As BDRs do PagBank (PAGS34) despencam quase 8% após a empresa reportar resultados do primeiro trimestre de 2026 em linha com as expectativas do mercado, com sinais de melhora em fundamentos-chave que ainda não se traduzem plenamente em rentabilidade.
O lucro líquido (GAAP) totalizou R$ 546 milhões, alta de 7% na comparação anual e queda de 13% na base trimestral, com retorno sobre patrimônio (ROAE) de 15%, avanço de 140 pontos-base em relação ao 4T25.
Banking como destaque do trimestre
O segmento bancário foi o principal motor dos resultados. A carteira de crédito cresceu para R$ 5,0 bilhões, alta de 8,8% ano a ano e no topo do guidance da companhia. Os depósitos totais avançaram 23% ano a ano, para R$ 41,6 bilhões, com queda na remuneração — o APY recuou para 83,9% do CDI, redução de 2,9 pontos percentuais na comparação trimestral.
Para os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do Safra, “a expansão da carteira de crédito e o crescimento sólido da base de depósitos, combinados com taxas de remuneração mais baixas, tornaram as iniciativas de banking o destaque do trimestre.”
Os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, da XP, reforçam a visão positiva sobre o segmento: “No banking, a carteira de crédito cresceu de forma robusta para R$ 5,0 bilhões, no topo do guidance, sustentando a geração de receitas, ainda que com maior risco — alta de 90 pontos-base no custo de risco na comparação trimestral.”
Pagamentos seguem como entrave
O segmento de pagamentos continuou sendo o calcanhar de Aquiles da companhia. O TPV totalizou R$ 128,2 bilhões, estável ano a ano e recuo de 9,9% na comparação trimestral. Apesar da melhora em relação a trimestres anteriores, o volume ainda não acelerou de forma consistente.
“O TPV atingiu R$ 128,2 bilhões, estável ano a ano, sugerindo que os volumes se estabilizaram e estão começando a se recuperar, embora ainda sem se traduzir em crescimento consistente”, apontam os analistas da XP.
O Safra complementa: “A operação de pagamentos continuou sendo impactada por tendências setoriais, com o TPV permanecendo estável ano a ano — desempenho melhor do que o observado em trimestres anteriores.”
Lucro bruto e perspectivas divergem entre bancos
A receita líquida somou R$ 3,3 bilhões, alta de 6% ano a ano, com o lucro bruto de R$ 1,9 bilhão ficando estável na mesma base. A margem bruta recuou 140 pontos-base na comparação trimestral, para 56,6%, pressionada pelo segmento de pagamentos. As despesas operacionais (Opex GAAP) caíram 2% ano a ano, para R$ 1,3 bilhão, refletindo disciplina de custos.
“A pressão contínua em pagamentos e os custos de funding ainda elevados compensam as melhorias, limitando a conversão em lucros”, avaliam os analistas da XP, que mantêm recomendação de compra com preço-alvo de US$ 11,40.
O Safra, por sua vez, reitera postura neutra com preço-alvo de US$ 12. Para Vaz, Guedes e Nobre, “o crescimento do lucro bruto é a única métrica atualmente fora do intervalo do guidance, mas a companhia indicou que deve convergir gradualmente ao longo do ano, sustentada por cortes de juros e uma base de comparação mais fácil.”






