O Ibovespa hoje (28) renovou o recorde de fechamento ao registrar elevação de 0,45%, aos 159.072 pontos, variando entre 158.077 e 159.689 pontos. O giro financeiro do dia foi de R$ 24,9 bilhões. Na semana, a bolsa de valores acumula alta de 2,78% e, em novembro, de 6,37%.
O pregão marcou o fim de novembro, com os mercados nos Estados Unidos funcionando em horário encurtado, na ressaca do feriado de Ação de Graças. Lá fora, a liquidez menor convive com um rali sustentado pela expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), enquanto uma pane em sistemas da Bolsa de Chicago adiciona um ruído extra aos negócios com derivativos.
No Brasil, o dado central do dia é o mercado de trabalho. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, renovando a mínima histórica da série da Pnad Contínua e ficando abaixo da mediana de 5,5% projetada por economistas.
O movimento tem leitura ambígua para os ativos de risco. De um lado, mais gente ocupada e com renda sustenta o consumo e o crescimento. De outro, um mercado de trabalho muito aquecido acende o alerta do Banco Central para pressões inflacionárias, o que tende a adiar ou limitar cortes na taxa Selic, mantida em 15% ao ano nas três últimas reuniões do Copom.
Na véspera, o Caged já havia mostrado criação de vagas formais abaixo do esperado, sinalizando alguma perda de tração na geração de empregos com carteira assinada. Mesmo assim, falas consideradas mais duras do presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçaram a cautela do mercado em relação ao início de um ciclo de afrouxamento monetário. Ele voltou a dizer que o desaquecimento da economia tem sido “bastante lento e gradual”, mensagem que ajuda a sustentar prêmios nos juros futuros.
Em paralelo, o ambiente doméstico traz outros pontos de atenção:
- Taxas do Tesouro Direto e dos DIs sobem em toda a curva, reagindo à combinação de desemprego baixo, dados fiscais e comunicação mais conservadora do BC;
- O setor público consolidado registrou superávit primário em outubro, mas a dívida bruta subiu para 78,6% do PIB, mantendo o quadro fiscal no centro do radar;
- O IFIX, índice de fundos imobiliários, avança próximo de 0,5%, em linha com o apetite por ativos de renda passiva, mas sob influência das oscilações de juros;
- Investidores seguem de olho na reforma do Imposto de Renda e na corrida das empresas por dividendos antes das novas regras.
Petrobras apanha após plano; Vale sobe com dividendo bilionário
Entre as ações, o pregão desta sexta-feira foi marcado por direções opostas de duas gigantes do Ibovespa.
A Petrobras (PETR3; PETR4) figurou entre as principais quedas do dia, com recuos próximos de 3%, após divulgar, na noite de ontem, seu Plano de Negócios 2026–2030. A companhia reduziu o Capex previsto para US$ 109 bilhões, cerca de 1,8% abaixo dos US$ 111 bilhões do plano anterior (2025–2029), em movimento atribuído ao patamar mais baixo do preço do petróleo e à necessidade de preservar disciplina de capital.
Apesar de o ajuste ter sido visto como relativamente moderado por parte dos analistas, o mercado reage com realização de lucros e maior atenção à estratégia de investimentos e à política de dividendos da estatal, que segue como um dos principais temas de curto prazo para a ação.
Na direção oposta, a Vale (VALE3) ajudou a sustentar o índice, com alta em torno de 2%, após anunciar proventos de R$ 15,3 bilhões, equivalentes a R$ 3,58 por ação, em movimento que surpreendeu parte do mercado e reforçou a leitura de confiança na geração de caixa da mineradora. O pacote inclui componente extraordinário e tende a agradar investidores focados em retorno via dividendos.
Os grandes bancos também operam em alta, com ITUB4 subindo mais de 2%, enquanto papéis de consumo e varejo apresentam desempenho misto. No segmento de energia, Axia Energia oscila após anunciar proposta de distribuição de reservas de lucro por meio de bonificação em ações e retomar estudos para migrar ao Novo Mercado.
Ibovespa hoje: mercados do exterior
No exterior, o dia foi de agenda esvaziada, liquidez menor e alguns ruídos pontuais de mercado.
Wall Street encerrou a sessão desta sexta-feira em alta, em um pregão encurtado após o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. Os principais índices acionários avançaram, apoiados pelo desempenho positivo das empresas de tecnologia e pelo apetite moderado por risco.
O índice de forte presença do setor de tecnologia registrou alta de 0,65%, encerrando o dia aos 23.365,69 pontos. O S&P 500 também avançou, subindo 0,61% e fechando em 47.716,42 pontos, após adicionar 289,30 pontos no pregão.
Já o Dow Jones Industrial Average teve valorização de 0,54%, fechando a sessão aos 6.849,09 pontos. A movimentação marcou um retorno relativamente otimista dos investidores ao mercado após o feriado, ainda que em um dia de menor volume de negociações.
Na Europa, as bolsas operam mistas, com investidores digerindo sinais de desaceleração gradual da inflação e avaliando por quanto tempo o Banco Central Europeu (BCE) manterá juros em níveis restritivos. Dados recentes mostram expectativas ainda ancoradas em torno da meta de 2%, o que favorece a leitura de estabilidade monetária no curto prazo.
Já na Ásia, os mercados encerraram o dia sem direção única, com destaque para o Japão, onde o índice Nikkei avançou apoiado em um pacote de estímulos equivalente a US$ 117 bilhões, reforçando a postura fiscal expansionista do governo. Na China, índices fecharam em leve alta, enquanto Hong Kong oscilou perto da estabilidade.
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O que é o Ibovespa hoje?
O Ibovespa (Índice Bovespa) é o principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, atualmente chamada B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). Ele funciona como um termômetro do mercado acionário brasileiro, mostrando se, em média, as ações das principais empresas do país estão subindo ou caindo.
Como o Ibovespa funciona?
Imagine o Ibovespa como uma cesta de ações: ele é composto por uma seleção das ações mais negociadas e com maior representatividade no mercado. Essa cesta é revista a cada quatro meses, e podem entrar ou sair ações, dependendo do volume de negócios e da relevância de cada empresa.
Atualmente, o índice inclui ações de grandes empresas brasileiras, como Petrobras, Vale, Itaú, Ambev, entre outras. Cada ação dentro do Ibovespa tem um peso diferente, de acordo com seu volume de negociação e valor de mercado. Isso significa que uma alta nas ações da Petrobras, por exemplo, pode impactar mais o índice do que uma alta em uma empresa menor.
Para que serve o Ibovespa?
O Ibovespa é utilizado por investidores, analistas e gestores como um ponto de referência (benchmark) para avaliar o desempenho de investimentos em ações no Brasil. Ele também serve como um indicador da confiança dos investidores na economia brasileira: quando o índice sobe, geralmente é sinal de otimismo; quando cai, indica maior pessimismo ou incerteza.
Importante saber:
- O Ibovespa não é uma empresa nem uma ação específica – é um índice, ou seja, uma medida.
- Ele reflete tendências, mas não garante resultados futuros.
- Seu valor é expresso em pontos, e esses pontos representam a soma ponderada dos preços das ações que compõem o índice.
Exemplo simples:
Se hoje o Ibovespa está em 120 mil pontos, e amanhã ele vai para 122 mil pontos, isso significa que, em média, as ações das principais empresas da bolsa valorizaram cerca de 1,67%.
Ou seja, o Ibovespa é uma ferramenta essencial para quem acompanha o mercado financeiro brasileiro. Mesmo que você ainda não invista em ações, entender o que ele representa ajuda a interpretar melhor as notícias econômicas e a evolução da economia do país.
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