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RDB: o que é | EuQueroInvestir

RDB: o que é | EuQueroInvestir

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

23 Mai 2022 às 00:37 · Última atualização: 23 Mai 2022 · 13 min leitura

Matheus Gagliano

23 Mai 2022 às 00:37 · 13 min leitura
Última atualização: 23 Mai 2022

RDB

Reprodução:Pixabay

Quem decide investir em títulos de renda fixa muitas vezes acaba se deparando com uma verdadeira sopa de letrinhas: LCI, LCA, CDB.. neste artigo vamos falar sobre o RDB, o Recibo de Depósito Bancário. Na prática, ao contratar o investimento desse tipo, o investidor estará “emprestando dinheiro” a uma instituição financeira e recebe rendimentos com juros enquanto o título estiver dentro de seu prazo de validade.

Falando dessa forma, parece que estamos nos referindo ao CDB, que é um título de renda fixa bem semelhante ao RDB. A diferença fundamental entre os dois é que o CDB só pode ser emitido por instituições bancárias, ao passo que o RDB pode ser emitido por instituições como cooperativas e outras instituições financeiras.

Dois impostos incidem sobre o RDB, que é o imposto de renda e o IOF, que é o Imposto sobre Operações Financeiras. Mas é possível minimizar a incidência desses dois impostos sobre a aplicação.

Vejamos o caso do imposto de renda. Este é incidente sobre os rendimentos e é atrelado ao prazo da aplicação. Isso significa que, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado em um RDB, menor será a cobrança do imposto.

No caso do IOF, este só será aplicável caso o investidor decida fazer o resgate da aplicação antes de 30 dias após o primeiro aporte. Passado esse prazo, se o investidor deixar o dinheiro por mais de 30 dias na aplicação, o IOF deixa de ser cobrado.

Assim, como boa parte dos investimentos de renda fixa, o RDB conta com a proteção o Fundo Garantir do Crédito (FGC). Isso significa que o investidor tiver até R$ 250 aplicados nesse título, estará seguro no caso da quebra da instituição financeira à qual ele aplicou seu dinheiro.

Qual a diferença com relação ao CDB?

Apesar do RDB ser bem semelhante ao CDB, existem algumas diferenças marcantes entre ambos os investimentos. A primeira e principal delas é em relação à liquidez dos títulos.

Os CDBs permitem a livre negociação. Ou seja, caso o investidos decida vender seu título no mercado secundário, ele tem a permissão de fazer isso. Porém, com os RDBs isso não é possível. O investidor que comprar um investimento deste tipo, precisará manter a titularidade até a data do vencimento. A não ser que decida resgatar os recursos investidos antes, como nós veremos adiante.

Como dissemos anteriormente, a liquidez é outro ponto que impacta na diferença de liquidez entre esses títulos. Enquanto os CDBs podem ser resgatados antes do vencimento, a qualquer momento, os RDBs requerem a aplicação por todo o período contratado. E caso o investidor decida por fazer o resgate antes, corre o risco de ter prejuízos.

Existem CDBs com liquidação diária. Porém, não há essa possibilidade com relação aos RDBs.

Por conta dessas diferenças, a oferta de RDBs é menor do que a oferta existente de CDBs disponíveis no mercado. O que acaba levando o investidor a uma gama menor de tipos de RDBs disponíveis, o que pode acabar impactando na decisão dele de comprar ou não esse tipo de título de renda fixa.

E essa oferta menor ocorre como consequência de mais uma diferença entre os papéis: as instituições que emitem os CDBs geralmente são apenas os bancos. Já os RDBs podem ser lançados ao mercado por uma quantidade maior de agentes financeiros do mercado. Mas ainda assim, não são tão fáceis de serem encontrados.

Quais são as semelhanças entre um CDB e um RDB?

Agora que vimos as diferenças entre um CDB e um RDB, vamos agora entender as semelhanças entre estes dois títulos de renda fixa. De saída, as semelhanças começam pelo fato de ambos serem instrumentos de captação de recursos de instituições financeiras.

É por meio do RDB e do CDB que há a viabilização do mercado de crédito. O que faz com que este mercado possa ser viabilizado. Possibilitando com que mais pessoas e empresas possam ter suas finalidades de aquisição de bens ou expansão de atividades realizadas. Outra semelhança é que ambos contam com a proteção dada pelo FGC.

Daí, os investidores desses papéis podem sentir mais segurança e confiança no que diz respeito à garantia de recebimento dos recursos, principalmente em caso de quebra das instituições emissoras.

Encerrando as semelhanças, as características de rentabilidade são bastante semelhantes, pois a natureza das instituições que os emitem é a mesma.

Há ainda o fato das duas aplicações possuírem semelhança quando o assunto é tributação dos investimentos. Tanto um quanto o outro obedece a uma tabela de tributação dos rendimentos. E os dois oferecem uma tabela regressiva por tempo de aplicação usada nos investimentos do mercado de renda fixa, à medida em que os investimentos permanecem rendendo na aplicação.

Entendendo a incidência do IR

É bom lembrar ainda que o RDB, assim como o CDB, são aplicações consideradas de baixo risco. Quanto à incidência do imposto de renda, a incidência é regressiva, ou seja: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado no fundo, mais vai caindo o imposto. Vamos entender como ela funciona:

Até 180 dias: incidência de 2,5%

De 181 a 360 dias: incidência de 20%

De 361 a 720 dias: incidência de 7,5%

Acima de 720 dias: incidência de 15%.

A grande vantagem do RDB com relação ao CDB é o rendimento. Geralmente, o primeiro possui taxas maiores de retorno com relação ao segundo. Isso porque possuem recursos aplicados em empréstimos de juros maiores.

Por exemplo: existem tipos de RDBs que possuem rendimentos que atingem um patamar que varia de 124% a 125% da taxa DI o que, por si só, já vale a pena.

Quais são as características de um RDB?

O RDB possui algumas características próprias que fazem com que este investimento se torne diverso com relação ao CDB. São poucas, mas fundamentais diferenças. Confira a seguir:

Intransferibilidade

O fato do título não poder ser transferido de um titular a outro é um dos aspectos considerados mais marcantes de um RDB. Por isso, na contramão de grande parte dos títulos de renda fixa disponíveis no mercado, ele não pode ser negociado em um mercado secundário de forma a ser de outro detentor.

Isso significa que, na prática, quem investe em um título RDB mantém a titularidade desse papel até o seu vencimento. Ou seja: o investidor precisa ficar com o título sem poder transferir a outros. Por essa razão, é extremamente recomendável ter um bom planejamento em relação ao recurso investido.

Até existem algumas instituições que lançam RDBs com a possibilidade da liquidação antecipada. Porém, são poucos os casos em que isso ocorre. E se ocorrer, o investidor corre o risco de deixar o título sem nenhum rendimento, ficando no prejuízo. Daí, em vez de ganhar rendimentos, acaba por perder dinheiro e ver seu patrimônio reduzir, o que não é nada agradável.

E além disso tudo, como existe a ocorrência de inflação no período, isso significaria uma perda de capital indireta, pois o dinheiro investido inicialmente não teria mais o mesmo poder de compra de antes, ainda que o investidor consiga resgatar todo o valor investido.

Risco reduzido

O risco reduzido também é uma característica significativa deste título de renda fixa. E assim como outros semelhantes papéis da mesma modalidade de investimentos, o RDB conta com a proteção do FGC, como já vimos anteriormente. Isso significa que, possuindo a cobertura do FGC, o investidor não perde o recurso investido caso a instituição financeira na qual ele contratou o título quebre ou deixe de existir por alguma razão.

RDB
Reprodução: Pixabay

Dessa forma, o investidor tem a garantia de ser ressarcido pelo FGC em um valor que vai até R$ 250 mil por CPF e por instituição. No total, a garantia é de até R$ 1 milhão para um mesmo investidor.

Portanto, mesmo que a instituição emissora do RDB vá à falência, quem investiu no RDB pode ter seu dinheiro de volta por inteiro, caso se encaixe nas regras previstas pelo fundo para fazer o ressarcimento dos recursos investidos.

Rendimento maior que a poupança

Geralmente, o rendimento de um RDB supera o rendimento da aplicação mais popular entre os brasileiros, a caderneta de poupança. Esse é um fator consideravelmente mais atraente para pessoas cujos perfis de investimentos são conservadores e que têm preferência por investir dinheiro em títulos de renda fixa.

Isso pode ser explicado pelo fato de que, como o recurso necessita ficar aplicado pelo prazo total até o dia do vencimento, a instituição consegue oferecer uma rentabilidade maior. Não é difícil encontrar RDBs com rendimento superiores a 120% do CDI.

Para ter uma ideia mais exata dessa comparação, o rendimento da poupança não passa de algo em torno de 70% do CDI. Com o passar do tempo, essa é uma diferença que tende a se tornar ainda mais profunda, especialmente e considerarmos cenários de mais longo prazo, onde a poupança pouco rende e ainda acaba perdendo para a inflação do período.

Valor mínimo de aplicação

Outro ponto importante a ser destacado é o valor mínimo para aplicação. Porém, esse é um item que varia dependendo do tipo de remuneração contratada.

Mas, via de regra, para aplicar em um RDB, não requer que o investidor precisa alocar grandes somas de capital a princípio. Esse é um ponto positivo porque beneficia quem possui recursos reduzidos e quer começar a investir em renda fixa. Além disso, desmonta a barreira que impede a entrada no mercados dos pequenos investidores.

Há aplicações que, por exigir um aporte mínimo mais elevado, acaba sendo destinado aos chamados investidores qualificados, ou seja: aqueles que possuem um capital disponível mais elevado para investir. 

Normalmente, é possível investir em um RDB a partir de R$ 1 mil. Comparando com aplicações iniciais na casa dos R$ 10 mil como a de alguns fundos de investimento, esse é um valor bem moderado.

RDB é seguro?

Como todo tipo de investimento, o RDB possui algum grau de risco, mesmo que este seja considerado bem menos elevado que os demais. Porém, antes do investidor comece a alocar seu capital precisa ter em mente que menos risco não significa que a aplicação seja isenta de riscos.

Ainda que o RDB conte com as garantias dadas pelo FGC, no caso da falência de uma instituição, sempre existe o risco de o investidor não receber o dinheiro de volta. Além disso, altas da inflação e variação de outros índices econômicos considerados relevantes pode fazer com que o investidor possa perder dinheiro, caso não trace uma estratégia bem planejada na hora de contratar o título de renda fixa.

Por isso, é sempre bom se atentar para o fato do título ser pós ou pré-fixado. Caso seja pós-fixado, a rentabilidade pode ser maior quando há elevação dos juros. Por outro lado, se os mesmos juros caírem, o investidor perde rentabilidade.

Já nos pré-fixados, o investidor já sabe de antemão quanto irá receber ao final do prazo de investimento. No entanto, ele pode acabar sendo penalizado em momentos de subida de juros ou da inflação, no caso o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o índice adotado pelo governo para as metas oficiais de inflação.

Mas em contrapartida, se os juros caírem, o investidor não será afetado. Isso porque incide apenas as taxas do período de quanto ele contratou o título. Daí se os juros caírem depois disso, ele não perde dinheiro.

Vamos entender melhor a matemática dessa equação. Se um investimento pré-fixado render 15% e as taxas de juros estiverem a 20%, há perda de dinheiro nesse caso. Daí acaba sendo mais aconselhável resgatar o dinheiro e investir novamente a essa taxa. Mas se ocorrer o contrário do está exposto nessa equação, o investidor leva vantagem, pois se tiver contratado o título com 20% de juros e estes caírem para 15%, houve ganho.

Tá, e aí? O que isso significa para o investidor?

Diante de todos os dados que vimos anteriormente, pode-se dizer que investir em papéis como o RDB é considerada uma boa opção para quem tem a capacidade e a estratégia de executar aplicações a longo prazo, como cinco anos por exemplo.

Mas é importante lembrar que a rentabilidade obtida por meio desse papel pode ser maior que um CDB, mas é necessário que a aplicação seja mantida até a data do vencimento. Por isso, é importante ter em mente que ter um bom planejamento é essencial. Além disso, também contam outros fatores, como objetivos traçados. Afinal, todo investidor precisa se perguntar: por que é necessário investir em determinados títulos? O que está sendo buscado e aonde quer chegar? São perguntas importantes que precisam ser respondidas. Assim, o investidor terá mais clareza quanto ao horizonte que terá pela frente.

Do contrário, o investidor pode acabar não conseguindo explorar todo o potencial de rendimento que essa modalidade de renda fixa oferece, perdendo dinheiro e deixando de obter ganhos reais frente à inflação, alta dos juros e outros fatores.

Considerando que existem modalidades de aplicações pré e pós-fixadas e que ambas têm características diferentes, com prós e contras, é preciso se cercar do melhor conhecimento possível e saber montar a melhor estratégia de investimento.

Para traçar um bom planejamento, o investidor pode acessar a equipe da EQI Investimentos. Eles possuem a expertise e conhecimento profundo do mercado de forma a ajudar o investidor a conseguir traçar uma estratégia de investimentos bem interessante e diversificada. Assim, é sempre interessante buscar a melhor orientação disponível no mercado para obter as melhores forma de investir em RDB e diversificar seus investimentos.

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