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RBSE: impacto nas ações de Axia e ISA preocupa investidores

RBSE: impacto nas ações de Axia e ISA preocupa investidores

Incertezas sobre taxa de remuneração e decisões judiciais seguem como principal fator de volatilidade

As atualizações envolvendo o RBSE podem ter impacto maior do que o inicialmente estimado nas ações da Axia (AXIA3) e da ISA Energia (ISAE4), embora ainda existam incertezas relevantes no cenário regulatório, mostra um relatório publicado nesta segunda-feira (8) pelo Bank of America.

O RBSE, sigla para Rede Básica do Sistema Existente, representa um conjunto de ativos antigos de transmissão de energia elétrica cujas receitas passaram por revisão regulatória após a renovação das concessões no Brasil.

Esses ativos geram valores a receber (recebíveis) pelas empresas, corrigidos ao longo do tempo por parâmetros financeiros como o Ke (Custo de Capital Próprio).

Cenário mais restritivo pode afetar valuation

O Bank of America revisou suas estimativas considerando um cenário mais conservador para a remuneração desses recebíveis. Nesse contexto, o impacto negativo no valor presente líquido (NPV) — indicador que representa o valor atual dos fluxos de caixa futuros — poderia chegar a cerca de -5% para Axia e -8% para ISA Energia.

O ponto central da discussão envolve o Ke, que é o custo do capital próprio (cost of equity), utilizado para atualizar monetariamente os recebíveis. Caso esse componente seja retirado ou reduzido, o valor desses ativos tende a cair.

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Além disso, o banco avaliou cenários alternativos considerando a possível substituição do Ke por parâmetros mais baixos, como o WACC regulatório. Em cenários mais extremos, a eliminação total do ajuste monetário poderia gerar impactos ainda mais relevantes sobre o NPV das companhias.

Apesar disso, o relatório destaca que a incerteza permanece elevada, já que pontos importantes da decisão judicial ainda não foram definidos, incluindo qual taxa substituirá o Ke e qual será a abrangência das ações judiciais.

Axia 3 irmãos
(Imagem: Divulgação/ Axia)

Riscos existem, mas já estariam nos preços

Mesmo com o aumento do risco teórico, o Bank of America avalia que boa parte dessas preocupações já está refletida nos preços das ações. Isso é evidenciado pelos níveis de retorno implícito atual.

A taxa interna de retorno (IRR), que representa o retorno esperado de um investimento ao longo do tempo, está em cerca de 14% para Axia e 12% para ISA Energia em termos reais, o que indica prêmio relevante frente a outros ativos do mercado.

Outro ponto importante é o risco de expansão das decisões judiciais. Até o momento, o impacto se limita a um número restrito de processos, o que reduz a probabilidade de uma revisão estrutural ampla no modelo de remuneração.

Oportunidades permanecem no setor elétrico

Apesar do cenário mais desafiador no curto prazo, o banco mantém recomendação de compra para ambas as empresas, destacando fatores estruturais positivos que podem sustentar o valor no longo prazo.

No caso da Axia, o destaque é o potencial de valorização decorrente de futuras revisões de preços de energia. Já para a ISA Energia, o valuation é considerado atrativo, com possibilidade de ganhos adicionais não precificados pelo mercado.