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EXCLUSIVO! CEO da Joyn Benefícios promete cortar 10% dos gastos com benefícios sem sequer olhar o contrato

EXCLUSIVO! CEO da Joyn Benefícios promete cortar 10% dos gastos com benefícios sem sequer olhar o contrato

Fundador da Joyn Benefícios, plataforma de gestão de benefícios, diz reduzir custos sem olhar apólice e aposta em personalização como próxima fronteira do mercado

Toda vez que Gustavo Chehara, fundador da Joyn Benefícios, senta com um potencial cliente, faz a mesma provocação. Promete cortar pelo menos 10% do gasto com benefícios da empresa sem sequer olhar o contrato vigente.

Na visão do executivo, o problema das companhias brasileiras está na forma fragmentada como contratam plano de saúde, vale-transporte, vale-alimentação e seguros corporativos.

Fundada em 2021 e com operação comercial iniciada em 2022, a Joyn Benefícios entrou para o grupo das cinco maiores vendedoras das principais operadoras do país, segundo o próprio executivo.

O caminho até ali passou por um ano de desenvolvimento do sistema proprietário e pela trajetória pouco usual de um empreendedor vindo do varejo alimentício.

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Do outro lado

Até 2019, Chehara comandava o grupo Nsra, indústria de alimentos com três marcas franqueadoras. Eram cerca de 350 funcionários na fábrica e outras 180 lojas na rede. Naquela posição, como contratante de serviços de benefícios, passou a questionar a lógica fragmentada do setor.

“Eu recebia o pessoal que vinha atender com plano de saúde, ou recebia o pessoal que vinha atender com vale-refeição, com vários produtos. E sempre me ficava aquela dúvida do tipo: por que cada um vem aqui trazer uma solução individualizada? Eu não era um vendedor, era um comprador de benefício. E essa não é a dor de quem está do outro lado da mesa. Quem está do outro lado da mesa quer resolver a situação da melhor maneira possível, mais prática e mais econômica”, recorda.

A Nsra foi vendida em 2019 para um fundo estrangeiro. Uma cláusula contratual impediu Chehara de atuar no mesmo segmento, o que abriu espaço para desenhar a Joyn. A companhia passou cerca de um ano em desenvolvimento antes de abrir as portas comercialmente.

“Quando eu criei a Joyn, a minha ideia foi trazer exatamente as dores que eu tinha como comprador, trazendo soluções completas do ponto de vista de gestão de pessoas. A gente acaba atendendo com uma única solução, um único portal. Isso me traz eficiência, me traz praticidade, me traz uma gestão muito mais unificada e, por consequência, me traz economia. Primeiro porque eu não vendo um produto só, vendo vários produtos, então eu tenho uma potência comercial muito maior. Segundo porque, num único portal, eu consigo controlar todos os benefícios de uma empresa”, explica.

A filosofia, segundo o executivo, vem de casa.

“Meu pai, como bom árabe, tinha um ditado. Ele dizia: filho, você sabe qual é a maneira mais fácil de você ficar rico? É não gastando. É mais fácil você ficar rico comprando melhor, gastando melhor”, conta.

A régua da Ofner

O caso mais citado pelo executivo é o da rede Ofner, atendida pela Joyn desde 2022. Antes da contratação, a sinistralidade do plano de saúde da empresa, que mede o gasto em relação ao arrecadado pela apólice, estava em 126%. No ano passado, o indicador caiu para 72%, e o efeito sobre o boleto teria ficado na casa de R$ 4 milhões por ano.

“A Ofner tinha uma sinistralidade de 126%, porque o plano de saúde dela não era adequado. As pessoas utilizavam errado o plano, ela tinha planos completamente inadequados e tinha uma negociação muito ruim. A gente entrou em 2022. No ano passado, a gente conseguiu trazer a sinistralidade para 72%. A gente baixou em quase 50% a sinistralidade. Isso gerou uma economia da ordem de mais ou menos quatro milhões de reais por ano. Isso é dinheiro direto na vida da empresa”, afirma Chehara.

Em outro caso, conta o executivo, a Joyn foi chamada a uma empresa que oferecia um plano de categoria média em uma cidade com um único hospital instalado. A apólice garantia acesso a cerca de 400 hospitais, sem utilidade prática para aquele público.

“Ela oferecia um plano que dava 400 hospitais, só que na cidade tinha um. Não tinha porque ela estar naquele plano. Quando a gente rodou isso na nossa base, o sistema falou: não está adequado, está errado. Ela saiu de um gasto per capita só em plano de saúde que estava gastando da ordem de 450 reais por pessoa para 180, de cara, sem fazer nada”, relata.

Além do dimensionamento, a gestão ativa envolve uma área médica interna que cruza os relatórios mensais das operadoras. Quando um exame de imagem indica suspeita oncológica, o sistema aciona um médico da Joyn para procurar o beneficiário antes do avanço do quadro. Segundo o executivo, oncologia é um dos gastos que mais pressionam a sinistralidade.

“A nossa, diferente das outras corretoras e consultorias, o nosso trabalho não é passivo. Eu não atendo quando sou acionado, atendo antes de ser acionado. É o que a gente fez na Ofner, saí de 126% de sinistralidade e vim para 70. Em saúde, é muito mais barato você prevenir, ou tratar de maneira adiantada, do que tratar quando já está lá na frente”, afirma.

O executivo destaca que as corretoras tradicionais operam sob um incentivo contrário ao do cliente. Na Joyn, o modelo de remuneração estaria vinculado à economia comprovada. 

“A corretora ou a consultoria recebe pelo valor que ela vendeu, uma comissão. Ela não tem muito interesse de que aquilo se reduza muito. A gente trabalha de uma maneira diferente, onde eu ganho dinheiro no sucesso dele. Eu não ganho dinheiro na economia que ele tem. Então eu tenho todo o interesse do mundo de pegar e trazer esse boleto do cara lá para baixo”, sustenta.

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Futuro é personalizar

Para os próximos anos, Chehara vê o mercado brasileiro seguindo uma tendência já consolidada no exterior. Trata-se da adoção de plataformas unificadas que permitem ao próprio colaborador compor o pacote.

O modelo lembra marketplaces como o de parceiros do iFood, em que o funcionário troca parte do benefício tradicional por itens alinhados à própria rotina.

“É uma tendência não só brasileira, mas uma tendência mundial. Fora do país já é muito normal, muito comum. Aqui dentro, os maiores players, as maiores empresas já têm hoje plataformas unificadas de benefícios. Normalmente é uma tendência que vem de cima para baixo, das grandes corporações, até por uma questão de ter uma equipe maior de RH que consegue desenvolver. Depois acaba chegando nas médias”, observa.

Durante a entrevista, o executivo usa o próprio repórter como ilustração. Morador da Barra Funda e com deslocamento à Faria Lima feito em bicicleta, faria mais sentido ao colaborador trocar o vale-transporte por um auxílio para o equipamento. Uma bike de R$ 4 mil, parcelada em dez vezes, fica em torno de R$ 400 por mês, valor próximo ao que muitos funcionários já recebem em passagens.

“A gente, quando era novo, ia trabalhar numa empresa e recebia vale-transporte ainda em papel. Era um ticketzinho. Só que eu morava a três quarteirões de onde trabalhava. Eu não usava vale-transporte, ia a pé, ia de bicicleta. Então o estudante da época da faculdade fazer o quê? Vendia isso para tomar cerveja no barzinho. Muita gente vendia vale-transporte, vale-alimentação. Era um mercado negro. Por que não transformar isso num benefício em que, ao invés de ter um plano de saúde de uma categoria que não precisa, o cara possa oferecer um assistente para o cachorro dele, ou um seguro para o celular?”, argumenta.

A crítica de Chehara ao modelo vigente inclui o que chamou de dependência de relações pessoais.

“A gente vê muitas empresas, às vezes muito grandes, em que a consultoria, a corretora que atende é o amigo do dono, amigo do presidente. Às vezes é um cara que tem uma corretora de seguro, que faz o seguro do carro do dono, e aí vai ficando, vai crescendo. Ele não é especializado naquilo. Eu acho que as corretoras ainda são muito antiquadas. Elas ainda pensam muito mais com a cadeira de quem vende e não com a cadeira de quem compra”, afirma.

Ao fim da conversa, a provocação inicial ressurgiu, agora dirigida à própria EQI Investimentos, proprietária do portal EuQueroInvestir e da qual o próprio executivo é cliente.

“Eu não sei o quanto vocês pagam, eu não sei o que vocês têm. Se eu não baixar em 10% que vocês gastam, tá resolvido”, disse, em tom de brincadeira, desafiando a EQI a colocar a garantia à prova.