A Revolut pode passar por uma forte reprecificação, atingindo valor próximo de US$ 115 bilhões, o que a colocaria em cerca de duas vezes o valor de mercado do Nubank (ROXO34), aponta uma análise do BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira (8).
Apesar disso, o banco destaca que a comparação revela diferenças importantes entre os modelos de negócio: enquanto o Nubank é mais focado em crédito e América Latina, a Revolut opera com um perfil global e mais diversificado, o que ajuda a justificar o prêmio de valuation.
“Se confirmado, o valuation implicaria uma reprecificação significativa em relação aos níveis anteriores”, destacam os analistas.
Revolut vs. Nubank (ano fiscal de 2025 – milhões de dólares)
Novo valuation reforça diferença entre fintechs
A possível nova rodada secundária de ações da Revolut representa um salto relevante em relação à última avaliação, feita em novembro, quando a empresa foi avaliada em US$ 75 bilhões. O novo nível indicaria uma alta de cerca de 53%, refletindo forte demanda por papéis da companhia.
O movimento também reforça o interesse crescente de investidores por empresas com escala global e múltiplas fontes de receita. A Revolut atua em áreas como câmbio, pagamentos, investimentos, criptoativos e contas empresariais, o que amplia suas possibilidades de monetização.
“A Revolut apresenta um perfil mais global e com múltiplas frentes de receita, o que sustenta a percepção de crescimento”, afirmam Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
Diferenças de modelo explicam valuation
Segundo o BTG, a comparação direta entre Revolut e Nubank exige cautela. Embora ambas sejam fintechs de grande escala, as características operacionais são distintas.
O Nubank tem uma base maior de clientes e forte presença na América Latina, mas sua operação é mais concentrada em crédito, o que o expõe mais ao ciclo econômico. Já a Revolut se posiciona como uma plataforma financeira global, com receitas mais diversificadas e menor dependência de crédito.
Essa diferença impacta diretamente o valuation. Enquanto a Revolut pode alcançar um valor equivalente a duas vezes o do Nubank, a fintech brasileira negocia com múltiplos mais baixos, refletindo maior risco e menor diversificação.
“O Nubank continua mais exposto ao crédito e à região, enquanto Revolut opera com um modelo mais leve e diversificado”, destacam os analistas.
O cenário recente também influencia essa leitura. O Nubank registrou queda relevante no valor de mercado ao longo de 2026, o que ampliou a diferença em relação à concorrente global.
Para o BTG, essa divergência pode continuar sendo debatida pelo mercado, especialmente à medida que as fintechs ganham escala e passam a disputar capital global.
“Essa comparação tende a ganhar relevância à medida que investidores globais buscam referências dentro do universo de bancos digitais”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
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