A Standard and Poor’s rebaixou nesta quinta-feira (19) o rating de crédito de longo prazo do BRB — Banco de Brasília (BSLI4) de ‘brBB’ para ‘brB-‘ na escala nacional. O rating de curto prazo ‘brB’ foi reafirmado. Ambas as notas permanecem em CreditWatch com implicações negativas. O perfil de crédito individual (SACP) do banco foi revisado de ‘brb’ para ‘brccc+’.
“O rebaixamento reflete o aumento das incertezas jurídicas e políticas em torno do plano de capitalização do BRB, que depende do suporte de seu controlador principal, o Distrito Federal”, afirmam os analistas Felipe Ojima, Karen Nagai e Guilherme Machado, da S&P.
As ações do Banco de Brasília já caíram aproximadamente 40% em 2026.
Herança do Banco Master
O estopim da ação de rating foi a aquisição de ativos do Banco Master, operação que passou a ser investigada pela Operação Compliance Zero desde novembro de 2025. A reavaliação da carteira adquirida deve elevar as perdas esperadas do banco, exigindo provisionamento significativo.
“A qualidade dos ativos do BRB deve ser materialmente impactada após reavaliação da carteira adquirida do Banco Master“, alertam os analistas.
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Para manter as métricas de capital regulatório, o governo do DF busca viabilizar um aporte mínimo de R$ 6,6 bilhões.
Entraves jurídicos complicam aporte
O plano de capitalização baseia-se em uma lei distrital, que autoriza o uso de bens públicos e ativos de empresas estatais para reforçar o capital do banco.
Contudo, entre 16 e 18 de março, surgiram novos entraves jurídicos que, na visão da S&P, “geram imprevisibilidade quanto à aplicabilidade prática da norma e podem resultar em atrasos na implementação do plano de capitalização.”
No mesmo período, o banco adiou a assembleia extraordinária que deliberaria sobre o aporte, contribuindo para novas incertezas.
“Embora o BRB ainda conte com a intenção de suporte de seu controlador majoritário, a probabilidade de execução do plano de capitalização diminuiu“, concluem Ojima, Nagai e Machado.
Risco de novo corte
O CreditWatch negativo indica possibilidade de rebaixamento adicional nos próximos 30 dias.
“Esperamos resolver o CreditWatch assim que houver previsibilidade sobre a profundidade e extensão dos impactos da investigação na posição financeira e no perfil de risco de crédito do BRB”, afirmam os analistas da S&P.
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