPagamento de juros
CRA0230073NCRA da J.MacêdoAbril de 2030Janeiro, abril, julho e outubro
CGMG18Debênture da GasmigAgosto de 2031Fevereiro e agosto
CRA0250080YCRA da EldoradoSetembro de 2040Março e setembro
CRA025008NBCRA da Bem BrasilOutubro de 2032Abril e outubro
CTGE11Debênture da EletrosulNovembro de 2028Maio e novembro
CRA025003UZCRA da CooxupéJunho de 2030Junho e dezembro

“A alteração visa capturar um retorno atrativo do nome entrante e manter a liquidez da carteira”, afirma o banco.

Por que o CRA da J.Macêdo entrou na carteira?

A J.Macêdo atua no segmento de alimentos e bebidas e está entre as maiores produtoras de farinha de trigo e massas alimentícias do país. Para o Safra, a companhia apresenta menor sensibilidade ao cenário econômico do que empresas de setores mais cíclicos.

O banco também cita a capacidade de geração de caixa, a alavancagem de 1,3 vez e o índice de liquidez da empresa. A margem Ebitda considerada no relatório é de 16%, enquanto o CRA possui classificação de risco AA(bra) pela Fitch.

“Boa capacidade de geração operacional de caixa, além de baixa alavancagem e índice de liquidez adequado”, destaca o Safra ao apresentar a tese de crédito da companhia.

Entre os pontos de atenção, a casa menciona o efeito da alta do trigo sobre a margem bruta, uma vez que a commodity representa o principal custo da J.Macêdo. A competição com produtores nacionais e internacionais também aparece entre os riscos.

Quanto a carteira pode pagar por mês?

A estimativa de retorno sobre o capital investido varia de 0,24% a 1,37% ao mês entre agosto de 2026 e julho de 2027. Os percentuais consideram apenas os pagamentos de juros e não incluem eventuais amortizações.

Os maiores retornos mensais são estimados para outubro de 2026, com 1,37%, e abril de 2027, com 1,32%. Dezembro de 2026 e junho de 2027 aparecem na sequência, ambos com projeção de 1,12%.

As estimativas podem mudar conforme a curva de juros e as taxas de negociação dos papéis. Bem Brasil e Cooxupé possuem remuneração pós-fixada, enquanto os demais ativos foram comparados pelo Safra com a curva dos títulos públicos ligados ao IPCA.

“Todo o rendimento é isento de IR para pessoa física, com retorno real acima da inflação de 8,4% ao ano”, aponta o relatório.

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Safra destaca crédito, mas também aponta riscos

Além da J.Macêdo, o Safra avalia os fundamentos dos outros cinco devedores. A Gasmig possui baixa alavancagem, margem Ebitda de 39% e contrato de concessão renovado até 2053. Os investimentos na expansão da rede, contudo, podem elevar o endividamento.

Na Eldorado, o banco destaca a geração de caixa e o fim do litígio entre os acionistas. Em contrapartida, a alavancagem de 4,6 vezes, os novos projetos de expansão e a oferta elevada de celulose no mercado internacional aparecem como pontos de atenção.

A Bem Brasil apresenta participação elevada em seu segmento e estabilidade operacional, mas possui receitas concentradas em produtos derivados de batata. Já a Eletrosul combina capacidade operacional e liquidez, embora seu plano de investimentos possa pressionar o fluxo de caixa livre.

A Cooxupé encerra a seleção com escala no mercado de café e estrutura de capital considerada desalavancada. Os principais riscos citados pelo Safra são a dívida de curto prazo, característica das cooperativas, e a volatilidade dos preços do café.