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Cruzeiro do Sul cresce 4,5% em receita, mas lucro recua 28%

Cruzeiro do Sul cresce 4,5% em receita, mas lucro recua 28%

Companhia registrou receita líquida de R$ 702 mi, alta de 4,5%, mas o lucro ajustado caiu 28%, pressionado por provisões e investimentos

A Cruzeiro do Sul (CSED3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 702 milhões, crescimento de 4,5% frente aos R$ 671,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado positivo na linha de receita, porém, convive com um cenário mais desafiador de rentabilidade: o lucro líquido ajustado recuou 28,1%, de R$ 87,3 milhões para R$ 62,7 milhões, pressionado principalmente pelo aumento de provisões para créditos de liquidação duvidosa (PECLD), por despesas crescentes com pessoal voltado à tecnologia e por mudanças na contabilização de investimentos em sistemas.

O desempenho ocorre em um momento de significativa transformação setorial. A entrada em vigor do novo marco regulatório do ensino a distância alterou os formatos de oferta permitidos, extinguindo o modelo de aulas ao vivo — que respondia por 13% da captação — e reduzindo a carga pedagógica de 16% para 10%. O impacto foi direto na base de estudantes: a companhia fechou o trimestre com 554 mil alunos, queda de 4,5% ante os 580 mil do 1T25.

Queda de captação digital não impediu avanço de receita

No ensino digital e semipresencial, a captação consolidada recuou 28,1% na comparação anual. Excluindo os cursos que migraram de canal — do formato digital para o semipresencial — ou foram descontinuados, o crescimento teria sido de 3,9%, o que a companhia chama de “vendas mesmos cursos”. A base de alunos do segmento fechou em 377 mil, redução de 5,8% frente ao primeiro trimestre de 2025.

Apesar da contração na base, a receita líquida digital avançou 7,4%, atingindo R$ 228,6 milhões. O principal motor foi o ticket médio, que saltou 14,6%, de R$ 179 para R$ 206 por mês, impulsionado pela maior participação do semipresencial no mix — modalidade que passou de 12% para 19% da base digital em um ano e agrega maior valor por aluno.

A rematrícula no segmento digital também evoluiu, alcançando 79% da base apta, avanço de 2,2 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2025, sinalizando maior retenção mesmo em um ciclo desafiador de captação.

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Presencial mantém crescimento

No ensino presencial, a base de graduação encerrou o trimestre em 169 mil alunos, queda de 1,7% ante o primeiro trimestre de 2025, reflexo da redução de portfólio de cursos e do reposicionamento das marcas frente a um mercado mais competitivo. Ainda assim, a receita do segmento cresceu 2,8%, totalizando R$ 493,9 milhões, sustentada pelo avanço do ticket médio, que subiu 5%, de R$ 882 para R$ 926 por mês.

O destaque veio da área de saúde, cujos cursos — entre eles medicina, enfermagem e odontologia — registraram receita de R$ 363 milhões, crescimento de 6,1%. A participação de alunos de saúde na base presencial avançou de 53% para 55%, contribuindo para o efeito mix que sustentou a expansão de margem bruta. A rematrícula presencial alcançou 91% da base apta, alta de 1,4 ponto percentual frente ao 1T25 — o maior índice de retenção recente do segmento.

EBITDA cai, mas caixa se mantém e alavancagem recua

O Ebitda ajustado do trimestre totalizou R$ 210,4 milhões, queda de 16,3% ante os R$ 251,3 milhões de um ano antes. A margem Ebitda ajustada foi de 30%, recuo de 7,4 pontos percentuais.

A companhia, porém, destaca que parte relevante desse movimento decorre de efeitos contábeis não recorrentes: mudanças na metodologia de PECLD e na contabilização de investimentos em tecnologia — que passaram de capex para opex — distorcem a comparação direta com o período anterior. No conceito comparável, que ajusta esses efeitos, o Ebitda teria sido de R$ 254 milhões, com margem de 36,2%, queda de apenas 1,2 ponto percentual.

A geração de caixa seguiu consistente: o fluxo de caixa livre comparável foi de R$ 116 milhões no trimestre, praticamente estável frente aos R$ 118,2 milhões do mesmo período do ano anterior. O saldo de caixa encerrou em R$ 931 milhões, e a alavancagem financeira medida pela relação dívida líquida/Ebitda (excluindo IFRS-16) caiu de 1,1x para 0,8x na comparação anual, refletindo a geração operacional e a quitação de obrigações por aquisições anteriores.

Em paralelo ao desempenho financeiro, a companhia acelerou sua agenda de transformação digital, reportando que 75% dos atendimentos aos alunos já são resolvidos autonomamente por inteligência artificial, com NPS de 4,4 em uma escala de 5 — desempenho que, segundo a empresa, supera benchmarks de mercado. A iniciativa, segundo a gestão, é parte da estratégia de colocar o aluno no centro e preparar a companhia para as exigências operacionais do novo marco regulatório.

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