A Armac (ARML3) divulgou um resultado misto no primeiro trimestre de 2026, com receita abaixo das expectativas e EBITDA inflado por um ganho não recorrente de aquisição — combinação que levou as ações a recuarem quase 8% na sessão seguinte ao balanço. A receita líquida totalizou R$ 451 milhões, alta de 2,5% na comparação anual, mas 6,6% abaixo do consenso de mercado e 3% inferior à estimativa do Safra. As ações operam em queda de quase 8% em reação aos resultados.
O desempenho da receita refletiu dinâmicas opostas dentro da companhia. A receita de aluguel recuou 6% ano a ano, para R$ 341 milhões, pressionada pela desmobilização contínua de contratos de longo prazo com baixa rentabilidade.
Em sentido contrário, a receita com venda de ativos disparou 73% ano a ano, para R$ 110 milhões, ajudando a sustentar o faturamento total.
“A receita de aluguel refletiu a desmobilização contínua de contratos de longo prazo com baixa margem, parcialmente compensada por ajustes de preços e menor nível de chargebacks“, avaliam os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti, do Safra.
Ebitda
O Ebitda reportado de R$ 211 milhões e a margem de 46,7% — expansão de 1.287 pontos-base ano a ano — parecem impressionantes à primeira vista, mas escondem um efeito relevante. O resultado foi beneficiado por um ganho não caixa de R$ 42 milhões relacionado às aquisições da Engelog e da Braslift.
“Excluindo esse efeito, o Ebitda ajustado teria alcançado R$ 172 milhões, 1,4% abaixo do consenso, com margem de 38%”, ressaltam Mussi e Melotti.
A melhora anual da margem ajustada, de 291 pontos-base, reflete a reestruturação operacional em curso, com renegociações de contratos e venda de ativos totalmente depreciados.
Na última linha, o lucro líquido ajustado somou R$ 15,2 milhões, queda de 6,4% ano a ano, pressionado por três fatores: menor benefício fiscal — R$ 3,3 milhões contra R$ 5,3 milhões no 1T25 —, alta de 26% no resultado financeiro e avanço de 65% na depreciação e amortização, reflexo da expansão da frota e da consolidação das aquisições recentes.
“O crescimento do lucro foi limitado por um benefício fiscal menor, pelo aumento da depreciação decorrente da expansão da frota e por um resultado financeiro mais pesado”, apontam os analistas.
Endividamento
A alavancagem permaneceu estável, com dívida líquida/EBITDA de 2,37x, praticamente em linha com os 2,36x do 4T25. A utilização de ativos recuou 70 pontos-base ano a ano, para 70%, pressionada pela incorporação de novos equipamentos — R$ 236 milhões em capex orgânico.
“A companhia espera uma recuperação da utilização a partir do segundo trimestre de 2026”, afirmam Mussi e Melotti, que aguardam mais esclarecimentos da gestão para avaliar o ritmo dessa retomada.






