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Ações da JBS caem 4% e analistas veem revisões para baixo após balanço

Ações da JBS caem 4% e analistas veem revisões para baixo após balanço

Apenas suínos nos EUA superam estimativas; Seara, Austrália e Pilgrim’s Pride frustram expectativas

As ações da JBS (JBSS32) caem em torno de 4% após a empresa divulgar resultados operacionais abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026, com deterioração de margens em diversas unidades de negócio e fluxo de caixa livre negativo em US$ 1,5 bilhão. O EBITDA ajustado ficou 16% abaixo da estimativa do Safra e 11% aquém do consenso de mercado.

Segundo o analista Ricardo Boiат, do Safra, “a surpresa negativa deve levar a revisões para baixo de lucros, pressionando o papel no curto prazo.”

Bovinos nos EUA e Austrália como vilões

A unidade JBS US Beef North America seguiu como o principal ponto de pressão. A receita líquida avançou 12% ano a ano, para US$ 7,2 bilhões, mas a margem EBITDA ajustada atingiu -3,7%, queda de 216 pontos-base na comparação anual.

“A indústria de carne bovina nos EUA segue desafiadora devido à disponibilidade limitada de gado, combinada com restrições às importações de gado vivo do México. Como resultado, os preços do gado estão subindo mais rápido que os preços de carne, pressionando os spreads”, explica Boiat.

A operação australiana também decepcionou. Apesar do crescimento robusto de receita — US$ 2,1 bilhões, alta de 32% ano a ano —, os custos com gado subiram 30% e comprimiram as margens. O Ebitda ajustado caiu 17% ano a ano, com margem de 6,2%, 370 pontos-base abaixo do registrado no mesmo período de 2025 e 331 pontos-base aquém da estimativa do Safra.

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Seara e Pilgrim’s Pride também frustram

A Seara apresentou crescimento sólido de receita, de 11% ano a ano, para US$ 2,4 bilhões, impulsionado por volumes e preços. Contudo, a margem EBITDA de 15,5% veio 428 pontos-base abaixo do 1T25 e 98 pontos-base abaixo da projeção do Safra.

“Apesar do ambiente desafiador nos mercados de exportação em meio ao conflito no Oriente Médio, o crescimento de vendas foi impulsionado tanto por volumes quanto por preços”, destaca o analista.

A Pilgrim’s Pride, que havia divulgado seus resultados previamente, também decepcionou, com margem Ebitda de 9,9% — queda de 488 pontos-base ano a ano —, impactada por fundamentos mais fracos de commodities, clima adverso e paradas temporárias de plantas.

Suínos e Brasil como pontos positivos

No lado positivo, a JBS USA Pork foi o destaque do trimestre. Apesar de receita levemente abaixo da estimativa — US$ 2,0 bilhões, alta de 1% ano a ano —, a margem EBITDA de 13,5% superou em 299 pontos-base a projeção do Safra.

“Apesar da receita abaixo da nossa estimativa, essa unidade foi o destaque, com margens melhores do que o esperado, refletindo forte execução comercial e operacional”, avalia Boiat.

A JBS Brasil também contribuiu positivamente, com receita de US$ 3,8 bilhões, crescimento de 20% ano a ano, e expansão de margem EBITDA para 4,4%, mesmo diante de preços mais elevados do gado.

O FCF foi negativo em US$ 1,5 bilhão, piora em relação aos US$ 917 milhões negativos do 1T25, reflexo de maiores necessidades sazonais de capital de giro e Ebitda mais fraco.

“O FCF foi negativo, devido a maiores necessidades sazonais de capital de giro e EBITDA mais fraco, 26% abaixo ano a ano”, conclui o analista Ricardo Boiat, do Safra, que vê o resultado como catalisador negativo para as ações no curto prazo.

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